problemas na visão

 

 
por
Marcos Jorge


F
oi Leonardo da Vinci, ainda no século 16, quem primeiro chamou os olhos de "janela da alma" do homem. A afirmação do artista renascentista tem fundamento, pois são principalmente os olhos que alimentam a nossa percepção de mundo externo e, como acontece numa janela de verdade, o que está do lado de dentro também é colocado à mostra, expondo, como nenhuma outra parte do corpo humano, os nossos mais profundos sentimentos.

Cuidar dos olhos, portanto, é manter ativo o melhor instrumento que temos para a percepção do meio à nossa volta. No caso de uma criança, esse tipo de problema é mais difícil de identificar, porque ela não tem conhecimento de mundo suficiente para compreender que tem complicações na vista. É fundamental aos pais observarem que muitas vezes um mau desempenho escolar ou um comportamento inadequado em sala de aula podem indicar algum tipo de problema ocular.

Aos sete anos de idade, André Serrada tinha dificuldades na leitura, sentava-se sempre nas primeiras filas da sala e não enxergava as extremidades do quadro-negro. "O astigmatismo distorce a imagem, a vista fica embaçada e os objetos não têm nitidez", descreve o funcionário do Instituto de Psicologia que também foi diagnosticado com 7,5 graus de hipermetropia. Ainda assim, durante a adolescência o subcoordenador da biblioteca virtual de psicologia não queria nem saber daquele par de lentes
pendurado na sua orelha. Ele só resolveu usar óculos mais tarde, quando começou a ler com mais freqüência. "Eu descobri o quanto aquele instrumento iria facilitar a minha vida", conta.

Para o médico oftalmologista Fernando Cresta, os pais devem ficar atentos a qualquer indício de problemas nos olhos que a criança apresente. "Antes dos sete anos, a visão está em fase de desenvolvimento. Depois dessa idade, a vista fica estável e a recuperação não é tão rápida", alerta.

Os problemas mais comuns são aqueles relacionados com os erros de refração, como miopia (dificuldade de ver de longe), hipermetropia (dificuldade de ver de perto), astigmatismo (imagem "borrada"), todos eles corrigíveis com o uso de óculos ou lentes de contato. Pessoas com mais de 40 anos devem ficar atentas para outro problema, a presbiopia, ou a chamada "vista cansada", que impede que numa leitura, por exemplo, a pessoa focalize as palavras, tendo que colocar o objeto mais distante do olho que o normal. No caso de Valéria Cristina dos Santos, funcionária do Instituto de Geociências, a necessidade de usar óculos não a incomoda tanto esteticamente, o problema é mais operacional mesmo. "Uso óculos para enxergar de perto e trabalhar no computador, mas sempre que tenho que ver algo mais longe, preciso tirá-lo. Esse tira-e-põe dos óculos me atrapalha um pouco", reclama.

Cecília Maria Campanhã, secretária do Departamento de Estatística do IME, também sofre de presbiopia. Aos 44 anos de idade, Cecília tem dificuldade de ler de perto, coisa que não tinha quando era mais nova. "Quando vou ler um livro, por exemplo, coloco a uma distância duas vezes maior que o resto das pessoas", diz. No caso de Cecília existe ainda um agravante, ela passa a mair parte das oito horas de trabalho, sentada em frente ao computador e bastam dez minutos olhando para a tela sem óculos para a vista da secretária arder e lacrimejar.


hipermetropia

miopia

astigmatismo

Contrariando o senso comum, Cresta afirma que trabalhar muito tempo no computador, assistir a televisão de perto ou mesmo leituras no ônibus ou no escuro não prejudicam a visão. "O problema é que quando você fixa muito tempo no computador, o piscamento dos olhos diminui, e é esse piscamento que impede o olho de ressecar. Nesse caso é comum sentir uma queimação ou um ardor", explica o oftalmologista.

Existem alguns outros "mitos" sobre problemas oculares que devem ser esclarecidos. Um deles é que a conjuntivite em bebês é tratada pingando leite materno. Isso é um equívoco e pode trazer danos à saúde da criança. A criança com conjuntivite tem que ser levada a um oftalmologista para que o médico receite o colírio adequado. Outra dica importante para o cuidado ocular é que a pessoa não coçe demais os olhos. Isso pode prejudicar seriamente a visão. No caso de uma coceira realmente incômoda, o melhor mesmo é procurar uma assistência médica.

Após os 60 anos de idade, é comum que ocorra o que os médicos chamam de Degeneração Senil da Mácula (DSM). Nela, há um desgaste da mácula (região da retina), que faz com que a pessoa não veja muito bem a parte central da visão, enxergando uma mancha escura ou distorcida no centro do campo visual. Uma das principais causas da DSM é a falta de proteção dos olhos ao longo da vida contra a exposição ao sol.

Das doenças que podem afetar o olho, a catarata é a que mais acarreta prejuízos à saúde pública, sendo a maior causadora de cegueira no País. Ela e motivada pela diminuição da transparência (opacificação) do cristalino, uma lente que fica dentro do olho e ajuda a focalizar os raios de luz na retina. "A catarata deixa a visão cada vez mais embaçada e seu tratamento pode ser feito por meio de uma cirurgia simples e de fácil recuperação", esclarece Cresta. Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, o índice de sucesso nessa cirurgia é superior a 95%.

O médico ainda chama a atenção para uma doença silenciosa, hereditária e extremamente prejudicial à saúde ocular, o glaucoma. Ele aumenta a pressão interna do olho, danificando alguns nervos ópticos e debilitando a visão. "O problema é que até o paciente ver escuro leva muito tempo e quando chega nesse ponto a doença já está muito evoluída, por isso é importante medir a pressão periodicamente num oftalmologista", conclui.

serviço

Hospital das Clínicas -
O HC dispõe de uma Divisão de Clínica Oftalmológica que realiza qualquer tipo de tratamento e cirurgia ocular.
É necessário marcar a consulta no telefone (11) 3066-3000

Hospital Universitário -
Atende a todo tipo de problemas oculares. Professores, alunos e funcionários da USP devem agendar consultas pelo telefone (11) 3039-9449