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É inegável a importância
do aleitamento materno para a saúde do bebê, tanto
no campo nutricional quanto imunológico e até
mesmo psico-afetivo. Segundo Isília Aparecida Silva,
docente da Escola de Enfermagem da USP, o leite materno é
o que existe de mais completo para a dieta da criança,
que, por ter um organismo ainda em formação, não
suporta a digestão de alguns nutrientes presentes em
outros alimentos.
A amamentação é fundamental também
para o desenvolvimento do sistema imunológico. "A
mãe passa para o filho fatores de proteção
contra doenças com as quais ela já entrou em contato.
É como se o bebê recebesse uma dosagem de vacina
a cada mamada", afirma a professora. Do ponto de vista
afetivo, o aleitamento estreita a relação entre
mãe e filho pois é através dele que o bebê
percebe o carinho, o acolhimento e a satisfação
de necessidades.
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As
vantagens para a mãe também não são
poucas. "É comprovado que o hormônio
que age na produção do leite é o
mesmo que promove a redução uterina após
o parto. Além disso, pesquisas recentes associam
o aleitamento a uma redução na probabilidade
do câncer de mama."
Segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS)
e o Ministério da Saúde, as mães
devem amamentar seus filhos exclusivamente (somente o
leite materno) até, no mínimo, os seis meses
de idade. A legislação brasileira, por |
sua
vez, prevê 120 dias de licença-
maternidade, ou seja, dois
terços do período recomendado pela OMS. É
justamente nesses dois meses restantes que a maioria das mães
abandona o aleitamento exclusivo por dificuldades em conciliar
a jornada de trabalho com a amamentação do bebê.
Tendo em vista essas dificuldades, o Núcleo de Pesquisas
em Aleitamento Materno da Escola de Enfermagem da USP (Nepal)
criou, há pouco mais de dois anos, o Programa de Manutenção
à Lactação, sob a coordenação
da própria Isília. Com o intuito de facilitar
o retorno dessas mulheres ao ambiente de trabalho, o programa
acompanha a mulher na gestação e durante os primeiros
meses do bebê, a fim de orientá-la para manter
a amamentação mesmo após o retorno ao trabalho.
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HU
Banco de Leite A
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O programa atende muitas funcionárias, docentes e alunas
da USP, mas também está aberto para qualquer pessoa
de fora da comunidade uspiana, sempre respeitando a individualidade
e as necessidades de cada mulher. "Algumas mães
chegam aqui querendo amamentar mais dois ou três meses,
para outras basta dar o leite apenas em casa que já está
ótimo. A gente tenta respeitar a vontade individual da
mulher de acordo com a sua necessidade", ressalta a coordenadora.
A professora aponta a falta de apoio institucional como uma
das maiores dificuldades que a mulher enfrenta no retorno ao
trabalho. São poucas as empresas que disponibilizam creche
para os bebês e menor ainda é o número daquelas
que oferecem leite materno no próprio berçário.
Foi uma situação semelhante a essa que viveu Roseneide
Rodrigues da Silva Andrade, auxiliar acadêmica da Faculdade
de Saúde Pública. Rose, como é conhecida
no trabalho, amamentou exclusivamente até os quatro meses
(período da licença-maternidade), quando teve
que inserir outros tipos de alimento na dieta do filho. "Eu
sabia que não ia poder dar somente leite materno ao meu
filho porque a creche ficava muito longe do meu trabalho, aí
passei a dar água, papinha e outras comidas de bebê
para ele já ir se acostumando", afirma. A amamentação
ficou restrita a uma sessão antes de sair de casa e outra
após o trabalho, de onde ela era dispensada uma hora
mais cedo por causa da criança.
Além da licença-maternidade de 120 dias, a legislação
garante dois descansos remunerados de 30 minutos por dia a cada
4 horas de trabalho até o bebê completar os seis
meses de idade.
No
ambiente doméstico o apoio ao aleitamento também
é fundamental pois pressões existem mesmo
dentro da família. "Esse período se
torna um dilema pois, ao mesmo tempo em que a mulher tem
seus planos de vida e ambições profissionais,
ela também deve exercer o papel de mãe amamentando
o filho", ressalta a professora.
A família pode ajudar bastante cuidando não
apenas da criança, mas também do leite materno.
Estocar e oferecer o leite para a criança em casa
enquanto a mãe está trabalhando pode ser
uma boa opção para manter o aleitamento
exclusivo, mas alguns cuidados e o envolvimento da família
são fundamentais (veja box). No caso da funcionária
Lilian Garcia o apoio da família foi importante.
"Eu estocava o leite de acordo com as orientações
da dra. Isília e deixava o bebê aos cuidados
da minha sogra, que o alimentava enquanto eu estava no
trabalho", ressaltou. |
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Lilian
Garcia
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O Hospital Universitário (HU) também dispõe
de profissionais que informam as mães quanto aos benefícios
do aleitamento. Sob a responsabilidade da dra. Virgínia
Spindola Quintal, o banco tem como foco principal os bebês
recém-nascidos, prematuros ou que acabaram de sofrer
cirurgia, mas também atende gestantes na forma de orientá-las
de que maneira e quais os cuidados devem ser tomados durante
a ordenha do leite. Atendendo a toda a região do Butantã,
Osasco, Carapicuíba, Barueri, Alphaville e a própria
comunidade uspiana, o banco está sempre precisando de
doadoras. As interessadas devem entrar em contato com o Hospital
Universitário, passar por algumas avaliações
para então receber as orientações de como
colher e armazenar o leite materno.  |
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dicas
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Antes de qualquer coisa, é importante cuidar
da higiene lavando as mãos com sabão.
Para as mamas basta uma lavada com água.
· O leite pode ser ordenhado manualmente
ou com o uso de bombinhas. O Nepal oferece esse tipo
de material.
· É preferível que o leite seja
acondicionado num vidro. O plástico não
é recomendável por reter gorduras e ser
mais frágil à variação de
temperatura.
· Depois de ordenhado, o leite deve ser guardado
na geladeira por até 24 horas. Caso não
tenha uma geladeira, o leite pode ser mantido num isopor
com gelo.
· Não é bom que o leite seja estocado
na porta da geladeira, pois esse é um lugar muito
exposto, o ideal é que ele fique na primeira
prateleira, ao fundo, próximo ao congelador.
É importante observar também se não
existem ali alimentos com muito tempero ou cheiro forte
pois o leite pode absorver esse odor. O ideal é
reservar essa prateleira só para o leite.
· Se a mulher for usar o leite decorridas 24
horas, é necessário que seja estocado
em congelador ou freezer, onde ele pode permanecer
por até 10 dias. Na hora de alimentar o bebê,
descongele o leite e aqueça-o levemente em banho-maria.
· Nunca use mamadeira, pois ela acostuma
o bebê com a forma de sugar do bico artificial
e, no momento da mamada no seio, a criança pode
encontrar dificuldades. Prefira um copinho ou xícara
de café na hora de dar o leite para o bebê.
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