iniciação científica


origem e evolução de charon na grécia antiga

jasmim sedie drigo

josé marcos mariani de macedo - orientação

O objetivo da pesquisa é analisar a transformação da figura grega do barqueiro dos mortos Charon do período Clássico até a Segunda Sofística. Além disso, pretende-se estabelecer paralelos entre essa figura e elementos de outras culturas das proximidades mediterrâneas. O barqueiro mesopotâmio Ur-Shanabi, o demônio etrusco da morte Charun e o barqueiro dos mortos romano Caronte possuem diversas semelhanças com o personagem grego, o que mostra a existência do intercâmbio cultural entre esses povos.

Com tal intuito, analisa-se representações literárias e iconográficas gregas do século VI a. C. a II d. C., sobretudo as mais detalhadas e substanciais. Também se procurou compará-las com representações literárias de outras sociedades em datas anteriores ou concomitantes ao personagem grego, como a Epopeia de Gilgamesh e a Eneida, e iconográficas, como vasos funerários e tumbas etruscas.

Dessa forma, procura-se estabelecer uma origem aproximada da figura na Grécia Antiga e como as influências externas auxiliaram na transformação do barqueiro grego ao longo dos séculos.


um retrato de júlio césar por ele mesmo

gdalva maria da conceição

Financiamento: FFLCH/USP

Este estudo objetiva observar relatos de acontecimentos ocorridos na guerra civil romana, da segunda metade do I séc. a.C., descritos na obra A Guerra Civil (Bellum Civile), escrita por Júlio César em forma de Comentários (Commentarii), nos quais o próprio César esteve envolvido ou como principal protagonista ou apenas como narrador. O critério utilizado para a análise será o exame de alguns procedimentos compositivos utilizados pelo autor na construção da mensagem que deseja veicular. Por meio desse exame pretende-se entender como ele se coloca em sua obra, outorgando-lhe uma finalitas, que opera como moldura do retrato que ele pinta dele mesmo, produzido a partir de elementos, implícitos ou explícitos da narrativa, em que ele parece projetar-se como libertador do povo, cumpridor das leis, defensor dos direitos, injustiçado em sua dignitas.


imagens antigas no renascimento italiano sob a ótica poética de andrea navagero

gustavo luiz nunes borghi

O Renascimento Europeu é período importante para a história da Literatura e demais artes. Reproduz alterações na maneira de ver o mundo e funda bases e conceitos para as artes dos séculos seguintes ao menos até o último quartel do século 18, gerando desdobramentos fundamentais à modernidade. Sob a observação deste momento histórico, esta pesquisa objetiva estudar das imagens da Antiguidade Clássica em sua recepção moderna, sob a perspectiva do poeta Andrea Navagero, principalmente sob a luz de sua obra Lusus, in Camina quinque illustrium poetarum. Assim, o trabalho busca traçar alterações na representação da Antiguidade no "cinquecento italiano".

Como o escritor trata a poesia. De que modo ele a imita. Como recicla as elegias romanas e gregas. De que maneira constrói as imagens, transformando-as. E por fim, de que forma hoje podemos avaliar as referências alusivas aos textos antigos dos poetas elegíacos romanos (de Catulo a Ovídio) na construção desta poesia Neolatina. Todas essas são questões que deverão ser discutidas nesta pesquisa.


hades: componentes figurativos de ambiente em virgílio

jovana de araujo dourado

Análise da figuração do Hades, em seu sentido espacial, a partir das figuras existentes nos textos de Virgílio e Hesíodo é cerne desta pesquisa.

O Hades, em sentido espacial, é composto na obra de Hesíodo pela ambientação: treva nevoenta, região bolorenta nos confins da terra, vasto abismo, tufão após tufão torturante, palácio ecoante do deus subterrâneo, e essas são algumas possibilidades.

