Excelente para a saúde das pessoas, squash respira por aparelhos no Brasil

Rafael De Luca

Mesmo com grandes benefícios para todos os praticantes, modalidade luta contra o
descaso para conseguir apoio e não minguar às sombras do futebol.

“Ótimo para adquirir condicionamento físico, excelente para o sistema cardiorrespiratório, desenvolve força, resistência muscular, com baixo risco de lesões, e, de quebra, consome  cerca de oitocentas calorias em uma hora de prática”

 

Foi assim que a revista Forbes, em sua edição de março de 2017, definiu o squash como a modalidade de maior custo-benefício para mulheres e homens que buscam emagrecer com saúde. Nessa classificação, a publicação buscou comparar, em um espaço de tempo de meia hora de prática, o quanto de calorias, de benefícios cardiorrespiratórios e riscos de lesão – principalmente articulares, que basquete, natação, boxe, esqui cross-country, corrida e outras três modalidades finalistas oferecem aos seus praticantes.

E, para a surpresa de muitos, o desconhecido squash, praticado geralmente em clubes ou academias específicas, ficou à frente das queridinhas do momento corrida e ciclismo. Com pouco impacto sobre as articulações, com alta intensidade em suas movimentações,  rotações constantes do tronco e com gasto de quase quinhentas calorias em 30 minutos de jogo , o “primo pobre” do tênis só demonstrou ao público-geral o que o British Journal of Sports Medicine mostrou no início desse ano.

De acordo com um dos mais importantes e respeitados periódicos voltados à pesquisa científica, o squash pode diminuir em ate 47% o risco de doenças cardíacas. Isso porque o estudo feito em mais de 80 mil adultos do Reino Unido, entre os anos de 1994 e 2008, demonstrou que esportes com raquete, principalmente o squash, devido às suas movimentações específicas de músculos superiores, diminuem de forma abrupta os riscos de morte causada por doenças cardiorrespiratórias.

Mas como surgiu o squash no mundo? E como ele chegou ao nosso país?

O escritor e historiador americano James Zug, autor do livro Squash: History of the game (Squash: história do jogo) e colaborador da Squash Magazine, remete a origem do desporto aos corredores da Harrow School, em Londres, durante a década de 1850. Usando uma bolinha de borracha, os alunos da escola usavam quadras de rugby e de handebol para jogar o que eles chamavam de Soft racquets, baby racquets ou Squash, nome mais simples e de maior apelo.

Em 1883, em Oxford, foi construída a primeira quadra específica para o jogo. No ano seguinte, o mais novo desporto bretão começava a se espalhar pelas colônias do Reino Unido, tanto que em 1912, o histórico navio Titanic levava nos deques F e G quadras para que os passageiros pudessem socializar e relaxar durante o trajeto que terminaria de forma trágica após uma colisão com um iceberg..

Em solo londrino, no ano de 1920, ocorreu o primeiro campeonato masculino. Dois anos mais tarde, eram as mulheres que pegavam em raquetes para competir. Foi apenas em 1948, no período pós-guerra, que a Squash Rackets Assossiation, entidade que visava unificar as regras do esporte que já se espalhava por todos os continentes, fora criada.

E de lá para cá pouco mudou no Livro de Regras Internacionais. Com 10 normas de conduta, o Squash é disputado em uma quadra de 9,75m de comprimento por 6,40m de largura. Com características específicas para os confrontos individuais ou de duplas, em linhas gerais, o(a) atleta tem a missão de rebater a bolinha na chamada Parede Frontal, que possui demarcações que simulam uma rede e um espaço que caracteriza uma bola fora. O participante deve rebater a pelota antes que ela quique  duas vezes no piso composto por uma taboa de madeira de Marfim, amortecedores  e madeira compensada. Com games de 11 pontos, os jogos são tradicionalmente disputados em melhor de 5 games, ou Pars.

A modalidade que busca aparecer nos Jogos Olímpicos de 2024, desembarcou em solo brasileiro em 1920, trazida por ingleses da Saint John Dell Mining Company que vieram explorar jazidas de ouro na cidade de  Nova Lima,  no estado de Minas Gerais, e trouxeram também as primeiras bolinhas e raquetes para a Cidade do Ouro brasileira.

Quase um século depois da chegada desse desporto pouco se ouve falar dele. Mesmo a cena profissional da modalidade luta para existir e crescer em um país que tem o futebol não só como esporte número um, mas como uma religião.

