
Estudos metodológicos: interfaces, abrangências
e conteúdos da Comunicação Visual
Temática
1
Comunicação
Título:
Cow Parade: o maior evento de arte de
rua do mundo
Autor:
Pedroso, Maria Goretti
ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES.
e-mail: barbarellacomunicacao@yahoo.com.br
Endereço:
Rua Luis Machado Pedrosa, 133
Jd. América- São Paulo - SP
cep 01431-0140
Cow Parade: o maior
evento de arte de rua do mundo
Pedroso, Maria Goretti
Todo o conceito
de arte popular vem desmistificar o conteúdo de uma exigência
metropolitana. Arte de rua urbana e popular traz em sua síntese
a sintaxe de um modo de expressão peculiar à população
daquele local. Pode ser definida até como uma arte fenotípica,
típica e ao mesmo tempo atípica, pois estabelece um
conceito erraigado à essência de cada artista, cultura,
modus vivendis..
Assim faz refletir a mega exposição de rua COW PARADE
que já rodou mais de 28 cidades ao redor do mundo, dentre as
quais podemos destacar: Chicago, Nova York, Londres, Genebra, Praga,
Las Vegas, Bruxelas , Praga e Moscou. Calcula-se que a exposição
foi vista por mais de 100 milhões de pessoas no mundo e arrecadou
em torno de US$ 11 milhões para projetos de responsabilidade
social.
A Cow Parade é um dos maiores e mais bem-sucedidos eventos
contemporâneos de arte de rua do mundo. Com mais de cinco anos
de existência é um dos poucos projetos que envolvem a
comunidade de uma forma global: empresas, artistas locais, terceiro
setor e o público trabalham em conjunto para a criação
e o sucesso do evento.
. Uma forma muito divertida de expressar a arte de rua e que abre
inúmeras possibilidades para marcas de diversos segmentos,
além de promover a democratização da cultura,
da arte e da responsabilidade social, constituindo um efetivo canal
de comunicação entre patrocinadores e seus públicos-alvos.
A Cow Parade foi considerada pelo Advertising Age, uma das principais
publicações internacionais de propaganda, como uma das
10 melhores idéias de marketing do ano em 2001. Ao longo dos
últimos anos, estima-se que foram produzidas e pintadas mais
de três mil vacas, sendo que pelo menos 160 delas viraram miniaturas
para coleção, o que provavelmente deve acontecer com
uma ou mais vacasque estiveram expostas na cidade de São Paulo.
As miniaturas do Cow Parade são consideradas o quarto maior
ítem de coleção dos EUA (Shopcowparade).
O INÍCIO
Tudo começou em dezembro de 1996, quando o pai do artista plástico
Pascal Knapp, Walter Knapp pediu ao filho para projetar uma vaca em
tamanho natural, para uma exposição tradicional "Ahoyland"
em Zurique, Suíça. A vaca é um dos símbolos
do país, que é conhecido no mundo todo por seus chocolates.
Estes bovinos gigantes seriam distribuídos para os artistas
locais usarem e abusarem de sua criatividade pintando da forma que
desejassem. Utilizando como matéria-prima principal a fibra
de vidro, Pascal fez vários estudos, primeiro com quilos de
argila, madeira e fios. E em cinco semanas, trabalhando arduamente
esculpiu a primeira vaca em três dimensões, em pé
como se estivesse andando e de cabeça levantada, que após
muitas modificações e aproximadamente duas toneladas
de argila conseguiu ser finalizada. O primeiro protótipo preservou
a amigável aparência do animal ao mesmo tempo em que
foram significadamente definidas suas formas e anatomia, aplainando
ângulos e curvas que no decorrer do processo serviram como desafios
e inspiração ao artista. Knapp que estilizou várias
vacas em fibra de vidro para uma parada da cidade. Foi um sucesso
desde a sua concepção.
O advogado norte-americano, Jerry Elbaum, ficou encantado com o evento
e resolveu comprar os direitos das esculturas de Knapp e criou o holding
Cow Parade. No verão de 1997, Pascal começou o laborioso
processo e criou os modelos de argila das vacas reclinadas e pastando,
onde obteve ainda mais elogios que o primeiro protótipo da
escultura em pé de cabeça ereta.
