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Blog da USP - 28/07/2011 - Imprimir Imprimir

Instituto de Psicologia comemora 40 anos de fundação

Instituto de Psicologia festeja 40 anos de fundação com lançamento de livro, inauguração de instalações e a primeira colocação no Ranking Ibero-americano de Psicologia, que avalia escolas de 30 países

O "túnel de árvores" que dá acesso ao Instituto de Psicologia

O “túnel de árvores” que leva ao Instituto de Psicologia (IP) da USP, na avenida Lúcio Martins Rodrigues, na Cidade Universitária – que pode simbolizar um caminho a ser trilhado –, é uma imagem cara à professora Emma Otta, diretora da unidade. O mesmo se dá com a representação do deus Janus, o guardião das portas e do início e do fim dos ciclos, que olha para o passado com a face velha e se volta ao mesmo tempo para o futuro com uma face jovem. “Somos neste momento desafiados a fazer um balanço do que aconteceu no passado e do que desejamos e esperamos para o futuro”, diz a professora, responsável por liderar a comemoração dos 40 anos de criação do IP.

Embora o instituto tenha nascido em 1970 – coincidentemente, o ano em que a atual diretora ingressou na graduação –, a celebração acabou ficando para 2011. O pequeno descompasso, que, aliás, repete o que aconteceu no aniversário de 30 anos, não diminui a importância das conquistas do IP. Entre elas está a primeira colocação no Ranking Ibero-americano de Psicologia, que avalia 902 instituições em 30 países. A pós-graduação também é um dos destaques da unidade. Seus cinco programas (um com conceito 4, três com 5 e um com 7 na avaliação da Capes) possuem no momento mais alunos do que a graduação – respectivamente 775 e 498. Como acontece em outras unidades da USP, a pós recebe muitos alunos de outros Estados e contribui para a formação de professores que trabalharão nas mais diversas escolas do Brasil.

A diretora ressalta que um dos programas, o de Neurociências e Comportamento, acompanha pesquisas de ponta nessa que é uma das áreas mais “quentes” da ciência na atualidade. Sediado no IP, o curso tem caráter interdisciplinar e nele atuam docentes de outras unidades, como a Faculdade de Medicina, o Instituto de Ciências Biomédicas e até a Escola Politécnica.

Prática – A valorização da graduação, entretanto, não é descuidada. “Nosso curso se preocupa muito com a pesquisa e procura oferecer aos alunos a oportunidade de desenvolver projetos”, diz a diretora. A prática é outra ênfase na formação dos profissionais no IP. Os alunos atuam no Centro de Atendimento Psicológico (CAP), que atende gratuitamente os moradores da região da Subprefeitura do Butantã e à comunidade USP – cerca de 5.500 pessoas por ano.

Nas disciplinas de Ações Comunitárias I e II, os alunos são estimulados a se envolver com projetos ligados a questões sociais. Na extensão, participam também do Programa Bandeira Científica, realizado anualmente em conjunto com várias unidades da USP e que recebeu em 2009 o Prêmio Cidadania Sem Fronteiras. O IP ainda idealizou, em 1991, o programa Universidade Aberta à Terceira Idade, e permanece na sua coordenação até hoje.

A comemoração dos 40 anos, em cerimônia marcada para o dia 1º de agosto, vai marcar também a inauguração do anexo do Bloco G da unidade. Nele funcionarão os laboratórios de Análise Experimental do Comportamento, de Psicofisiologia Sensorial, de Motivação e Emoção e de Etologia e Comportamento Animal. O novo espaço permitirá a saída definitiva do chamado Bloco 17, um dos “barracões” que abrigam instalações de várias unidades desde o início da Cidade Universitária.

Nesses laboratórios, os alunos poderão trabalhar de forma ainda mais próxima com a experimentação. “Esse é o diferencial da USP: não temos apenas aulas teóricas, mas oferecemos a oportunidade de desenvolver a prática da pesquisa”, considera a diretora.

