Amanhecer de agosto em Londrina

Por Luciano Maluly

Passei aquela madrugada de 19 agosto de 1991 em claro, imaginando como seriam meus futuros colegas do curso de Comunicações Social, com habilitação em jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Meu café da manhã foi rápido e, por volta das seis horas, eu já estava no ponto de ônibus na Avenida Higienópolis esperando a chegada do ônibus (circular) número 305. Um detalhe: os olhares já estavam atentos em busca de novas amizades e paqueras.

Quase tudo estava fechado quando cheguei ao Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA). Apenas uma funcionária estava presente e alertou: “O pessoal só vai chegar por volta das oito horas”.

Decidi caminhar pelo campus e, assim, desfrutar daquele momento tão especial. Enquanto refletia sobre as lutas do passado (especialmente da minha família) para eu entrar na universidade e como seria o meu futuro, também admirava o contraste entre a natureza e o concreto da UEL, comparando aquele estado de espírito à cena de um filme africano em que o personagem, meio caipira como eu, dizia ao amigo imaginário: “Aqui é a cultura (referindo-se às terras que cultivava) e ali é a civilização (sobre a cidade distante)”.

Não recordo o nome do filme, mas percebi o sentido da esperança, especialmente ao passar pela Biblioteca Central e pelo Centro de Educação Física e Esporte (CEFE), onde tive o prazer de praticar atividades físicas e, anos depois, de conhecer o professor Percy Oncken, treinador da seleção brasileira infanto-juvenil de vôlei masculino, que acabara de conquistar o tricampeonato mundial da categoria, em 1995.

Foto: Ricardo Gomes (Arquivo Pessoal)

Perdi a noção do tempo e, no retorno ao CECA, deparei com um bando de jovens alegres e sonhadores. Encontrei com duas Sílvias (Cortes e Oliveira) encantadoras; uma Cintya (Floriani) e uma Alessandra (na época, de Souza) para lá de espertas; uma Cristina (Luchini) com o olhar atento; uma Heloisa (Prado) cheia de graça e outras garotas tagarelas e gatinhas, especialmente as do Curso de Relações Públicas que, inclusive, viraram super amigas como a Fabia Tanabe e a Fernanda Prado.

Do outro lado, havia uns caras engraçados, como o Ricardo Gomes, que repetia a palavra “faraônico” em quase todas as falas e, quando cortava o cabelo, ficava parecido com o Pelezinho; o Derri Francis Borges, um grandalhão meio travesso; o Caio Júlio Césaro, o sósia do Tom Cruise; além de uns veteranos com ares de perdidos e inteligentes, como o Silvio Demétrio, o Álvaro Emídio Ferreira e o José Marinho.

Como suspenderam as aulas naquele dia, resolveram tirar uma foto da gente como um time de futebol desajeitado antes da partida decisiva. Nosso pôster ficará para a eternidade, assim como os meus amigos que sempre me emocionam, mesmo virtualmente, como aconteceu no nosso recente encontro de 25 anos de formados.

Se um dia perguntarem se fui feliz, contarei a história de uma turma de jornalistas que conheci e aprendi a amar desde os tempos mágicos de Londrina.

Luciano Victor Barros Maluly é professor de Jornalismo na Universidade de São Paulo. E-mail: lumaluly@usp.br