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PROJETO
DR. SCARGOT É TIPO INOVADOR DE TERAPIA COM ANIMAIS
É tarde
de segunda-feira e acaba de tocar o estridente som da sirene
no Colégio Kennedy. As crianças mal terminam
a última mordida no sanduíche do intervalo e
já correm animadas para o laboratório de ciências:
sabem que hoje a aula será diferente. Ao invés
de livros, elas encontram dois patinhos, um canário
e alguns escargôs sobre as bancadas da sala.
Trata-se
do Projeto Dr. Scargot, desenvolvido desde 2000 pela professora
de veterinária Maria de Fátima Martins, da Faculdade
de Zootecnia e Engenharia de Alimentos em Pirassununga. Ela
percebeu que o bichinho, uma espécie terrestre africana
de caracol gigante, poderia ter função terapêutica
no processo educacional, incluindo crianças com deficiências
físicas. Cerca de 740 alunos de 1a. a 4a. séries
já foram atendidas e relatórios revelam que
92,5% dos pais e professores observaram maior proximidade
das crianças com animais, e 21,4%, melhoria alimentar,
ou seja, ao reparar no escargô, os pequenos passaram
a aceitar verduras na sua dieta.
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| Maria
de Fátima em aula |
"O
escargô alivia o estresse, por isso é ótimo
para lidar com crianças hiperativas, autistas e com
síndrome de Down", afirma Maria de Fátima
que, ao longo do projeto, apoiado pela Fapesp, passou a incluir
animais diferentes.
As pesquisas desenvolvidas pela equipe de Maria de Fátima,
que hoje conta com profissionais como psicólogos e
fisioterapeutas, são estendidas quinzenalmente para
três escolas de Pirassununga, uma particular, uma estadual
e uma municipal rural. "Pedagogicamente, o projeto funciona
como um co-educador, porque estimula a curiosidade das crianças
e permite trabalhar noções de cidadania, como
o respeito pelos animais", afirma a professora. Segundo
ela, as aulas são adaptadas de acordo com o currículo
e dificuldades específicas das turmas.
| Na
aula do Colégio Kennedy, a intimidade das crianças
com o scargot é impressionante. "Eu adoro
o escargô, acho ele fofinho e bonitinho. Na primeira
aula, comecei a fazer carinho e ele gostou de mim. Aprendi
onde é o nariz, o olho, a boca e a concha",
conta o esperto Gustavo Andrade, 6 anos. |
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Gustavo
adora escargot desde a primeira aula
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Os
patinhos, apelidados de Zezinho e Luisinho, foram passados
de mão em mão, enquanto a professora explicava
onde ficavam as asas e outras partes do corpo. Mas Mariana
Montagner, da 3. série, queria mesmo era segurar o
escargô. "Não tenho medo. Acabei de dar
banho nele, ele gosta de se refrescar", diz.
Algumas
turmas visitadas pelo projeto contam inclusive com crianças
autistas, como é o caso de Maximiliano Unglauber, da
3. série. Durante a aula no laboratório, seu
interesse estava dividido entre um livrinho e o escargô.
Aos poucos, a atenção se voltou mais para o
animal. "Ele não se comunica verbalmente muito
bem, mas em casa comenta do escargô quando questionado",
afirma Gisele Cristina Silva, estudante de pedagogia que acompanha
Max há mais de um ano.
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| Max
divide atenção entre livros e escargots |
"Crianças
especiais conseguem ser mais naturais e espontâneas
com os animais. Usamos essa facilidade para ajudá-las
também nas relações humanas", afirma
a diretora do colégio, Valéria Maria Savatini.
Ela percebeu que os alunos melhoravam a expressão e
vazão das emoções e dos sentidos. "A
criança que tem dificuldade em ser abraçada
ou receber carinho faz isso com maior naturalidade",
conta.
Na
Emei Rural Profa. Maria Aparecida Recq Cabral Guimarães,
a relação com os bichinhos ganha um olhar diferente.
"Eles desenvolvem preocupação maior com
a microfauna e entendem o perigo das queimadas", conta
a professora Patrícia Helena Boldt, que acompanha o
Projeto Dr. Esgargot há dois anos na escola. Ela acredita
que ele incentivou e motivou crianças com baixo desempenho
escolar. "Elas fazem atividades com mais empenho e entusiasmo,
e se igualaram ao resto da turma em termos de participação",
comemora.
| Oficialmente
chamado Utilização de Pequenas criações
(Scargots) na Terapia e no processo educacional, o projeto
é um tipo inovador de Terapia Assistida por Animais
(TAA), que existe há mais de 30 anos no exterior.
No Brasil as iniciativas são recentes, |
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e uma delas é a integração entre
homem e cavalo para reabilitação na Fundação
Selma , chamada equoterapia. |
Para
Maria de Fátima, ainda há resistência
contra tipos alternativos de terapia mesmo dentro da Universidade,
mas prêmios recentemente adquiridos, como o de menção
honrosa do Pibic/CNPQ, Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação Científica, sinalizam caminho
para maior aceitação. 
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