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Blog da USP - 08/06/2016 - Imprimir Imprimir

Nota da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas sobre a ocupação dos prédios

A Direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) vem manifestar sua preocupação com a ocupação dos prédios de Letras e História e Geografia, do Conjunto Didático e do bloqueio, até o presente, da Biblioteca Florestan Fernandes, do Prédio de Filosofia e Ciências Sociais, da Casa de Cultura Japonesa e do prédio da Administração.

É tradição desta comunidade acadêmica apoiar movimentos coletivos de protestos que demandam melhorias na qualidade das condições de trabalho, do ensino, da pesquisa e das atividades de cultura e extensão. Esse apoio permanece sempre que os protestos se valham de meios e mecanismos que recusem o apelo à violência e às formas de ação que agridem direitos consagrados em nossa constituição, como o direito de ir e vir, tão importante quanto o direito ao trabalho e à greve.

A ocupação e o bloqueio dos prédios com ameaça de coerção física por aqueles que não dispõem de monopólio legítimo e legal para fazê-lo penaliza cerca de 10.000 alunos dos cinco cursos de graduação – Letras, Ciências Sociais, Filosofia, História e Geografia – e cerca de 4000 alunos dos 26 programas de pós-graduação da FFLCH. Paralisa não apenas as aulas regulares, mas também parte do trabalho de investigação e de orientação acadêmica, o depósito e a defesa de teses e dissertações, a realização de concursos de promoção na carreira docente e os de recrutamento docente, o acesso à Biblioteca – uma das mais importantes de Humanidades do Brasil – bem como o não menos relevante trabalho de disseminação de conhecimento através da participação de docentes, pesquisadores, discentes em fóruns acadêmico-científicos e nos cursos de extensão.

Do mesmo modo, a paralisação das atividades de gestão administrativa – absolutamente necessárias à consecução das atividades-fins e impedidas de serem executadas, ao menos em suas atribuições essenciais –, produz prejuízos imensos decorrentes de contratos firmados não cumpridos, licitações que, embora anunciadas, sequer chegam a ser cumpridas e a interrupção do fluxo regular de informações oficiais e protocolares.

A greve é um direito inalienável e quem a faz deve ser protegido pelas garantias oferecidas por força de lei. Mas aqueles que decidem participar do movimento que o façam por convencimento. Iguais direitos devem ter aqueles que não participam do movimento e que decidem continuar trabalhando, assim como alunos que desejam dar continuidade a seus cursos, mesmo que se sintam solidários com as lutas pela melhoria da Universidade pública. Somente em uma sociedade pluralista, que aceita diferenças, que combate a violência como instrumento de ação política e que recorre às técnicas de persuasão racional será possível encontrar consensos em meio aos conflitos e à oposição de interesses e visões de mundo.

Esta Diretoria persistirá em sua missão de encontrar caminhos pacíficos e amparados na lei para recuperar o acesso livre aos prédios e assegurar as liberdades públicas consagradas em nossa Constituição. Para tanto, clama para que estudantes e docentes compareçam às assembleias para manifestarem seus pontos de vista divergentes, tarefa também que cabe a todos os funcionários em suas assembleias sindicais.

São Paulo, 6 de junho de 2016.

Diretoria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)

 

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