Homenagem a Ruth de Souza, referência do basquete feminino brasileiro

A pandemia levou embora uma das jogadoras mais importantes da história do basquete feminino do Brasil. Ruth de Souza, a Rutão (como era conhecida nos seus tempos de quadra), morreu nesta terça-feira, 13 de abril de 2021, aos 52 anos por complicações da covid-19. Ela estava internada desde 28 de março no Hospital Auxiliadora, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.

Natural da cidade sul-mato-grossense, Ruth atuava como treinadora de basquete em projetos esportivos após se aposentar. Era servidora pública municipal vinculada à Secretaria Municipal de Esporte, Juventude e Lazer (SEJUVEL) do município desde 2005.

Dentro das quadras, a pivô integrou a geração mais vitoriosa do basquete feminino do Brasil. Atuou na seleção entre 1985 e 1995 e, nesse período, esteve presente em duas das maiores conquistas do país na modalidade: a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1991, em Havana (Cuba), e o título mundial conquistado na Austrália em 1994. Também participou dos Jogos Olímpicos de 1992, que marcou a estreia da equipe feminina na disputa.

Na conquista do título mundial, Ruth exerceu um papel fundamental não apenas nos jogos, mas também nos treinamentos. Pivô mais velha no grupo que representou o país na competição, ela orientava suas colegas de posição mais jovens, especialmente Alessandra e Cintia Tuiú, que na época tinham 20 e 19 anos, respectivamente – e depois se tornariam duas das principais jogadoras da história do país. Confira o depoimento de Cintia Tuiú a Luciano Maluly, coordenador do site Jornalismo Esportivo e professor da ECA/USP:

Ruth recebe a medalha de ouro do Pan de 1991 das mãos de Fidel Castro (Acervo/CBB)

“Coração enorme” e “irmã mais velha”: confira depoimentos de colegas de seleção

Miguel Ângelo da Luz, técnico que comandou a seleção feminina no título mundial de 1994 (e posteriormente na medalha de prata olímpica em 1996), prestou sua homenagem a Ruth. Em depoimento ao site Jornalismo Esportivo ECA/USP, destacou justamente sua união com o grupo e as atletas mais jovens.

Helen Luz, ala-armadora da seleção no título do Mundial de Basquete feminino em 1994, também homenageou Ruth de Souza ao projeto Jornalismo Esportivo ECA/USP. Ela valorizou o “coração enorme” de sua colega de equipe:

Alessandra de Oliviera, que atuou como pivô titular do Brasil no título mundial de basquete em 1994, também enviou ao Jornalismo Esportivo ECA/USP um depoimento para homenagear sua colega de seleção. Emocionada, destacou que Ruth era sua “irmã mais velha” e agradeceu o aprendizado que teve na campanha que culminou com a conquista inédita. Confira:

Sergio Maronezi, assistente técnico da seleção feminina de basquete durante o Mundial de 1994 e também nos Jogos Olímpicos de 1996, enviou um depoimento ao Jornalismo Esportivo ECA/USP e relembrou a disciplina nos treinamentos que a ex-pivô demonstrava:

Hermes Balbino, que atuou como preparador físico da seleção feminina de basquete no Mundial de 1994, afirmou ao Jornalismo Esportivo ECA/USP que Ruth era uma pessoa muito dedicada e educada.

O projeto Jornalismo Esportivo ECA/USP, em nome do seu coordenador Prof. Dr. Luciano Maluly, do seu editor Gustavo de Araujo Longo e demais colaboradores, se solidariza com os familiares e amigos de Ruth de Souza neste momento tão difícil. Prestamos aqui nossas homenagens a uma das maiores atletas do basquete feminino brasileiro.

Ruth atuava como treinadora de basquete em Três Lagoas, sua cidade natal (Divulgação)