... e começa a morrer
Por Joaquín Hormazábal de la Fuente e Sophia Kraenkel - Edição Opostos - maio de 2014
Ilustração: Thaís Mendes

Quando perdemos alguém próximo ou conhecido é sempre um grande impacto emocional. A morte chega a ser quase um tabu. Mas como é conviver com a morte todos os dias? “A gente que lida com a morte acaba tendo mais respeito com as pessoas que estão mais próximas de nós” diz Franscivaldo Gomes, o Popó, administrador do cemitério da Consolação e ex-sepultador.

Bem diferente da série “A Sete Palmos”, o serviço funerário de São Paulo é público, exclusivo da prefeitura. Esse modelo, por outro lado, não é comum em todo Brasil: no próprio interior do Estado de São Paulo, as funerárias são privadas.

Na capital paulista, a prefeitura administra 22 cemitérios e fiscaliza outros 19 particulares. Nas necrópoles públicas os serviços são contratados no próprio local e não têm restrições religiosas. “Nós temos dois contatos com a família que perdeu um ente querido: primeiro na hora da contratação e depois no momento do enterro”, explica.

O coveiro

“Sendo sepultador, você imagina, no contato direto com morte, que aquela pessoa poderia ser da sua própria família”, conta Popó, sobre  quando trabalhou como coveiro. “Você também imagina que as pessoas que você conhece já tiveram alguma experiência que passou por ali, então o convívio com a morte faz com que você tenha mais respeito, consideração e amor por quem está perto”.

Para ser sepultador é necessário se prevenir: luvas e equipamentos especializados devem ser utilizados para evitar possíveis doenças relacionadas ao contato com mortos, principalmente com aqueles que faleceram por doenças contagiosas.

Turismo

“O Cemitério da Consolação não é só um lugar de fazer sepultamentos, é um local também de cultura e de história do nosso país concentrada em um cemitério”, conta Popó, que também é monitor turístico da primeira necrópole de São Paulo. O local possui túmulos feitos por artistas de diversas nacionalidades, e é também uma referência em arte tumular.

Personalidades da história brasileira como Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Conde Franscisco Matarazzo, Campos Sales e Monteiro Lobato são alguns dos famosos que jazem na Consolação. “Nós procuramos exaltar a nossa história e mostrar que aqui, que para muitos é um lugar triste e mórbido, também pode ser visto de outra maneira, com a alegria de ver uma obra de arte”, fala Popó, um verdadeiro apaixonado pela cidade de São Paulo.

Leia o oposto aqui.



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