AQUI ENTRA IMAGEM 1
Logo em seguida, os eventos similares foram paulatinamente pipocando
pelo país. Foi uma invasão de porcos, bacalhaus, tubarões,
pelicanos, anjos, cabeças de batatas, todos produzidos e distribuídos
à artistas locais, mas que não atingiram a mesma projeção
e admiração das esculturas das vacas. Alguns supersticiosos
de plantão chegaram mesmo a imaginar que havia algo de "muito
estranho" com o motivo vaca, por que somente elas podiam brilhar
ao sol, por que tanta projeção?
A VACA COMO PRODUTO
DA INDÚSTRIA CULTURAL
Tudo isto é muito interessante se não levarmos a cabo
a reflexão de que a obra de arte passa a ser um bem acessível
à população, mas perde o que Walter Benjamin
, grande expoente da Escola de Frankfurt, defendia: "a aura da
obra de arte" com as sucessivas reprodutibilidades observadas
neste exemplo das vacas de três formas distintas: em pé
com a cabeça ereta, sentada e em pé com a cabeça
baixa.
Além de Benjamin, outros expoentes da Escola de Frankfurt,
composta por um grupo de intelectuais que em 1923 fundou na Alemanha
um Instituto para a Pesquisa Social, viam na sucessiva repruditibilidade
de bens culturais, uma mudança de hábitos e estruturas,
a concepção generalizada e banalizada de uma indústria
cultural. De acordo com Horkheimer, M. e Adorno, T.W. a indústria
cultural traz à luz o tratamento dado à arte popular
e à arte erudita e burguesa, geralmente misturando ambas, de
forma que sejam transformadas e apresentadas sempre como produtos
industrializados para serem reproduzidos e consumidos em grande escala.
Seus consumidores tornam-se meros objetos e perdem a condição
de sujeito. O que é oferecido ao consumidor é mercadoria;
o que importa é o que é vendável e o que tem
mercado para ser consumido e o consumidor como objeto de lucro. Tudo
se transforma em artigo de consumo. No mercado, todas as teorias se
equivalem, seja a de Marx, Hitler ou Lênin. E aqui vai o questionamente:
as vacas são obras de arte? São outdoors ambulantes
estilizados? São produtos facilmente consumíveis? É
uma mercadoria onde o patrocinador expõe sua marca?
Todas as manifestações artísticas e culturais
que são repetidas como se fossem uma fórmula popularizam-se,
são consumidas de forma intensa e são refletidas nesta
indústria da cultura. Tais circunstâncias intensificam
a passividade humana e a uniformização técnica
leva, por sua vez, à administração centralizada.
Adorno dizia que a indústria cultural aponta para um mundo
dominado pelo princípio da indiferença, tal como este
é concebido no pensamento do economista e filósofo Karl
Marx: a indiferença entre coisas e coisas, coisas e homens,
homens e homens e complementa:
"A arte ligeira tem sido
a sombra da arte autônoma. É a má consciência
social da arte séria [...]. A própria divisão
é a verdade: pelo menos ela expressa a negatividade da cultura
que as diferentes esferas constituem. E menos ainda pode a antítese
ser reconciliada absorvendo-se a arte ligeira na séria ou vice-versa".[1]
Sob este aspecto,
podemos considerar que no mercado a transmutação de
todos os valores se equivale ao valor de troca. Em contrapartida,
a noção de indivíduo - aquela que se forjou no
Iluminismo do século XVIII - continua intacta para ser vivida.
E a Cow Parade tem uma valor substancial na era da globalização,
pois a arte de cada país com suas tradições e
folclore pode ser identificada e consumida, preservando as suas características,
mas não deixa de ser um dos três tipos de canvas desenvolvidos
por Pascal, só muda a decoração.
