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Blog da USP - 08/06/2010 - Imprimir Imprimir

Tempos difíceis para o apoio ao estudante

A greve deflagrada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) no dia 5 de maio tem dificultado a gestão das atividades da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas) da USP – situação agravada pela invasão de um grupo de alunos a salas do órgão no Bloco G do Conjunto Residencial da Universidade (Crusp).

O professor Waldyr Antonio Jorge, coordenador da Coseas, lamenta que a greve impeça a continuidade dos levantamentos sobre os processos da Divisão de Promoção Social. Os processos, que estavam nas dependências invadidas, foram entregues pelos alunos no dia 29 de abril – sem nenhuma organização e acondicionados em sacos de lixo. Por orientação da Consultoria Jurídica da USP, o coordenador da Coseas lavrou um boletim de ocorrência e solicitou uma perícia. Os sacos foram guardados no baú de um caminhão, lacrado pelos peritos.

No dia seguinte, uma sexta-feira, o caminhão começou a ser descarregado. O professor Waldyr Jorge constituiu uma comissão para organizar e averiguar o material e fazer relatórios, a cada cinco dias, de tudo o que fosse encontrado. Esse levantamento começou a ser executado na segunda-feira, 3 de maio. Porém, já no dia seguinte houve uma paralisação convocada pelo Sintusp e na quarta (5) iniciou-se a greve. Portanto, na prática houve apenas um dia de trabalho de averiguação.

Waldyr Jorge havia determinado que a prioridade era a organização dos processos mais recentes. Entretanto, no pouco tempo em que o trabalho andou, a comissão detectou a falta de equipamentos de informática da Coseas – como computadores e impressoras – que estavam no local invadido e, segundo o coordenador, não foram entregues.

Uma das questões graves, aponta o professor, é que alguns documentos e processos mais recentes não existem em versão impressa e estão apenas nesses computadores. “O problema não é nem de equipamento, é da informação que está lá dentro, porque as informações são de cunho pessoal, dos alunos e de seus familiares, pertinentes a cada indivíduo. Ninguém tem o direito de torná-las públicas. Expor esses documentos é invasão de privacidade”, diz.

De acordo com o coordenador, dos equipamentos da Coseas havia 17 computadores completos (com caixa de som etc.). Foram entregues 12. De 21 monitores de vídeo, foram entregues 14. Havia também 4 impressores a jato de tinta, das quais foram entregues 2. Além disso, 2 impressoras a laser e 5 cargas de toner também não foram entregues.

Nas dependências invadidas há ainda uma Sala de Inclusão para a Comunidade, mantida em convênio entre o Banco Santander e a Pró-Reitoria de Graduação, com equipamentos de uso comum para alunos e funcionários. Do seu material (17 computadores completos com estabilizadores, 1 impressora a laser e 1 scanner), nada foi entregue.

“Fogo cruzado” – A invasão e a greve deixaram a Coseas numa situação que o professor qualifica de “fogo cruzado”: não há avanço no levantamento e na organização dos processos e, da parte dos alunos invasores, Waldyr Jorge não identifica disposição para o diálogo. “Procurei os alunos quatro vezes, duas no horário do almoço e duas à noite, que é quando eles fazem suas assembleias. Numa das oportunidades eles disseram que já haviam protocolado uma pauta de reivindicações”, relata. “Isso não quer dizer que a pauta que eles encaminharam é a que eu tenho que aceitar integralmente, mas sim que devo discutir com eles para averiguar quais são as queixas, as reclamações e principalmente para tentar achar uma solução.”

Para o coordenador, o caminho é o diálogo franco e aberto. “Ouvir algo que não me agrada não me ofende, mas a pessoa do lado de lá também tem que estar disposta a ouvir algo que não a agrade. Não podemos nem impor nem permitir que seja imposto. Democracia implica o convívio dos contrários, que precisa ser respeitoso”, argumenta.

