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adaptado pela indústria, ainda que requeira um esforço de diversas áreas para torná-lo uma aplicação comercial, principalmente no que se refere ao tamanho dos atuadores e amplificadores e ao seu consumo de energia. “Contudo, se os resultados até agora promissores se confirmarem em aplicações mais complexas, e com a constante demanda por redução de ruído, talvez este se torne no futuro um item comum em veículos”, prevê o engenheiro.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) identifica um considerável número de efeitos colaterais à saúde causados pela exposição ao ruído, que podem ser de ordem psíquica (tensão psicofisiológica, irritabilidade, distúrbio do sono, perda da produtividade ou dificuldade no aprendizado em crianças) ou física (insônia, hipertensão arterial e deficiência auditiva).
O experimento – O ruído é transmitido do compartimento do motor para dentro do veículo não-funcional (mock-up) por meio do painel metálico na carroceria do automóvel (parede-corta-fogo). Então, um sistema de controle ativo é instalado na parede-corta-fogo para reduzir a transmissão de ruído para o interior.
A principal diferença entre controle ativo e passivo é que no controle ativo se subentende o uso de atuadores capazes de introduzir energia no sistema, como é o caso dos alto-falantes, enquanto que, no controle passivo, se utilizam elementos como espuma, por exemplo. “A necessidade do uso de controle ativo surge pela impossibilidade de se tratar a redução de ruído em baixas freqüências com absorvedores passivos e da flexibilidade conferida pelo uso de estratégias de controle ativo”, explica o cientista. “Mas há que se ressaltar que, quando se fala em qualidade sonora, nem sempre a redução do ruído é o objetivo final; às vezes é preciso combinar redução de ruído em algumas situações com o aumento em outras”, acrescenta.
Os testes descritos foram feitos na Bélgica, nos laboratórios de uma empresa que desenvolve softwares e equipamentos de simulação e medidas de ruído e vibração. Os resultados da pesquisa foram expostos na tese de doutorado do engenheiro, defendida em 2007 na EESC, “Controle ativo de ruído em veículos e seu impacto na qualidade sonora”, sob orientação do professor Paulo Sergio Varoto. “Realizei a pesquisa num programa bilateral com a KUL. Lá encontrei não somente receptividade, mas a necessidade de alguém que pudesse trabalhar nesta linha de pesquisa, no contexto de um projeto europeu do qual a universidade e fabricantes como Renault, Volkswagen e Airbus fazem parte”, conta Pisanelli.
Gastos em saúde – Os veículos expõem seus ocupantes a longos períodos de exposição a ruído e vibração, ocasionando os problemas de saúde relatados. Além disso, em pesquisas de opinião com a população em geral, a poluição sonora é apontada como problema com a mesma freqüência que o aquecimento global.
A comunidade européia, por exemplo, vem aumentando o foco de suas legislações na redução de ruído, como relata o pesquisador: “Um relatório indica que 80 milhões de pessoas naqueles países vivem em regiões onde o nível de ruído é considerado inaceitável e 170 milhões, onde o ruído pode causar sério desconforto. E as estimativas apontam para um gasto anual com problemas de saúde relacionados ao ruído nestes locais na margem dos € 12 bilhões/ano.”
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