exposições

 

 

por
Júlia Tavares
e Marcos Jorge

 

 

 

cinema

dança

música

resenhas

resenhas infantis


Instalações de Nuno Ramos

Em uma atividade inédita, grupos de artistas, estudantes e professores, ligados às artes plásticas e visuais, puderam participar da montagem da nova exposição de Nuno Ramos, que está em cartaz até junho no Centro Cultural Banco do Brasil. Eles puderam interagir e observar o processo de criação do artista, revelado na década de 80 e hoje considerado um dos principais artistas brasileiros. Nuno aproveitou a arquitetura histórica do prédio para aprofundar características de seu trabalho - a idéia do abandono, da matéria à espera da morte, e da conseqüente transformação é recorrente em sua obra. Como ele próprio diz, "tenho procurado um núcleo poético na minha obra, fios que liguem tudo, um lugar para as coisas", deixando clara sua paixão pela palavra e pela literatura, que transparecem nas quatro instalações inéditas.

Em Morte das Casas uma chuva artificial cai da clarabóia do prédio, de uma altura de 20 metros, inundando uma área rebaixada do térreo, enquanto vozes masculinas recitam o poema Morte das casas de Ouro Preto, de Carlos Drummond de Andrade. Alvorada, no subsolo, une palavra, música e cinema; nela, Nuno interrompe o primeiro verso da canção homônima de Cartola e Elton Medeiros, usando outra frase que aparece em relevo em uma parede revestida de areia vermelha, e ainda mescla imagens de dois vídeos: no primeiro, um carro vermelho anda pela periferia de São Paulo, e no segundo, homens em cima de uma laje de uma casa de subúrbio tentam gritar num megafone a palavra-título da obra. Cascos utiliza um casco de barco traineira com outros cascos semelhantes, numa escultura monumental, que também une o vídeo com atores declamando um texto do próprio artista. E por fim, Choro negro, em que um sólido negro feito de breu é colocado em cima de pedras de mármore branco aquecidas, de onde escorre um rio negro numa alusão à memória de túmulo, de lápide.

Neste mês, no dia 25 de maio, acontece o lançamento de catálogo, reunindo 150 imagens que documentam parte da obra anterior de Nuno Ramos e as quatro instalações, além de textos críticos bilíngües (português/inglês) de Paulo Venâncio Filho e Vilma Areas; seguido de debate com o artista e os críticos.

Centro Cultural Banco do Brasil
R. Álvares Penteado, 112, Centro
T. 3113-3651
H. terça a domingo, das 10h às 21h
Ingresso: Grátis
Até 20 de junho



Maria Bonomi

A artista está presente em dois locais. Literalmente, Maria Bonomi vai ocupar o espaço do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP para preparar um painel temático que será instalado na Estação Luz, com três metros de altura, para a galeria de conexão entre o Metrô e a ferrovia, sob a rua da Luz. Assim como aconteceu na montagem das instalações de Nuno Ramos, alunos da USP interagem com a artista que está fazendo os trabalhos de gravação das matrizes. E o público ainda pode observar a residência de Maria Bonomi (com agendamento prévio por telefone). E no Centro Universitário Maria Antonia estão suas obras produzidas a partir dos anos 50.

MAC Anexo
R. da Reitoria, 109A, Cidade Universitária
T. 3091-3559
H
. de terça a sexta, das 10h às 19h
Ingresso: Grátis
Até 30 de maio

Centro Universitário Maria Antonia
R. Maria Antonia, 294, Vila Buarque
T. 3255-7182
H. segunda a sexta, das 12h às 21h, sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Ingresso: Grátis
Até 13 de junho