A
evolução
dos
gastos governamentais como
proporção do PIB no período 1880-1985 em países
centrais selecionados ilustra
a
expansão
do
Estado no estágio de acumulação
predominantemente intensiva.
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Privatização
Privatização
é
o
elemento central da
política econômica e da retórica do neoliberalismo, por sua vez uma
reação à
crise do capitalismo
contemporâneo.
Esta crise
provém, essencialmente, da
tremenda expansão do Estado e a correspondente
retração do mercado, durante o
estágio de desenvolvimento
intensivo (figura ao lado) do
capitalismo. Trata-se
da negação da tendencia fundamental do capitalismo e
motor mesmo de seu
desenvolvimento, a tendência à generalização
da forma-mercadoria, na dialética
do
Estado
e do mercado: a presença
do Estado é necessário ao
funcionamento
do mercado, mas ao sustentá-lo mediante a provisão de
arcabouço jurídico e
institucional e infraestrutura física, o restringe
também, ao assumir parcela
sempre crescente da produção social de valores de uso.
Assim, a
tentativa da privatização consiste
na re-mercadoriazação da economia, reconquista da
supremacia do mercado na
regulação da produção. Tal tentativa
é necessáriamente frustrada, pois numa dialética
a negação da negação não restabelece
a tendência original (aqui, generalização
da forma-mercadoria). Em um estudo empírico, Ball et
alii
(1989), avaliaram o efeito líquido de três
governos sucessivos de Margaret Thatcher na Inglaterra, quem foi
precursora e
campiã da privatização tendo concluído que
após dez anos dessa política a
participação do Estado na economia não só
não havia diminuído, senão chegou a
continuar aumentando. Perguntaram-se então: qual foi o efeito
prático dos 10
anos de política neolioberal centrada na
privatação, e concluíram:
concentração
de renda e de capitais.
Privatização,
portanto,
é
a tentativa do
impossível. Na prática as firmas que assumem
serviços públicos ou bem continuam
recebendo subsídios diretos (tarifas etc.) ou indiretos
(direitos de monopólio
etc), ou elevam o preço do serviço em prejuízo
óbvio da universalidade da
prestação para todos, ou ainda acabam falindo, como
aconteceu há alguns anos
(2004) com a British Rail –salvando com isso o Metrô de Londres
da então iminente
privatização. Há ainda o caso em que porções
‘rentáveis’ de um sistema são privatizadas –como trechos
mais carregados de uma
rede de rodovias. A privatização das rodovias do Brasil
é inconcebível; a de
São Paulo-Rio é ‘viável’, se escamoteado o fato
que esta ligação só funciona
como funciona por fazer parte da rede de rodovias como um todo (sem a
qual nem
São Paulo e Rio poderiam ser o que são).
Referências
BALL,
Michael,
Gray
F & McDowell, L
(1989) The transformation of Britain. Contemporary economic and social
change Fontana,
London
DEÁK,
Csaba (1989) "O mercado e o
Estado na organização espacial
da produção capitalista" Espaço &
Debates,
28:18-31
cd, 09.8.1
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