Caderno de Jornalismo Esportivo – 3ª edição

O despertar para o jornalismo esportivo surge quando se tem a necessidade de relatar os momentos que marcaram o universo das práticas esportivas e das atividades físicas. É assim que a nossa memória preserva os jogos inesquecíveis do nosso clube de coração, da pelada na rua ou praia ou mesmo da competição organizada pelo professor de Educação Física. São os sonhos de tantas crianças e adolescentes que choraram nas vitórias e nas derrotas.

A atividade inicial da disciplina Jornalismo Esportivo – A pauta além do futebol se constitui na elaboração de crônicas sobre as lembranças dos alunos e das alunas, desde os ligados aos diversos cursos de graduação e aos da Terceira Idade, ambos estudantes da Universidade de São Paulo.

A crônica é distinta de um simples relato jornalístico. Ao mesmo tempo, Ivan Cavalcanti Proença em seu livro Futebol e Palavra , revela que “não é fácil defender a crônica esportiva como Literatura”(1981, p. 29). Isso porque, para os vinculados ao meio, é quase impossível se dissociar a Vida-vida e Vida-futebol, ou Vida-esporte.

A crônica brinca com a realidade para além dos ginásios e campos; em meio ao trabalho, às rodas de conversa, ao cinema, aos verbetes e às origens sociais. Se por um lado, o argumento está vinculado aos fatos, por outro, o autor se importa com as sensações e os sentimentos de seus personagens. Afinal, o ponto de vista constituído na crônica não se limita a quem a escreve, mas se torna um reflexo das lembranças dos atletas e torcedores fanáticos que a lêem.

O desafio é ainda maior quando o professor explica que o texto será publicado na internet, como uma matéria de cunho opinativo. Pela maioria dos alunos não ser do curso de jornalismo, talvez essa seja a única chance de alguns se tornarem cronistas por um dia. A pauta revela o encontro com aquele dia inesquecível no esporte. Como um instante mágico que une o espaço e o tempo, cada escritor se torna personagem da própria história.

São dois estilos que marcaram os textos dos cronistas: O primeiro é o dos amadores com muito orgulho. Surgem aqui os craques do cotidiano que nasceram para brilhar nas quadras, nos campos ou nas piscinas. Nem sempre o resultado foi o esperado, mas o que importava era competir. Eles sabiam dos seus limites e, mesmo assim, não amoleceram. Foram em frente e enfrentaram as batalhas, da mesma forma como fazem no dia a dia da escola ou do trabalho. Já o segundo estilo é composto pelos torcedores para sempre, que demonstram o amor eterno pelos clubes de coração. As lágrimas de quem acompanhou consagrações e desastres, como o da vitória perdida ou da conquista inesperada. São crônicas da vida privada que remontam o imaginário de milhões de brasileiros.

Depois das aulas, cada um seguirá o seu caminho, mas tenha certeza de que este Caderno de Jornalismo Esportivo marcará para sempre a trajetória dos jovens cronistas esportivos da Universidade de São Paulo.

Luciano Victor Barros Maluly & Alexandre Bianquini do Amaral

Editores

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