Não obstante, outro recurso que ajuda a delinear este submundo tão ilimitado é o da descriptio das personagens que habitam este espaço. Uma delas: o cão terrível que lhe guarda a frente, não piedoso e de maligna arte. O filho de Jápeto, Atlas, que suste o amplo céu sob cruel coerção nos confins da Terra ante as Hespírides cantoras, é outra. A deusa Estige, filha do Oceano refluente a mais velha, é muitas vezes retomada. Assim, a atmosfera, observada a partir dessas "presenças", é aterrorizante e a seleção lexical dos autores privilegia, de forma incisiva, a repetição das palavras "terrível", "temível", "torturante", etc. Ela, desta maneira, interfere, de forma não gratuita, no temor esperado e legitimado pela recepção destes textos. A ambientação presente em Virgílio não foge aos mesmos moldes presentes em Hesíodo exceto pelo acréscimo do Elísio, para o qual as almas fadadas à outra existência são enviadas pelos Fados, limpas e de tudo esquecidas são reenviadas ao mundo terreno. É possível depreender também os "dogmas" que levavam as almas a um destino tão cruel, como: quem ao irmão nutriu ódio na vida terrena, agrediu os pais, mal cuidou das causas dos clientes, acúmulo de riquezas, adultério, traição à pátria, etc. Portanto, não há como desatrelar nestas obras o próprio efeito retórico das escolhas lexicais, que legitimam um padrão de comportamento a ser seguido, como um freio que mantenha a ordem "moral" da sociedade.


a mensagem do mensageiro: visualidades, ação e convencimento nas fenícias de eurípides

natália santana zuccala

O estudo que será desenvolvido a seguir terá como base As Fenícias de Eurípides (c. 410 a.C.). Nela pretende-se identificar como as falas desenvolvidas pelo mensageiro, em especial aquelas em que este se ocupa em descrever a batalha de Argos contra Tebas até o momento do fratricídio, desenvolvem função importante ao propulsionar a ação.

Para compreendermos essa função dentro do teatro antigo grego, é necessário examinar a maneira como estas imagens, desencadeadoras das ações que movem o enredo, são desenvolvidas no sentido de alcançar o imaginário dos expectadores e promover uma intenção esperada e planejada retórica e poeticamente.



iniciação científica - projetos concluídos


de signis de cícero: as imagens e as palavras

anna carolina barone

joão angelo oliva neto - orientação
A pesquisa começará com a tradução do livro IV do Segundo Discurso contra Verres, de Cícero, conhecido como De Signis (Sobre as Imagens), em que o orador enumera as mais diversas obras de arte roubadas por Verres, oferecendo base para a pesquisa de imagens greco-romanas. Isso vem ao encontro dos objetivos de dois Projetos de Pesquisa integrantes do Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas da USP, que, já como Grupos de Pesquisa, estão articulados e cadastrados no CNPq: grupo VERVE - Verbum Vertere: ESTUDOS DE POÉTICA, TRADUÇÃO E HISTÓRIA DA TRADUÇÃO DE TEXTOS LATINOS E GREGOS, liderado pelo Prof. Dr. João Angelo Oliva Neto, meu orientador, e grupo IAC - IMAGENS DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA, liderado pelo Prof. Dr. Paulo Martins. Justifica-se a pesquisa pela contribuição tanto para as Letras Clássicas, como para a História, a História da Arte e a Arqueologia: De Signis é a mais antiga e abundante fonte romana para o estudo da recepção e da circulação de obras de arte, além de ser a primeira fonte conhecida sobre a prática do Colecionismo. Finda a tradução, haverá cotejo com outras fontes antigas para verificar nos discursos as diferentes elocuções sobre obras de arte em diferentes gêneros e autores, levando-se em conta a questão das palavras (uerba) em relação às coisas (res). O trabalho terá um viés teórico próximo ao de Michel Foucault em A Arqueologia do Saber e adotará o método do paradigma indiciário delineado por Carlo Ginzburg em O Signo de Três, perseguindo objetivos históricos, artístico-imagéticos e linguístico-discursivos: a pesquisa integrará a vertente que procura compreender a multiplicidade dispersante de um passado em que circulam, de modo nada pacífico, objetos materiais, mas também - e em especial - palavras e valores.