O que expressou fundamentalmente os frankfurtianos foi a noção
de indivíduo, numa guerra declarada às leis do mercado
que regiam a vida de cada homem:
"Tudo o que
pode ser comparado, pode ser trocado, tem um preço; o que não
pode ser comparado, não pode ser trocado, não tem preço,
mas dignidade : o homem. Para que o homem pudesse ser trocado, foi
necessária a construção de uma igualdade abstrata,
porque destituída das diferenças entre indivíduos
concretamente desiguais, incomparáveis era necessária
a destruição da unicidade deste".[2]
Portanto para eles,
os produtos da Indústria Cultural teriam cinco utilidades fundamentais:
Como eram feitos para serem vendidos, os produtos da Indústria
Cultural tinham a função de sempre "agradar ao
consumidor". A produção era homogeneizada. A visão
crítica por parte do espectador não era possível
dentro da Indústria Cultural, pois "a transformação
do ato cultural em valor suprime sua função crítica
e nele dissolve os traços de uma experiência autêntica".
[3]
Embora seja fundamental para a análise dos meios de comunicação
de massa, em especial na primeira metade do século passado,
a noção de Indústria Cultural tem sido objeto
de diversas críticas. Martellart em História das Teorias
da Comunicação, por exemplo, desconfia que T.W. Adorno
e M. Horhheimer estigmatizaram a Indústria Cultural em decorrência
de seu processo de fabricação atentar contra certa sacralização
da arte: "Na verdade, não é difícil perceber
em seu texto o eco de um vigoroso protesto erudito contra a intrusão
da técnica no mundo da cultura". (Martellart, p. 79).[4]
Quando se fala em Indústria Cultural é importante destacar
que ela é fruto de uma sociedade capitalista industrializada,
em que até mesmo a cultura é vista como produto a ser
comercializado. E nesse caso vem o questionamento.
Mas afinal, o que é Indústria Cultural? Podemos dizer
que tudo o que é produzido pelo sistema industrializado de
produção cultural (cinema, rádio, jornal, revistas,
propaganda, entre outros) é elaborado de forma a influenciar,
aumentar o consumo, transformar hábitos, educar, informar,
pretendendo-se ainda, em alguns casos, ser capaz de atingir a sociedade
como um todo.
Assim, cada vez mais, a máquina da Indústria Cultural,
ao preferir a eficácia dos seus produtos, determina o seu consumo
e exclui tudo o que é novo, tudo o que ela configura como risco.
A identidade do domínio que a indústria cultural exerce
sobre os indivíduos, aquilo que ela oferece de continuamente
novo não é mais do que a representação,
sob diferentes formas, de algo que é sempre igual.
Verlaine Freitas comenta que para T.W. Adorno: "O indivíduo
autônomo, consciente de seus fins, está em extinção,
em desaparecimento. É ele que deve ser recuperado"[5];
porque é ele que está sendo levado automaticamente por
uma estrutura forçosamente autoritária e camuflada,
sem identidade social, metamorfoseando-se e mesclando-se ao contexto
da indústria cultural
Esta mega exposiçaõ pode ter lá o seu caráter
consumista por termos várias vacas fabricadas em série,
e elitista também, por depender de um patrono para que se possa
ter o exercício da arte, mas é sobretudo democrática,
por deixar cada local pintar suas vacas da maneira que melhor lhe
convier. Ela não deixa de extrapolar os limites de uma globalização
já deflagrada, exportando vacas de fibra de vidro para várias
cidades do mundo ao mesmo tempo, com o detalhe de não perder
a sua autenticidade e respeitando a sua glocalização.
