Modalidade Couter-Strike

Por Roberta Chiodo Capalbo

Counter-Strike (também abreviado por CS) é um popular jogo eletrônico de tiro em primeira pessoa.
Inicialmente criado como um “mod” de Half-Life para jogos online, foi desenvolvido por Minh Le e
Jess Cliffe e depois adquirido pela Valve Corporation. Foi lançado em 2000 para Windows, e
posteriormente foram feitas versões para Xbox, Mac OS X e Linux. Atualmente o game é jogado na
versão Counter Strike: Global Offensive.
Considerado um dos maiores e mais influentes jogos de todos os tempos, Counter-Strike foi
aclamado pela mídia especializada desde a época de seu lançamento, recebendo notas 88/100 no
site Metacritic e 89/100 no site GameRankings, além de receber 98% de análises positivas no Steam
(plataforma com jogos e aplicativos). Em 2015, o game recebeu o prêmio de melhor jogo de
esportes eletrônicos no The Game Awards 2015 (premiação considerada como o Oscar dos
videogames), competindo contra DotA 2, Hearthstone, League of Legends e Call of Duty: Advanced
Warfare.
Segundo o portal Newzoo, que coleta dados sobre a indústria da tecnologia e é especialista em
games, Counter Strike: Global Offensive é o quarto jogo mais jogado no mundo.
O sucesso do Counter Strike também pode ser visto pelo número de espectadores em seus
campeonatos. O torneio ELEAGUE de Counter-Strike: Global Offensive foi assistido por mais de 20
milhões de pessoas. O número foi considerado a partir da audiência através do YouTube, Twitch, TV
aberta e por assinatura número considerando somente os canais do Esporte Interativo e EI Plus
(plataforma OTT), sem contar os outros canais, transmissões em redes sociais, Twitch e YouTube
pelo mundo. Segundo a UOL, esses números podem ser comparados aos números de público da
NBA. Segundo o site, cerca de 20 milhões de pessoas assistiram ao jogo seis das finais da liga de
basquete americana NBA em 2015. Os números de espectadores de Counter Strike não param de
crescer. Em 2017, a grande final da Eleague quebrou recorde de visualização da plataforma Twitch.
Agora sobre a jogabilidade do jogo. A ação de Counter-Strike se desenvolve em rodadas em uma
duração definida pelo criador do server, nas quais a equipe terrorista (ou TR) enfrenta a equipe
contra-terrorista (ou CT). A equipe vencedora é aquela que atende a todos os seus objetivos de
vitória, de situação ou a eliminação de todos os jogadores do outro time. Se não houver nenhuma
vitória direta de uma das duas equipes no final da rodada, a equipe que não fizer os seus objetivos
perde por eliminação.
Todos os jogadores começam o round com a mesma quantidade de pontos de vida (100) e a
quantidade de pontos de armadura que conseguirem conservar durante a rodada anterior, ou caso
puder comprar um novo colete. A vida do jogador diminui quando o dano for causado por disparos de
seus oponentes ou dos companheiros – se houver fogo amigo (os companheiros causam menos
danos, mas eles também podem matar) – ou por uma queda de uma grande altura. Os tiros podem
ser acertados em diferentes partes do corpo (braço direito e esquerdo, perna direita e esquerda,
tronco e cabeça), e causam dano variável no local afetado, sabendo-se que um tiro na cabeça (ou
headshot) é muitas vezes mortal. A perda de pontos de vida só provoca uma pequena redução nos
movimentos de contra-terroristas ou terroristas que receberam dano. Quando todos os pontos de
saúde acabam, o jogador morre.

