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Mancha de sangue

Por Murilo Carnelosso de Jesus

 

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O velho investigador caminhava por volta das 23h em uma estreita viela para pedestres no centro da cidade quando avistou pequenas manchas na parede de um prédio antigo. Já tinham o aspecto um pouco “esfumaçado” de quando se tenta removê-las, mas estavam lá aparentes para a visão atenta do especialista. Para ele, não havia dúvidas: eram manchas de sangue.

 

Retornou ao local às 10h do dia seguinte tomado pela necessidade de entender o que havia acontecido. Não conseguia tirar os olhos das manchas. Tinham formato de uma rajada de pequenas gotas, lembrando muito o padrão de impacto, o que indica algum tipo de agressão. Diferente da disposição caótica comum nos cenários de crimes envolvendo sangue o que dificulta a análise , desta vez, haviam poucas manchas pequenas e longilíneas.

 

Entrou para conversar com o porteiro do prédio. Perguntou ao senhor velhinho e barrigudo se acontecera alguma coisa estranha recentemente. Com olhar desconfiado, respondeu com outra pergunta: “O que seria estranho para o senhor?”.

 

Saiu do prédio para ver a movimentação dos moradores. Em meia hora três pessoas lhe chamaram a atenção. Um rapaz beirando os 30 anos de idade, que foi até bem próximo de onde ele estava com andar despreocupado e voltou rapidamente como se tivesse esquecido algo, mas estranhamente não tornou a sair. Uma jovem moça com olhar desconfiado e passo apressado, que tinha uma mancha roxa perceptível no braço esquerdo, apesar da manga da blusa tentar cobri-la inutilmente. E uma senhora com feição cansada, que antes de sair do prédio olhou desconfiada para os lados e saiu carregando dois grandes sacos de lixo. O investigador até iniciou uma caminhada para tentar segui-la, mas achou melhor voltar à noite. Ela desconfiaria que estava sendo vigiada.

 

Na madrugada se aproveitou do pouco movimento na rua para aplicar luminol nas manchas, que brilharam no escuro com tom azul não tão forte, o que confirmava que se tratava de sangue. Foi ficando mais tenso enquanto media a largura, o comprimento, a direção e a localização de algumas das manchas. Com esses dados aplicados no software em seu tablet, conseguiu identificar o local exato de onde o sangue espirrou na parede. Lembrou-se do começo da carreira, quando estes cálculos eram simulados com cordas coloridas grudadas da parede até o chão. O golpe deve ter sido dado na cabeça da vítima. Isso explicava porque só havia manchas correspondentes a um golpe. Teria sido o suficiente para matar uma pessoa.

 

Enquanto realizava seus cálculos na penumbra da rua, avistou alguém passando rapidamente na esquina onde estava de manhã. Aquele vulto lhe pareceu familiar, mas não conseguiu ver quem era. Foi até lá em passos apressados, mas não havia ninguém na rua perpendicular.


Voltou ainda mais nervoso para próximo do prédio. Abaixou-se para coletar algum resíduo das marcas de sangue e sair rapidamente de lá. Com a amostra seria possível detectar o DNA da vítima. Suas mãos tremiam mais do que o normal, seu rosto suava apesar da brisa fresca da madrugada. Quandou se levantou apressado para ir embora, não teve tempo nem de se virar. A parede estava manchada de sangue novamente.

O suplemento Claro! é produzido pelos alunos do 3º ano de graduação em Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso III.

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