O projeto idealizado por Alexandre Bulyk, ainda no ano de 2015 buscou tirar o squash do completo anonimato em que a Confederação Brasileira de Squash o deixava.  “Até 2015, vinha um período não tão legal, vamos dizer assim, de gestões passadas da Confederação, onde o circuito profissional foi deixado de lado. Por isso, para preencher essa lacuna, o Novo Squash Brasil foi criado”, completa Bulyk

Legenda: Alexandre Bulyk, aposentou-se das quadras em 2014 e realizou mais de 45 torneios antes do NSB, sendo 3 deles Etapas do Circuito Mundial

Alexandre é idealizador, realizador e presidente do Novo Squash Brasil, liga profissional brasileira independente da Confederação que vem sendo disputada desde o início de 2016 e que conta com a participação de amadores e profissionais. “Nas etapas que ocorrem do NSB, existem os jogadores profissionais e os de 1ªa classe (amadores), que acabam sendo eliminado antes por estar nessa fase de transição, mas existe um caminho para se chegar lá (alto nível)”, completa ele.

Sem o peso de cuidar do campeonato profissional, a CBS, hoje presidida por Carlos Vieira dos Santos Paiva, passou a cuidar apenas das categorias de base e de projetos sociais vinculados à modalidade. Vale ressaltar que ela chancela o NSB, contudo, não repassa  verbas para sua realização.

Ping Pong sobre o Novo Squash Brasil

BJ: O que é o NSB?

A.B: É a Liga Profissional brasileira de Squash. No ano de 2015, criei esse projeto, as regras, as logomarcas, as diretrizes, a pontuação do ranking, os custos de uma etapa profissional. Todo o projeto foi feito durante o ano de 2015, e a competição começou a ser disputada em 2016. Estamos há 2 anos com a disputa dessa liga.

BJ: Existiu um motivo para sua criação?

A.B: Foi justamente por conta de, até 2015,  vinha um período não tão legal, vamos dizer assim, de gestões passadas da CBS, onde o circuito profissional foi deixado de lado. Então veio justamente para suprir uma janela que ficou sem demanda durante um tempo. Vale lembrar que a Liga é vinculada a Confederação, a qual eu também faço parte, mas são coisas distintas.

BJ: Como um atleta chega ao NSB?

A.B: O caminho é assim: uma criança, adolescente, ou até mesmo um adulto que esteja iniciando na modalidade começa a fazer aulas, participar de torneios amadores, que no Brasil são divididos em níveis. Então temos a sexta classe, quinta, quarta, terceira, até a primeira classe. Cada um se encaixa em um nível, e ai de acordo com a evolução os atletas vão subindo. Quando um atleta chega à 1ª classe, ele está condicionado ao NSB.

BJ: As etapas são mistas então?

A.B: Nas etapas, hoje, existem justamente os atletas de 1ª classe e os atletas profissionais. É óbvio que, num (sic) torneio, os atletas amadores são eliminados antes, por conta que estão nessa fase de transição. Enquanto os profissionais chegam às finais, são os campeões.

Qual a estrutura do NSB? Onde é praticado?

A.B: Hoje temos o squash, torneio, disputado em duas situações: ou é uma academia, ou é um clube, os principais clubes do Brasil têm quadras para disputa de squash. Nos torneios amadores, temos três níveis: o interno, disputado nos clubes e academias do Brasil, os estaduais, geridos pelas federações de cada estado, e os torneios nacionais, que são dois: a Copa do Brasil, disputada no meio do ano, e o Brasileirão, jogado no final do ano.

BJ: Como funciona o calendário da modalidade?

A.B: O calendário vai se formando de acordo com o interesse dos promotores dos eventos. (cada etapa do NSB precisa de patrocínios privados para sua realização) São distribuídos durante o ano pelas cidades-sedes. São várias etapas ao longo do ano, e dentro da Liga temos 7 níveis de acordo com a premiação. O nível amarelo, por exemplo, tem uma premiação de 1000 pontos no ranking. Já no nível preto, o vencedor conquista 2,5K no ranking, além de ter uma premiação em dinheiro maior. E assim vai. Isso faz a corrida dos atletas ser maior.

(O ranking do NSB influencia nas convocações para a seleção brasileira, além de premiar os três melhores da temporada com uma bonificação financeira)

BJ: Conta com apoios e/ou patrocínios fixos?

A.B: Existem duas situações: a local, onde os promotores que querem sediar correm atrás dos custos, e, em paralelo, temos as cotas das transmissões online que a NSB faz. Então, somando esses patrocínios, é possível realizar torneios durante o ano. Hoje ainda não temos repasses da Confederação, mesmo possuindo sua chancela.