Waldyr Jorge relata que já recebeu mais de cem e-mails de moradores do Crusp condenando a invasão e questionando a legitimidade de seus promotores. Um aluno de pós-graduação chegou a escrever: “essa brincadeira (a invasão) tem que acabar. Basta!”

O professor acredita que alguns itens da pauta de reivindicações são fundamentados e podem ter soluções encaminhadas a partir de negociações conjuntas que incluam a Coseas, os moradores e a Reitoria. O foco central, na sua opinião, é a carência de vagas para moradia, problema que será amenizado com a conclusão nos próximos meses de um novo bloco com cerca de 240 vagas.

“Não é do dia para a noite que vamos resolver problemas que vêm se arrastando há muitos anos”, afirma o coordenador, que assumiu o cargo em abril, com a invasão já em andamento. “Mas temos que criar uma nova rodada. Acho que os alunos do Crusp têm que se manifestar para que a gente procure achar soluções. Não vejo outro caminho.”

O professor lamenta a postura de alguns dos invasores, cujas atitudes parecem apontar para o desencadeamento de um clima de confronto e colisão, “que de nossa parte não vai haver”, ressalva.

Entre os pontos que questiona na pauta, Waldyr Jorge cita a reivindicação do “fim das expulsões arbitrárias” de estudantes das moradias. “Não houve nenhuma expulsão arbitrária. Há critérios, que foram discutidos com o DCE”, diz. Para o professor, o caminho para corrigir eventuais problemas e aprimorar processos – por exemplo, na concessão de bolsas – inclui a participação dos representantes dos alunos do Crusp em discussões conjuntas. “Participem do critério conosco, como o DCE fez. Vamos conversar, discutir, aprimorar as metodologias”, defende.

Alimentação – Apesar da greve, que paralisa os restaurantes universitários, a Coseas tem conseguido manter a prática dos anos anteriores de distribuir comida aos moradores do Crusp, de forma a que eles não sejam prejudicados. Desde a primeira semana de maio, a entrega tem sido feita todas as sextas-feiras pela Divisão de Alimentação aos representantes da Associação dos Moradores do Crusp (Amorcrusp), responsável pelo repasse aos alunos.

Estão sendo fornecidos todos os itens do cardápio dos restaurantes universitários, como feijão, arroz, ovos, leite, óleo, sal, açúcar, farinhas, verduras, legumes, frutas e carnes. Na distribuição do dia 27 de maio, por exemplo, foram entregues 450kg de arroz e 240kg de feijão. As quantidades são calculadas para prover 5.400 refeições semanais.

“Mesmo com todas as dificuldades, estamos mantendo o básico da responsabilidade acadêmica, civil e moral de não deixar ninguém em dificuldade alimentar”, diz o professor. De acordo com Waldyr Jorge, o monitoramento das entregas aponta que a necessidade dos alunos está sendo atendida.

A Coseas também tem conseguido manter os pregões e o abastecimento, permitindo que, assim que a greve terminar, as cozinhas dos restaurantes tenham comida para voltar a funcionar normalmente.

(Matéria publicada na edição on-line do Jornal da USP)

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2 Comentários para Tempos difíceis para o apoio ao estudante

  1. leila's Gravatar leila
    8 de junho de 2010 às 19:53 | Permalink

    Tem que haver uma mobilização por parte dos estudantes para acabar com esta “palhaçada”. O Ministério Público tem que ser procurado!

  2. Felipee's Gravatar Felipee
    19 de agosto de 2010 às 19:17 | Permalink

    Não tenho moradia, não tenho como me manter em São Paulo. O que eu posso fazer? Serei preso se eu for pra ocupação? Preciso de uma saída e a ocupação está surgindo no meu horizonte. Acho que a Coseas tem que aumentar o número de auxílios e averiguar dos candidatos a moradia certidão de nascimento de todos os irmãos (muita gente “inventa” irmãos” ). Como vocês vão culpar quem está reivindicando um direito? Tem muita gente precisando, com a permanência ameaçada!

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