a batalha de canas: uma descriptio em tito lívio

denise de souza ablas

Financiamento: PRP/USP

INICIAÇÃO CIENTÍFICA CONCLUÍDA - RELATÓRIO APROVADO PELA FFLCH/USP

Tito Lívio conta, em sua grandiosa obra Ab urbe condita a história de Roma desde sua fundação até o século I a.C.. Parte de seu trabalho foi conservada até nossos dias e tem sido lido e comentado por estudiosos há séculos. Apesar de algumas divergências entre os acadêmicos, há um consenso: o texto historiográfico de Lívio tem valor artístico e isto se deve especialmente ao domínio que o autor tinha da arte retórica. É o que se observa em trechos que apresentam descrições vívidas de cenas como as de batalhas e de cercos. Tendo por base a imagem verbal da Batalha de Canas (ocorrida em 216 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica) produzida por Tito Lívio e descrita no livro XXII do autor, a presente pesquisa pretende estudar os procedimentos retóricos ékphrasis/descriptio e enargeia/euidentia, auxiliares de Lívio na composição de suas descrições claras e vivazes.


Die antiken Schriftquellen zur Geschichte der bildenden Künste bei den Griechen

henrique verri fiebig

Financiamento: FFLCH/USP

INICIAÇÃO CIENTÍFICA CONCLUÍDA - RELATÓRIO APROVADO PELA FFLCH/USP

A finalidade desta pesquisa é disponibilizar aos pesquisadores lusófonos envolvidos de alguma forma com o estudo das belas-artes uma edição em língua portuguesa da obra Die antiken Schriftquellen zur Geschichte der bildenden Künste bei den Griechen, na qual o historiador de arte e arqueólogo alemão Johannes Adolph Overbeck compila uma série de textos essenciais para o estudo das belas-artes greco-latinas.

Nesta edição levar-se-á a cabo: a) a tradução, do alemão para o português, do prefácio e do índice da obra de Overbeck; b) a indicação de traduções para o português, ou para o inglês, espanhol, francês e italiano, dos excertos selecionados pelo autor; c) a produção de notas literárias, históricas e filológicas relativas aos textos antigos elencados pelo autor; e d) a elaboração de índices remissivos de assuntos e nomes próprios.


Imagines amoris

lya valéria grizzo serignolli

INICIAÇÃO CIENTÍFICA CONCLUÍDA - RELATÓRIO APROVADO CUM LAUDE PELA FAPESP

Sob seu aspecto geral, esta pesquisa tem por objetivo o estudo de conceitos relativos à produção imagética, seja ela verbal ou não-verbal, nos discursos da Antiguidade greco-romana, observando-se as lições de Aristóteles na Poética, de Horácio na Epístola aos Pisões, de Cícero no De Inuentione e no Orator, de Quintiliano nas Institutio Oratoria. Já, sob seu aspecto específico, o estudo trata do Amor, de Eros, e do Cupido em sua representação visual e verbal. A pesquisa, portanto, visa à aferição de homologias discursivas, estabelecidas, de um lado, por pintores e escultores e, de outro, por doutrinadores, poetas e filósofos.

Para ilustrar os conceitos que serão discutidos foram selecionados poemas, pinturas e esculturas em que está figurado Eros (Cupido, Amor, Puer). Essas imagens serão observadas sob o ponto de vista de sua elocução que utilizam e dos efeitos de sentido que produzem. Nesse sentido são imperiosas as lições das autoridades e dos autores antigos a respeito desses procedimentos retóricos e poéticos.


pesquisadores

  • jasmim sedie drigo
  • gdalva maria da conceição
  • diana berg
  • gustavo luiz nunes borghi
  • jovana dourado
  • mayara pereira
  • natália santana zuccala
  • natalie magarian costa

  • ex-pesquisadores de IC do grupo

  • anna carolina barone
  • denise de souza ablas
  • henrique verri fiebig
  • lya valéria grizzo serignolli