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Blog da USP - 29/06/2015 - Imprimir Imprimir

HU realiza evento para marcar o Dia Mundial do Pé Torto Congênito

Pela primeira vez, o ambulatório do Hospital Universitário (HU) realizou, no dia 22 de junho, um evento em comemoração ao Dia Mundial do Pé Torto Congênito. Criada pela Ponseti International Association, a data é uma oportunidade para a conscientização da existência da deformidade e da divulgação do tratamento pelo Método Ponseti

O Pé Torto Congênito (PTC) é o distúrbio mais comum do aparelho musculoesquelético, afetando um em cada mil recém-nascidos. Embora a causa do PTC ainda seja desconhecida – apesar de evidências apontarem para uma associação de fatores genéticos e ambientais –, o diagnóstico pode ser feito ainda durante o pré-natal, por meio de exames como o ultrassom morfológico. O tratamento é bastante eficaz, especialmente se for iniciado nos primeiros meses de vida, proporcionando um desenvolvimento normal ao portador da deformidade.

O evento foi realizado na área de lazer do hospital, reunindo crianças em tratamento, familiares, membros da equipe do ambulatório e dirigentes. Além de uma animada corrida com os Doutores da Alegria, houve várias outras brincadeiras, exposição de banners explicativos e exibição de um vídeo sobre o ambulatório de PTC do HU

Até meados da década de 1940, o tratamento do PTC era realizado com cirurgias extensas e complexas, sendo inacessível à maior parte das crianças. Foi quando o ortopedista espanhol Ignácio Ponseti desenvolveu um método de correção do PTC com base na compreensão do mecanismo causador da deformidade e no poder de remodelação do esqueleto imaturo do bebê.

O método Ponseti consiste em recuperar o eixo de crescimento normal do pé por meio de manipulações suaves e da utilização de um aparelho gessado, que auxilia na remodelação do esqueleto do pé do bebê. Em alguns casos, além desse tratamento, também é necessário fazer uma cirurgia do tendão de Aquiles para completar a correção.

Como explica a coordenadora do Ambulatório de PTC do HU, Laura Fernanda A. Ferreira, “no Brasil, temos aproximadamente 3.500 novos casos por ano, mas não há uma política pública de atenção ao PTC e a deformidade nem consta nas pautas de planejamento das secretarias de saúde do país. Para piorar, os poucos centros de tratamento existentes têm problemas de infraestrutura. Por não requerer recursos tecnológicos muito sofisticados, o método Ponseti poderia ser aplicado em centros de atenção primária à saúde, sem exigir grandes investimentos. Eventos como esse são importantes, pois, somente por meio da conscientização da população e do governo, o panorama atual poderá ser definitivamente alterado”.

A doutora também ressalta que a negligência do tratamento nos primeiros anos de vida deixa sequelas na criança, que acaba sendo excluída socialmente e, muitas vezes, se torna vítima de abusos e violências.

Ambulatório de PTC do Hospital Universitário

O pequeno Alan Daniel, adotado por Priscila e Fábio há quase dois anos, faz tratamento no ambulatório de PTC do HU desde que era um bebê. Hoje, aos cinco anos, é uma criança alegre e muito ativa

O Hospital Universitário (HU) começou a tratar o PTC pelo método Ponseti em 2002, com uma equipe composta apenas por uma ortopedista e uma técnica de gesso. Após cinco anos de funcionamento, o ambulatório não conseguiu superar as dificuldades encontradas – como o alto percentual de desistências e de reaparecimento da deformidade após o tratamento – e teve de suspender suas atividades. Ficou claro que não bastava corrigir a deformidade da criança, era preciso também preparar a família para que ela pudesse participar de todo o tratamento.

Dessa forma, em 2010, o ambulatório foi reaberto por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais da área de Enfermagem, Serviço Social, Ortopedia e Fisioterapia. O processo foi dividido em etapas e cada uma foi direcionada ao profissional com a formação e a capacitação mais adequada para a sua execução. Com esse novo modelo, o número de recidivas e de abandonos de tratamento diminuiu em aproximadamente 80%.

Hoje, o ambulatório possui 170 crianças de 0 a 5 anos em tratamento e tem capacidade de receber 30 novos casos por ano, um número pequeno diante da população que precisa de terapia. “É importante criarmos uma cultura em torno do PTC, conscientizar a população de que existe um tratamento e sensibilizar as autoridades. O tratamento oferecido pelo ambulatório do HU é um referencial, mas nossa capacidade é limitada. O nosso objetivo agora é que ele seja replicado em outros lugares”, explica Laura.

 

(Fotos: Erika Yamamoto / Luís Fernando Souto Bargmann Netto)

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