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Conheça a trajetória de Tadeu Chiarelli

Por Clara Roman

O recém-nomeado diretor traça novos horizontes para o museu, antes de sua mudança para o emblemático prédio de Niemeyer

O Museu de Arte Contemporânea recebe novo diretor. Tadeu Chiarelli, indicado pelo reitor João Grandino Rodas, é professor do Departamento de Artes Plásticas, de longa experiência acadêmica e curatorial.

Chiarelli nasceu em Ribeirão Preto, em 1956. Já na década de 60, começou a frequentar o curso infantil da antiga Escola de Artes Plásticas de Ribeirão Preto, pois suas irmãs mais velhas, Ophélia e Marlene Chiarelli, eram secretárias do local e permitiam seu acesso às aulas. Nesse ambiente, teve os primeiros contatos com o mundo das artes plásticas. Clandestinamente, à noite, assistia às aulas de Caminada Gismondi, teórico da arte italiano que se tornou diretor da escola de Ribeirão Preto em 1965. A família foi um estímulo para as primeiras incursões de Chiarelli.“Não posso esquecer que meus pais também sempre incentivaram o interesse intelectual de seus filhos. Apesar de humildes, sempre colocaram como ponto fundamental a nossa formação”, conta ele.

Um pouco mais tarde, Chiarelli se interessou pelo curso de Artes Cênicas da ECA. No período do vestibular, se inscreveu no Curso de Artes Plásticas. No entanto, desde sua entrada, já planejava concentrar-se na área de história da arte. O professor da disciplina no momento era Walter Zanini, diretor do MAC-USP entre 1963 e 1978. Chiarelli inspirou-se em sua figura, pretendendo seguir na área teórica e curatorial. Conseguiu uma Bolsa de Iniciação Científica, um primeiro incentivo para prosseguir na carreira acadêmica. O seu projeto baseava-se na Escola de Artes Plásticas de Ribeirão Preto, onde havia estudado. Formado na graduação, encaminhou-se para o mestrado, que concluiu em 1989, pelo Departamento de Artes Plásticas da Universidade de São Paulo. Sua dissertação abordava a crítica de arte de Monteiro Lobato (Um Jeca nos Vernissages: Monteiro Lobato e o desejo de uma arte nacional no Brasil (1850-1919).

Esse trabalho já refletia a sua preocupação com os paradoxos da crítica de arte brasileira e as falhas históricas produzidas pelo movimento modernista, que acabaram por desconsiderar a crítica da arte de Monteiro Lobato, reduzindo-o a um escritor de literatura infantil, apenas. A dissertação de Chiarelli realiza esse resgate histórico, recolocando Lobato em seu devido lugar no âmbito artístico. Coincidentemente, seu orientador, professor Teixeira Coelho, da ECA,  seria diretor do MAC-USP anos depois.

No doutorado, também realizado pela Universidade de São Paulo, Chiarelli focou-se na crítica de arte a partir dos estudos de Mário de Andrade, já inserido no movimento modernista de 1922. Teve orientação de Annateresa Fabris. É importante ressaltar que desde 1983 Chiarelli leciona no Departamento de Artes Plásticas da USP, onde é responsável, atualmente, pelas disciplinas Evolução das Artes Visuais IV e História da Arte no Brasil II.

É casado com Silvia Chiarelli há 30 anos, com quem teve duas filhas, Luanna, 28, e Stella, 21. “Como pai coruja, diria que são lindas e inteligentes”, comenta. A caçula acaba de ingressar na faculdade de arqueologia de Istambul, enquanto Luanna realiza projetos na área de pedagogia e educação infantil, tendo também trabalhado como atriz.

Sua trajetória profissional na área de museologia iniciou-se em 1996, quando se tornou curador chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo, o MAM, instituição da qual participou ativamente durante anos, exercendo cargos de administração e curadoria. “O MAM e o MAC-USP possuem uma mesma origem: o antigo Museu de Arte Moderna de São Paulo, também raiz da Fundação Bienal de São Paulo”, comenta Chiarelli, que acredita que as duas instituições possuem problemas comuns, apesar de “o MAC se diferenciar do MAM por ser um museu universitário, em que a pesquisa sobre o acervo é um eixo fundamental para as atividades do museu”.

Por essa característica, Chiarelli aposta na mudança da sede principal do MAC, da Cidade Universitária para a antiga sede do Detran, ao lado do parque Ibirapuera. “Num edifício emblemático da arquitetura da primeira metade do século passado, com espaços generosos, o MAC, além de exibir parte significativa de seu acervo, certamente voltará a ser a bússola para a arte contemporânea no País”, afirma.

O prédio que abrigou o Detran por mais de meio século faz parte do conjunto de edifícios projetados por Niemeyer para o parque Ibirapuera, em 1954, nas comemorações de 50 anos da cidade de São Paulo. O novo diretor aponta duas tendências para o Museu de Arte Contemporânea: a preservação e divulgação do acervo e polo de difusão do debate sobre a arte contemporânea na cidade. Nesse sentido, a nova sede será útil, pois ampliará as possibilidades de exposição, devido a suas dimensões abrangentes e às melhores condições físicas. Além disso, o próprio espaço é propositivo.

“Em conjunto com a equipe de curadoras do museu, estruturo neste momento as diretrizes para os próximos quatro anos, que deverão estar centradas em dois polos: um retrospectivo, centrado na exposição/valorização do acervo do museu, e outro prospectivo, centrado na detecção dos novos valores da arte atual, brasileira e internacional.”

Todo o trabalho será desenvolvido com os quadros de curadoria já formados no museu, estabelecendo novos parâmetros para as mostras, resgatando o passado e captando o presente.

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