Esperança de medalha no Skate, Kelvin Hoefler diz que foco está no ouro olímpico

Por Edwaldo Costa

Nascido em Itanhaém (município localizado na Baixada Santista, a 90 quilômetros da capital paulista) no dia 10 de fevereiro de 1993, Kelvin Hoefler é uma das esperanças do Brasil na disputa do skate street, na Olimpíada de Tóquio. O skatista já ganhou seis campeonatos mundiais de street e também foi campeão da Street League Skateboarding – principal competição da modalidade em todo o mundo.

O skatista conta que chegou a cursar Administração na Unaerp, em Guarujá-SP, mas teve de parar por conta da profissionalização e consequentemente das inúmeras viagens e competições. Atualmente está morando na Califórnia, terra onde o skate foi criado. Ali sempre foi comum ver skatistas andando pelas ruas, entre carros e pedestres.

“Eu tinha 9 anos quando meu pai, que também praticava, me deu um skate. Ele gostava, então me deu o dele e nós andávamos juntos. Ele, inclusive, fazia umas rampas para mim na garagem de casa. Cheguei a jogar um pouco de Tony Hawk’s, no entanto, eu preferia fazer as manobras na vida real. Sempre gostei de videogame e jogava vários jogos”, conta Kelvin.

A ascensão de Kelvin não foi fácil. Em 2012 fraturou a rótula do joelho. Em 2015 quebrou a fíbula e a tíbia, e as duas lesões graves foram durante competições. ˜Fiquei três meses de recuperação na primeira lesão e um ano na segunda. Foi um período bem difícil para mim, pois eu tinha acabado de ganhar o mundial do Street League em 2015 e tive que ficar o ano de 2016 inteiro fora das competições”.

O Skatista explica que toda conquista é importante, porém, destaca uma grande competição no sul da África que tinha uma premiação muito boa e reunia os melhores skatistas do mundo. “Na época, estava tendo um surto de ebola e eu estava com muito medo de ir para o centro da epidemia, mas minha mulher me incentivou e me convenceu, aí acabei indo e ganhando! Foi uma abertura de portas para todos os grandes eventos de skate do mundo!”.

Segundo estudos realizados pela Stanford, um em casa cinco atletas, de um total de 131 monitorados, relatou desmotivação para treinar na pandemia, mas para Kelvin isso não foi um impedimento na rotina de práticas.

“Eu tenho uma pista de skate no meu quintal, então eu pratico sempre, mas não tenho nada para fazer em relação a eventos. Como não fiquei parado, não perdi a motivação. De um certo modo foi bom porque meu corpo precisava de férias para se recuperar de tantos anos competindo intensamente. O skate exige muito do nosso corpo por ter muito impacto nas manobras. Então, acabou sendo bom ter essa ‘pausa’”.

Segundo Kelvin, para os skatistas é uma conquista ter o esporte incluído nesse evento mundial. Serão 18 países diferentes representados no Park e 17 países na Street. As modalidades Park e Street foram escolhidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Skate (World Skate).

O Park é uma das modalidades mais novas do skate e acontece em espaços amplos e sem obstáculos, que lembram uma piscina vazia. As paredes do bowl têm 3,4 metros de altura e, quando combinadas com paredes menores – chamadas de banks, e elementos streets, configuram o park. Nesse formato de competição, o skatista consegue completar uma manobra e já emendar outras, deixando o esporte mais dinâmico e ágil. O competidor tem 45 segundos para executar as manobras.

A modalidade Street é a base do skate; nela, uma pista simula obstáculos de rua, como rampas, escadarias, corrimãos, meios-fios, bancos etc. Cada skatista compete individualmente e usa os elementos do espaço para demonstrar suas habilidades. Segundo o site dos Jogos de 2020, a avaliação leva em consideração fatores como o grau de dificuldade das manobras, altura, velocidade, originalidade, execução e composição dos movimentos.

“Acredito que vai ser ótimo para o Skate porque vai trazer muitos benefícios para quem gosta, inclusive pistas novas para a prática. A mídia vai divulgar melhor, mas o skate continuará sendo igual, tem que gostar muito para praticar, é um esporte que você sempre se machuca, então, precisa ser persistente e nunca desistir de manobrar”, conta Kelvin.

“Toda vez que saio de casa para uma competição, eu sempre foco na vitória. Em Tóquio não vai ser diferente. Vou dar o meu melhor para representar todos os brasileiros e conquistar a medalha de ouro”.

Por tudo o que alcançou até hoje, o skatista agradece a família e aos fãs – só no Instagram tem mais de 240 mil seguidores. “Agradeço aos meus fãs porque sem eles não sou ninguém. Também a minha família, os meus patrocínios e especialmente à minha mulher, que também é skatista e uma grande incentivadora, a conheci na minha primeira viagem internacional em Roma, na Itália, em 2011”.

E o que os brasileiros podem esperar de Kelvin em Tóquio?

“Vou dar o meu melhor e se eu perder só terá um competidor que não me deixará ganhar: eu mesmo. Se eu acertar as manobras que venho treinando, a vitória é certa!”

Edwaldo Costa possui pós-doutorado pela ECA-USP e atualmente é jornalista do Centro de Comunicação Social da Marinha do Brasil