Diversidade – Objetos de estudo é que não faltam. Para Emma Otta, a psicologia “vive um momento de grande ebulição”, com muitas mudanças e novas contribuições – por exemplo, a noção de que o processo de tomada de decisão não é tão racional e frio como se pensava, e é diretamente influenciado pelos mais diversos fatores e fenômenos. “A psicologia cognitiva redescobre o conceito de inconsciente”, diz. Nesse ambiente, a diretora considera que o IP oferece uma formação plural. “Aqui convivem abordagens bastante diferentes, com behavioristas, etólogos, psicanalistas etc. Achamos que isso não deve ser apagado. Ao contrário, deve ser estimulada a diversidade, uma vez que isso caracteriza o nosso campo de saber.”

Para a professora, é preciso ter gratidão pelos que vieram antes, porque legaram sonhos, empenho e uma base em que se firmar e crescer. Muitos avanços já foram feitos, e outros ainda estão por vir. A diretora defende maior valorização do Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP), criação de novas áreas de pesquisa e consolidação das já existentes, e ampliação e formalização dos convênios internacionais, entre outras ênfases.

Possibilidades de parcerias com instituições públicas para novos estágios também estão em “gestação”. “Assim como queremos que os alunos entrem em contato com a pesquisa, queremos também que atuem em realidades diferentes nas várias áreas em que a psicologia pode contribuir, o que também é transformador da formação profissional”, conclui Emma Otta.

A comemoração dos 40 anos de criação do Instituto de Psicologia da USP será realizada no dia 1º de agosto, às 14h30, no Auditório Carolina Bori. A programação inclui o lançamento do livro comemorativo (organizado por Emma Otta, Paulo de Salles Oliveira e Cynthia Regina Mannini, Edusp, 192 págs.) e a inauguração do Anexo II do Bloco G.

De cátedra a instituto

A cátedra de Psicologia foi criada por Annita de Castilho e Marcondes Cabral e era abrigada na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) quando da fundação da USP, relata Ecléa Bosi, Professora Emérita do Instituto de Psicologia, no texto “Memórias da Psicologia”, que integra o volume comemorativo dos 40 anos da unidade. Na época, era matéria obrigatória nos três primeiros anos de Filosofia. Em 1953 virou curso, com aulas “espalhadas” nos prédios da rua Maria Antonia e alameda Glete, entre outros.

A criação do IP está ligada à reforma da Universidade na virada da década de 1960 para 70. “A então FFCL estava sofrendo de verdadeiro gigantismo pelo número de departamentos e cadeiras que a integravam”, conta Arrigo Angelini, primeiro diretor do instituto, cargo que viria a ocupar por mais duas vezes. Era a época de mais forte repressão da ditadura, e o IP também teve suas perdas. A então recém-contratada professora Iara Iavelberg morreu na luta armada, assim como a aluna Aurora Maria do Nascimento Furtado.

Arrigo Angelini lembra que a aprovação do novo instituto passou por apenas dois votos no Conselho Universitário. Para muitos professores, a Psicologia ainda não tinha massa crítica que justificasse a nova unidade. Vencida essa etapa, o professor lutou pela consolidação do instituto. Os quatro departamentos criados na época existem até hoje. Angelini também destaca a formação da biblioteca própria, que leva o nome do ex-diretor Dante Moreira Leite, e o início dos programas de pós-graduação nos moldes da então nova legislação federal.

Entre as dificuldades estava a falta de um orçamento próprio no ano inaugural – as verbas ainda vinham da Filosofia e mal davam conta das necessidades. Outro problema eram as instalações nos barracões, construídos de forma emergencial e ocupados pelos departamentos transferidos de endereços como a Maria Antonia. Mais detalhes dessa história o próprio Angelini contará na cerimônia de comemoração, no dia 1º de agosto.

(Matéria de Paulo Hebmüller, publicada no Jornal da USP, edição de 18 de julho a 24 de julho de 2011)

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