Luis “Chevrolet” Pereira & o Opala azul do meu avô

Por Luciano Maluly

Sair jogando é a nova mania do futebol brasileiro. Agora, os zagueirões desfilam suas habilidades com dribles e passes laterais até perderem a posse da bola para o adversário. Tática suicida, mas até divertida. Vários gols surgiram com os desajeitados grandalhões que ficam cambaleando nos gramados para a alegria geral das arquibandas vazias.

Teve um dia em que o goleiro Ivan, da minha querida Ponte Preta, ficou tão perdido com a marcação homem a homem na entrada da sua grande área que, no meu entender, pensou: “por que não bati o tiro de meta?”.

Enquanto o futebol perde a graça com a carência de dribles e craques, nos entretemos com as atrapalhadas das defesas.

A falta de objetividade é notória no futebol atual, com o exagero de toques e poucos lances efetivos de ataque.

Por isso, há poucos gols de faltas, de jogadas ensaiadas ou mesmo oriundas de dribles e lances individuais nos clubes e na seleção nacional.

Dos profissionais aos amadores, a maioria dos técnicos de futebol tem medo de ousar. Por isso, trago uma solução simples e emocionante: assistir aos vídeos de Pelé, Garrincha, Didi, Rivellino, Zico, Romário, Denner, Ronaldos, entre outros craques brasileiros. Peço também que revisitem as obras primas de Telê Santana. E olha que, desta vez, deixarei de fora dessa crônica os craques hermanos e outros deuses do futebol.

Por fim, a maestria das saídas de bola do zagueiro Luís Pereira permanece nas minhas recordações de menino, assim como o lindo Chevrolet Opala azul do meu avô Issa Maluly.

Luciano Maluly é professor de jornalismo esportivo na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. E-mail: lumaluly@usp.br