O topo, e além, antes dos 30
Por Eduardo Tavares
“Foi meio por acaso, e acabei me encontrando”. Rafael Noda Falcão descreve assim sua trajetória até o curso de Administração na FEA-USP. Quem o ouve falando em “acaso” não imagina o talento de Rafael, e a naturalidade – e entusiasmo – com que ele fala sobre suas atuais atividades. Formado em 2005, Rafael ocupa agora, com 29 anos, a vice-presidência de M&A (Fusões e Aquisições) do Banco Santander, em São Paulo.
Não foi de primeira
Como ele mesmo conta, administração não foi sua primeira escolha. “Primeiro eu prestei medicina, e entrei na Santa Casa, mas não tinha dinheiro para pagar o curso, e acabei não fazendo”, explica. Quando estava fazendo cursinho pré-vestibular, foi mudando de idéia, e acabou ficando entre engenharia e administração.
“Nessa fase, eu já tinha na cabeça a idéia de trabalhar com mercado financeiro. Tem essa história do charme da profissão, a bolsa de valores, não sei exatamente por quê. Hoje eu entrevisto muita gente que diz que quer trabalhar no mercado financeiro. Eu pergunto por que, e ninguém tem uma resposta muito convincente. Tem um certo glamour, é uma coisa meio mágica, e acho que isso aconteceu comigo também.”, relembra Rafael.
Filho de um engenheiro, formado pelo ITA, e de uma doutora em física nuclear, Rafael foi incentivado por eles a prestar engenharia, por ser um curso que seus pais consideravam mais forte. Essa opinião pesou para ele no final.
Decidido a fazer engenharia, Rafael foi para a Poli, onde cursou dois anos de engenharia. “Eu achava aquilo uma desgraça total. Tinha aula de coisas que eram totalmente teóricas, e não tinha o mínimo interesse. Por outro lado, via amigos meus que tinham ido cursar administração, e todos eles trabalhavam, e acho que eles aprendiam muito com isso, tendo até a oportunidade de ganhar bem. Isso aconteceu numa época em que eu tinha dificuldade financeira, e, para mim, poder fazer estágio e ganhar quinhentos reais por mês significava ficar rico”.
Na hora certa
Foi nessa época que Rafael começou a ponderar sua carreira, considerando uma possível mudança para o curso de administração. Um dos incentivos, além de seu gosto pelo mercado financeiro, seria a oportunidade de estudar em meio período, e trabalhar.
Ainda na Poli, no segundo ano, Rafael começou a estagiar em uma empresa de Tecnologia da Informação. “Eu estava gostando muito do estágio, fui efetivado, e comecei a trabalhar na área de TI, mas já numa companhia de asset management”, conta o ex-feano. Rafael saiu do curso na Poli, e logo ingressou na FEA, no período noturno. Assim, era possível para ele conciliar a faculdade e os estudos, além alimentar seu interesse pela área financeira.
Sobre o período de estágio, primeiro estudando na Poli, e depois na FEA, Rafael considerou fundamental para seu desenvolvimento. “E isso é até algo que eu recomendo para todo mundo, começar a estagiar bem cedo. Por dois motivos: o primeiro é que você tem tempo de escolher o que quer fazer, ou seja, tem tempo para errar, tentar uma área e não gostar, partir para outra, e, quando você se formar, já estará direcionado para uma área que tem certeza que quer”, afirma Rafael.
Rafael ainda diz que discorda da idéia de que trabalhar e estudar ao mesmo tempo atrapalha os estudos. “Acho o contrário. Trabalhar e estudar junto foram os fatores que me fizeram aproveitar mais a faculdade, porque tive contato na prática com o que estava aprendendo, e consegui consolidar o que aprendia na faculdade no ambiente de trabalho. É uma sinergia grande, e auxilia muito nos dois ambientes”, explica.
de de
| » Voltar | » Enviar para amigo | » Imprimir |