É preciso ter coragem para se fazer uma COW Parade e ela está
aí para que ninguém diga ao contrário. É
interessante observar que Walter Benjamin criticava a obra de arte
com o advento da fotografia, o que será que diria da extrapolação
das quase 3000 vacas pintadas de diferentes formas em mais de 28 cidades
ao redor do mundo. Noção de espacialidade ele tinha,
pois era um viajante, um buscador de identidades estrangeiras como
bem salienta Massimo Canevacci:
" Benjamin
trabalhou constantemente sobre a cidade, com uma abordagem que pode
ser absorvida sob a condição de aceitar sermos empurrados
para uma desorientação pessoal. Com ele pela primeira
vez a redação de uma pesquisa sobre a cidade - não
só a respeito de Paris, mas também Moscou, Berlim, Nápoles,
Marselha, etc. - encara com a mesma seriedade a grande poesia e a
publicidade nascente, a filosofia e o jornalismo, a arte de vanguarda
e os estilos eminentemente móvel, suja como os resíduos
e farrapos que pretendia redimir"[6]
( p. 101)
Benjamin era um
homem do futuro que olhava o mundo com olhos de criança. Sabia
onde estavam os pontos de fuga das grandes metrópoles. Estabelecia
com elas alguns pactos de descobertas, seguidos de ritos de passagem.
Cada lugar, segundo ele, possuía seus cheiros, suas cores,
seus ir e vir, seu tempo, seu espaço. Ele foi um dos primeiros
a descobrir os mistérios da passagens. As galerias parisienses
do século XIX , com suas lâmpadas à gás,
o reflexo dos espelhos e as vitrines coloridas traziam um fascínio
transformador, o grande segredo entre o novo e o velho, o interior
e o exterior, o presente e o passado. E é esta sensação
que esta exposição nos traz, uma espécie de dejá
vu, porque como bem coloca Pascal:
AQUI ENTRA IMAGEM 2
"Não
há realmente nenhum outro animal que pode adequadamente substituir
a vaca e produzir o mesmo grau de realização artística
evidente neste MOO-seum. As estruturas da área de superfície
e dos ossos são perfeitas, como também. a altura e o
comprimento.
A vaca faz parte do nosso inconsciente e ela nos remete à nutrição,
amor, aconchego, proteção. Ela nos passa segurança,
pois promove o nosso desenvolvimento".
COW PARADE NO BRASIL
São Paulo foi a cidade escolhida para sediar a primeira CowParade
da América Latina. 150 esculturas de fibra de vidro no formato
de vacas, em tamanho natural, assinadas por alguns dos mais renomados
artistas plásticos, arquitetos, estilistas, diretores de arte,
grafiteiros e designers do Brasil, entre outros representantes das
diferentes linguagens artistícas fizeram parte da exposição.
O rebanho criativo levou arte à diversas áreas na cidade,
as obras foram expostas em locais públicos e áreas privadas
como shopping centers, lobby de hotéis, sedes corporativas
e os principais pontos turísticos e comerciais da cidade, como
avenida Paulista, Parque do Ibirapuera e Praça da República.
Pontos conceituados por receber obras internacionais e difundir a
arte brasileira, a Pinacoteca do Estado, MASP, MuBE, MIS, Museu da
Casa Brasileira, Memorial da América Latina e Sala São
Paulo foram algumas das localidades que integraram o circuito. Multicoloridas,
modernas e arrojadas as esculturas de vacas também alegraram
aeroportos, rodoviárias, estações de metrô
da zona norte, sul e oeste passando pela Sé, Luz e Anhangabaú,
entre outras. A iniciativa privada também abriu suas portas
para o rebanho nos centros empresariais São Paulo, Nações
Unidas e Conjunto Nacional. Entre os bancos, sediaram a mostra: Itaú,
Real, Safra, Santos e Bank Boston.Enfim locais de grande fluxo de
pessoas, transformando o espaço urbano em uma gigante galeria
de arte em céu aberto.
A edição brasileira do maior evento de arte de rua do
mundo recebeu 573 projetos, inscritos por 377 artistas. A iniciativa
foi da Toptrends, Tendências e Soluções em Comunicação,
que assinou contrato de licenciamento com a CowParade Holdings Corporation,
instituição americana. A realização ficou
a cargo da Farah Service, uma das principais empresas de marketing
de responsabilidade social do mercado brasileiro.