Diferentemente da maioria dos jogos de ação em primeira pessoa online baseado em deathmatch de
equipes, onde os jogadores mortos ressuscitam imediatamente após a morte, no Counter-Strike, ao
morrer deve-se esperar o fim da rodada como espectador, retornando no próximo round.
Nos mapas oficiais o jogador basicamente dispõe inicialmente de uma pistola e uma faca. O jogador
também pode comprar outras armas e equipamentos úteis como um colete a prova de balas,
granadas, kits de desativação de bomba, óculos de visão noturna, etc; tudo dependendo das
condições do jogo, durante um período de tempo limitado e nas zonas previstas para esse efeito. No
início do jogo, o jogador tem a possibilidade de escolher a sua equipa: terrorista ou contra-terrorista,
dentro dos limites de vagas disponíveis ou optar por ser um espectador. Se uma equipe tem muitos
mais jogadores do que a outra, um sistema de auto-equilíbrio troca os jogadores das equipes na
próxima rodada, podendo configurar o servidor para isso; independente do time, o jogador começa
com 800 $ (soma por padrão). Durante as rodadas o jogador ganha dinheiro se ele matar um inimigo,
se atinge o objetivo, se a sua equipe ganha a rodada, se você colocar a bomba e ela explode, se
você liberar um refém ou se pedir para segui-lo. Um jogador também pode perder dinheiro se ele
mata um de seus companheiros ou um refém. Em qualquer caso, no início do round o jogador
sempre ganha de dinheiro, exceto no caso de empate. A quantia máxima de dinheiro é de $ 16.000.
A finalidade de algumas partidas consiste no resultado individual do jogador. Cada um tem seu
número de frags e de mortes contabilizados. Os frags do Counter-Strike são um pouco diferentes de
outros jogos de tiro em primeira pessoa; eles aumentam no jogo matando os adversários e
completando os objetivos. Assim, por exemplo, um inimigo abatido dá frag, uma explosão ou
desativação de bomba dá três frags. O suicídio, o assassinato de um companheiro e a mudança de
equipes são penalizados com um ponto a menos. O número de mortes, por sua vez, corresponde às
vezes que o jogador morreu, que não afetam o número de frags.
Abaixo foi realizada uma entrevista com o jogador de Counter Strike, Bruno Oliveira, que espera se
tornar um profissional da modalidade, uma vez para ele o jogo é muito mais do que um passatempo:
O entrevistado mora em Nova Iguaçu – Rio de Janeiro e tem 19 anos. A entrevista foi realizada no dia
13/11/2017 via facebook.
Entrevistadora: Bruno, me conta um pouquinho sobre a sua trajetória no Counter Strike.
Quando é que você começou a jogar e como você conheceu esse jogo?
Bruno Oliveira: Bem,creio que grande parte da atual geração de jogadores de CS começaram de
forma casual na febre do CS 1.6 por volta de 2005 ,quando toda lan-house de respeito tinha o jogo .
Comigo não foi diferente
Entrevistadora: Qual é a sua rotina diária? Quantas horas por dia passa jogando CSGO? Faz
outras atividades e se sim, acha isso importante para um jogador?
Bruno Oliveira: Eu jogo cerca de oito horas por dia . Creio que seja um bom equilíbrio entre
treino,sono,e necessidades básicas . Em épocas mais próximas a campeonatos esse tempo tende a
aumentar bastante,chegando a mais de quinze horas por dia Eu tento trabalhar bastante o meu
psicológico e o meu raciocínio lógico, costumo fazer cruzadinhas, sudoku, caça-palavras, entre
outros. Acho que isso ajuda bastante.
Entrevistadora: Counter-Strike é um dos jogos mais jogados do mundo. A que você atribui
isso?
Bruno Oliveira: Apenas o fato de um jogo ter como base (Ou um mod que se tornou franquia ) um
grande título como Half-Life ,já explica muita coisa. Alem disso , CSGO conseguiu se modernizar
sem perder suas raízes ,sendo simples e intuitivo ,não sendo tão complicado como outros FPS tais

como BF ,onde há toda uma física mais complicada e que deve ser levada em conta com muita
precisão . Também há outros fatores como preço mais acessível e maior facilidade em rodar em
computadores não tão robustos .
Entrevistadora: Como você vê o cenário atual do Counter Strike no Brasil?
Bruno Oliveira: Temos times super competitivos e atletas referência ,como o Gabriel Toledo (
FalleNCS ) . Com certeza já somos vistos com respeito a nível mundial . Desde 2015 equipes como a
SK Gaming ,que chegou ao ápice dos títulos em 2016,tem sido referência para os que sonham em
se tornar jogador profissional .
Entrevistadora: Você me contou que pretende se tornar um jogador profissional de Counter
Strike. Quais são os passos para se tornar um profissional do jogo e quais as dificuldades
encontradas?
Bruno Oliveira: Como eu disse,já existem muitos times que estão em ascensão ou no topo ,isso pode
dificultar se pensarmos pelo lado em que ainda são escassas as empresas que apoiam a modalidade
no brasil,logo,a formação de novos times se torna mais difícil . Porém ,creio que com minha rotina de
treino atual e muito esforço posso chegar lá em breve. Mas observando pelo lado positivo , Canais de
Tv como o sportv e ESPN passaram a transmitir os campeonatos na TV a cabo,o que pode atrair
cada vez mais visibilidade e junto a isso apoio e patrocínios . Antes estávamos isolados em
plataformas como Twitch e Youtube.

Entrevistadora: Você acha que os equipamentos de um computador interferem na
jogabilidade? Isso quer dizer, quanto melhor um mouse melhor é o desempenho do jogador?
Bruno Oliveira: Não necessariamente ,mas existem muitos pontos a serem levados em conta . Um
mouse ou teclado de alto desempenho permitem que possamos extrair o máximo de nós ,jogadores
,mas não farão milagres se não tivermos uma rotina de treinos equilibrada . Outro detalhe
indispensável no cenário pro player é um monitor com uma taxa de atualização alta,de no mínimo
144hz ,para que possamos enxergar o jogo nos mínimos detalhes .
Entrevistadora: E como se faz para conseguir investir em melhores equipamentos? É ai que
entram os patrocínios? Quais as dificuldades em se conseguir um patrocínio hoje em dia,
principalmente no Brasil?
Bruno Oliveira: Exatamente ! Os altos preços dos periféricos no brasil,ainda mais da linha ”gamer”
,são bem mais caros do que em outros países devido aos impostos que o governo brasileiro impõe .
Sem patrocínio ou apoio ficamos ,por muitas vezes ,sem condições de investir em nossa carreira,e
sem podermos extrair o nosso potencial máximo por falta de equipamentos ,se dificulta o alcance aos
patrocinadores ,e acabamos ficando nesse looping onde poucos jogadores conseguem sair.