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As realidades por trás da verdade

Por Carolina Pulice

Minha própria realidade

As máscaras da mitomania

As máscaras da realidade

 

Construções do não real

Construções do irreal

Construções da não verdade

Construções da realidade

 

Quantas mentiras contamos por dia? “Chego em cinco minutos” quando na verdade não chegaremos, “sua roupa é muito bonita” quando não gostamos, são algumas das mentiras que contamos no dia a dia, para conviver melhor em sociedade. Porém, as pessoas impõem um limite aceitável das mentiras que falamos e ouvimos.

Quando uma pessoa passa a mentir de maneira exagerada, e isso se torna uma compulsão, a mentira passa a fazer parte de um quadro clínico, e em alguns casos esta pessoa pode desenvolver a mitomania.

A mitomania é um distúrbio psicológico que faz a pessoa mentir compulsivamente, até não conseguir mais sair das suas mentiras, da sua nova realidade.

A professora Leila Tardivo, do Instituto de Psicologia da USP, explica que esse distúrbio geralmente acompanha outros quadros clínicos, como transtorno de personalidade antissocial, como a psicopatia vícios e outras síndromes.

As causas também são diversas, e muitas vezes o desenvolvimento do distúrbio está ligado ao ambiente adverso em que a pessoa cresceu: uma infância conturbada, violenta, ou repleta de mentiras pode fazer com que a pessoa passe a mentir.

Leila explica que, às vezes, a compulsão por mentir também tem origem nos problemas com a autoestima, de pessoas que não aceitam suas condições de vida. “A pessoa diz conhecer lugares que não conhece, viajar para lugares que não foi. Essa pessoa faz sem querer e faz tanto que acaba acreditando”, afirma a professora.

Os casos de mitomania são diversos, mas a professora lembra que a terapia é , em geral, a melhor forma de tratar o mitomaníaco. De acordo com ela, é necessário reconhecer o tipo de mentira que se conta, para então saber o melhor jeito de lidar com o mitomaníaco. O primeiro passo é o paciente se conhecer como compulsivo e aceitar que possui um distúrbio.

Grupos no Facebook que discutem o distúrbio podem ajudar mitomaníacos a se aceitarem, e também amigos de pessoas com distúrbio a compartilharem experiências. Carla* tem uma amiga com mitomania. Ela diz que a convivência, às vezes torna-se bem difícil, pois é difícil confiar na amiga. De acordo com ela, a amiga não revelou ter baixa autoestima, mas algumas de suas atitudes demonstram esse problema, como mentir a roupa que estava usando, mentir sobre seu jantar (o que vai comer), ou até mesmo colocar um refrigerante de outra marca mais barata dentro de uma garrafa de coca-cola.

José*, que faz parte do mesmo grupo no Facebook que discute o distúrbio, diz que manter as mentiras torna-se um “fardo” na vida de quem mente. “Eu acredito que para cada história que se conta tem-se de sustentar uma máscara diferente, às vezes várias”.

Para a professora, pessoas próximas não devem tentar desmascarar um mitomaníaco de forma brusca. Para ajudar, é necessário que se entenda o contexto do mitomaníaco, e que se saiba a melhor maneira de abordar o tema.

 

O suplemento Claro! é produzido pelos alunos do 3º ano de graduação em Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso III.

Tiragem impressa: 8.000 exemplares

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