O Comitê de Arte, composto pelo curador Ricardo Resende, o crítico
de arte Guy Amado, o diretor do Clube de Criação, Gilberto
dos Reis e o arquiteto Ronado Kapaz, da Oz Design e membro do Conselho
de Ética da Associação dos Designers Gráficos
(ADG), selecionou 141 projetos, que participaram da CowParade - Circuito
das Vacas São Paulo 2005. Os critérios de seleção,
estabelecidos de acordo com as regras da CowParade Holding, empresa
americana detentora dos direitos autorais da mostra internacional,
priorizaram dois quesitos: a qualidade da obra e a viabilidade da
execução do projeto. Além dos artistas selecionados,
o portfólio do evento, que ocorreu no primeiro semestre de
2005, também contou com obras de artistas convidados como:
Luiz Hermano, Rui Amaral, Guto Lacaz, , os estilistas Lino Villa Ventura
e Jum Nakao e o arquiteto Arthur de Mattos Casa.e Anita Kaufmann,
que desenvolveu dois temas: um sobre o centro de São Paulo,
a Ecovaca, preocupada com a arborização da cidade, mostra
a importância do verde em meio a milhares de prédios.
Foram colocadas mais 600 folhas na escultura. Outro, a vaca Dupla
Nacionalidade, a primeira vaca colocada em exposição
na entrada da empresa Amcham, uma das patrocinadoras do projeto. Esta
leva no dorso as bandeiras estilizadas do Brasil e EUA, enfatizando
o elo de ligação entre os dois países.
AQUI ENTRA IMAGEM 3 E 4
Todas as peças do CowParade foram patrocinadas e "adotadas"
por empresas. Os autores dos desenhos que participaram da mostra receberam
um kit de tintas e ajuda de custo para execução da obra.
As esculturas contaram com uma placa de identificação
com os nomes do autor da obra e do patrocinador.
O interessante neste projeto foi que além dos artistas selecionados
e convidados, quinze das 150 esculturas de vacas foram pintadas pelas
crianças e adolescentes de 15 organizações ligadas
à Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança
e do Adolescente, como segue o release da assessoria do evento:
Alunos de escolas públicas pintam vacas para exposição
CowParade
Projeto "Vacas nas Escolas", realizado em parceria com a
Fundação Abrinq e Toptrends e patrocinado pelo Instituto
Votorantim, terá cinco vacas pintadas nos dias 14 e 16 de setembro.
Os alunos da Escola Estadual Doutor Vidal Fogaça de Almeida,
na zona leste, irão pintar na quarta-feira, dia 14 de setembro,
a partir das 9h, três vacas em tamanho natural feitas de fibra
de vidro, que farão parte da exposição CowParade
- Circuito das Vacas, em cartaz em locais públicos da cidade
de São Paulo.
Com idades entre 12 e 18 anos, os alunos receberão apoio técnico
de dois artistas plásticos: Carlos Barmak, arte educador, e
Marcela Ascar, cuja vaca "Miss Tropicow" já integra
a exposição CowParade. No dia 16, serão pintadas
outras duas por alunos da Escola Estadual Dom João Maria Ogno,
também na zona leste. Os estudantes que participam do projeto
foram selecionados pelos professores de arte das escolas (de 5ª
série ao ensino médio).
Os eventos fazem parte do projeto "Vacas nas Escolas", formatado
pela Fundação Abrinq e patrocinado pelo Instituto Votorantim,
para colocar alunos da rede pública de ensino em contato com
a realização artística. Depois de pintadas, as
vaquinhas ficarão expostas na Praça Ramos, no centro,
e na avenida Luiz Carlos Berrini, região sul da cidade.
As escolas escolhidas para participar do "Vaca nas Escolas"
fazem parte do programa Crer para Ver, da Fundação Abrinq
em parceria com a Natura, cujo objetivo é dar apoio financeiro
e técnico a projetos de melhoria do ensino público.
Nessas escolas, o programa apóia o Projeto Cinema e Vídeo
Brasileiro, desenvolvido pela Ação Educativa, que visa
a aproximação das comunidades escolares com a linguagem
audiovisual, por meio de videotecas, mostras temáticas e formação
de professores.[7]
Em dezembro, haverá um grande leilão das esculturas
das vacas no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura), cuja verba será
revertida para a Fundação Abrinq, entidade sem fins
lucrativos, de Utilidade Pública Federal, criada em 1990 por
um grupo de empresários. Sua missão é promover
a defesa dos direitos e o exercício da cidadania da criança
e do adolescente, usando como estratégia a articulação
e a mobilização da sociedade civil e do poder público
para transformar a criança e o adolescente em prioridade, além
de promover e dar visibilidade a políticas e ações
bem-sucedidas que possam ser disseminadas.
