Na década de 50, ao pé de uma enorme figueira na alameda Glete, nos Campos Elíseos, em São Paulo, muitos dos primeiros alunos do curso de Geologia da USP iniciaram suas coleções particulares de minerais. Ali, à enorme sombra da árvore, os primeiros professores do curso jogavam as amostras que não iriam utilizar nas aulas. Hoje, a figueira já centenária faz sombra para um estacionamento e os novos alunos ocupam um prédio na Cidade Universitária.

Foto crédito: Ernani Coimbra

Para aqueles que se sentaram sob a figueira da Glete, o momento é de relembrar a juventude e comemorar sua participação na história do Instituto de Geociências (IGc), que completa 51 anos neste dia 18. A lista é grande. São 1.525 profissionais formados ao longo de meio século, muitos dos quais tiveram – e ainda têm – grande atuação não só na vida acadêmica como no próprio desenvolvimento econômico do País.

Para fazer jus a essa história, o IGc organizou uma sessão solene de comemoração de seu aniversário. Realizada no dia 30 de novembro de 2007, no auditório da Escola Politécnica da USP, a sessão emocionou os presentes ao homenagear ex-alunos que seguiram na carreira universitária como docentes e diretores, além de professores de outras unidades que tiveram

Celso de Barros Gomes: cerimônia emocionou geólogos e convidados

uma atuação marcante no curso pioneiro – caso de Aziz Ab'Sáber, geógrafo que integrou o corpo docente inicial junto a outros professores convidados de História Natural (hoje Biologia), Física e Matemática, entre outros cursos.

Também foram homenageados ex-alunos que atualmente ocupam cargos de destaque na iniciativa pública e privada, como Agamenon Dantas – presidente do Serviço Geológico do Brasil, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia – e Carlos Oiti Berbert, coordenador-geral das Unidades de Ensino e Pesquisa do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Brasília – Já entre os nomes de destaque na vida acadêmica, receberam homenagem os geólogos Adolpho José Melfi, reitor da USP entre 2001 e 2005, e Paulo Milton Landim, reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) entre 1989 e 1993 – ambos alunos da primeira turma de Geologia formada na USP, em 1960.

Na lista de ex-diretores do IGc estão nomes como Adilson Carvalho, atual prefeito do campus do Butantã. Aluno da terceira turma de Geologia, ele foi um dos contemplados com a medalha que ostenta, de um lado, a imagem do antigo casarão da alameda Glete que sediou os primeiros anos do curso, e do outro o logo de comemoração do cinqüentenário. Ofertadas pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, as medalhas foram cunhadas em nióbio maciço na Alemanha. “Foi um evento para lembrar alguns nomes que tiveram participação na história das Geociências. Afinal, a história é feita pelas pessoas e se hoje a entidade comemora um marco como este é por causa das pessoas que a compõem”, afirma Carvalho.

Foto crédito: Ernani CoimbraEntre os presentes nas festividades do cinqüentenário estava o professor Celso de Barros Gomes, ex-diretor do instituto (1983-1987) e personagem atuante de sua história desde os tempos em que ingressou como aluno, em 1957. Barros Gomes conta que a criação do curso esteve intimamente ligada ao contexto econômico e político da época, com a fundação da Petrobrás (em 1954) e o plano de metas de desenvolvimento do então presidente Juscelino Kubitschek, que incluía desvendar o potencial econômico das reservas minerais brasileiras, em especial as petrolíferas.

Como parte dos festejos de formatura, os alunos da primeira turma de geólogos brasileiros viajaram de ônibus para Brasília para conhecer pessoalmente o presidente JK. “Na visita, ele reconheceu publicamente a importância da carreira, o que trouxe uma repercussão muito positiva na mídia, principalmente nos jornais”, diz.

Livro – Celso de Barros Gomes foi o organizador do livro Geologia da USP – 50 anos, que, como o título indica, traz algumas aventuras e experiências vividas neste meio século do IGc (leia reportagem sobre o livro na edição 815 do Jornal da USP). A obra teve o patrocínio da Petrobrás, empresa governamental na qual atuaram muitos dos alunos do IGc que contribuíram para alcançar a tão sonhada auto-suficiência brasileira em petróleo.

O lançamento oficial do livro ocorreu na sessão solene de comemoração do cinqüentenário do IGc, no final do ano passado. Como uma eterna lembrança dos primórdios do curso de Geologia, os ex-alunos extraíram uma muda da figueira da Glete que foi plantada na atual sede do Instituto de Geociências, na Cidade Universitária. Quando crescer, a árvore servirá de centro de convivência para os futuros personagens desta história.

 
PROCURAR POR
NESTA EDIÇÃO
O Jornal da USP é um órgão da Universidade de São Paulo, publicado pela Divisão de Mídias Impressas da Coordenadoria de Comunicação Social da USP.
[
EXPEDIENTE] [EMAIL]