Mas a Cow Parade não pára em São Paulo e segue
viagem pelo Brasil. Em 2006 ela vai para Belo Horizonte, Curitiba
e Porto Alegre e em 2007 chega no Rio de Janeiro. Segundo Catherine
Duvignau, sócia-diretora da Toptrends, "a tendência
é de que o interesse em expor as vacas decoradas aumente e
que o país ganhe maior visibilidade perante os criadores internacionais
da mega exposição open air[8]".
Já pelo mundo, a Parada das vacas multicoloridas invade novas
cidades até 2006 como Buenos Aires (Argentina), Lisboa (Portugal),
Cidade do México (México, Varsóvia (Polônia),
Bratislava (Eslováquia) e Florença (Itália) dentre
muitas outras. Mas afinal, o que dizer para finalizar este ensaio
sobre esta grande e maravilhosa manifestação artística,
que extrapola o universo das artes plásticas, quebra os muros
das galerias de arte, populariza o elitizado, coloca a população
para olhar, mexer, fotografar, montar, se enquadrar, às vezes
até danificar a vaca que nos é tão familiar que
dá até vontade de levar para casa. Será que esta
espécie de arte perde a sua aura ou a multiplica. Será
que é também um produto da Indústria Cultural
massificada, standartizada, sem um élan? Estamos em um tempo
em que trocar de todas as formas, maneiras e conteúdos faz
parte do "nosso show". A cidade oferece descobertas e seguir
a rota das vacas virou uma grande brincadeira, como Benjamim salientou:
"Não saber se orientar numa cidade não significa
muito. Perder-se nela, porém, como a gente se perde numa floresta,
é coisa que se deve aprender a fazer"[9]
E finalizo com Vaca Profana, de Caetano Veloso, que neste caso não
poderia ter sido mais feliz para mostrar que a arte está atualmente
no "sem fronteiras" na passagem entre o real e o irreal,
o mágico e o concreto.
Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas
Segue a "movida Madrileña"
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horiz...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los "puretas"
Quero que pinte um amor Bethânia
Stevie Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s blues
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas
Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas estamos a...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha cara
Nada de leite para os caretas
Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas... |
[1]
Horkheimer, M.; Adorno, T.W.; T,W.; Habermas, J; - Textos Escolhidos.,
p.49
[2]
Adorno, T.W.Théorie esthétique. Paris, Klincksieck,
1974, p.97.
[3]
Hobsbaw, Eric. Em torno a los Orígenes de la Revolución
Industrial. Madrid, 1988.
[4]
Em História das Teorias da Comunicação, o
autor traça um panorama sobre a comunicação de
maneira detalhista e bastante concisa.
[5]
Freitas, Verlaine, Adorno & Arte Contemporânea. Rio
de Janeiro, Jorge Zahar Ed, 2003
[6]
Canevacci, Massimo, Cidade Polifônica. São Paulo, Estúdio
Nobel Ed, 1997
[7]
Release produzido pela assessoria de imprensa da Top Trends, a Cia.
Da Informação, que está aos cuidados de Denise
e Melissa no telefone 3071.3494.
[8]
Catherine Duvignau é uma das mentoras da idéia no Brasil
e salienta que as vacas são diariamente "produzidas"
e arrumadas por uma equipe intitulada "Cow Hospital", um
caminhão que faz a manutenção das esculturas
limpando, lustrando e repondo adereços como caudas, chapéus
e óculos
[9]
Walter Benjamin, in: Canevacci, M - A Cidade Polifônica. Massimo
segue a mesma trajetória de Benjamin, descobrindo os labirintos
metropolitanos em que faz uma grande homenagem poética à
uma metrópole chamada São Paulo
