analisar um amplo leque de fatores de risco da mortalidade perinatal, que inclui os óbitos dos nascidos mortos (a partir da 20a semana de gravidez) e dos nascidos vivos, ocorridos até o sétimo dia de vida. “Procuramos realizar um estudo que pudesse contribuir para explorar as articulações específicas entre diversas categorias, considerando variáveis como as características socioeconômicas e obstétricas das mães, dos serviços de saúde e dos recém-nascidos”, explica.
Foram investigados prontuários de 106 bebês que morreram (casos) e de 312 que sobreviveram (controles), sendo excluídos do estudo apenas os bebês que nasceram com alguma malformação congênita incompatível com a vida, como anencefalia, por exemplo. Dentre os bebês que sobreviveram, 97% tiveram cuidados considerados adequados para seu estado, enquanto que apenas 70% dos que vieram a óbito foram assistidos corretamente.
Síntese – A variável construída para avaliar a adequação ou não da assistência ao recém-nascido é uma síntese das quatro etapas necessárias, sendo que a cada uma delas foi atribuído um maior ou menor peso, com destaque para as duas primeiras (manejo e reanimação e berçário utilizado), consideradas de vital importância. “É preciso observar que nos baseamos nas informações contidas em prontuários. Nem sempre os médicos os preenchem adequadamente, relatando todos os procedimentos realizados. Em geral, encontramos com mais facilidade informações sobre a primeira e a segunda etapa, e com menos freqüência dados sobre as etapas posteriores”, ressalta a médica.
Também foi realizado um estudo de coorte (acompanhamento), em que foram destacados os 195 bebês que nasceram com menos de um quilo e meio. “O baixo peso é considerado um fator de risco, juntamente com idade gestacional menor que 37 semanas, baixa escolaridade materna e realização de menos de seis exames pré-natais”, esclarece a pesquisadora.
Foram comparados os dados dos 91 que morreram com os 102 sobreviventes, e os resultados indicaram que 65% dos que morreram tiveram os cuidados adequados, contra 81% dos que sobreviveram. “Apesar de a execução de todos os cuidados necessários não garantir a sobrevivência dos recém-nascidos, fica claro que uma assistência adequada – principalmente em casos considerados graves – aumenta as chances de sobrevivência”, conclui.
Norma se baseou nas informações encontradas na literatura científica e na recomendação de órgãos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), para construir um algoritmo (fluxograma) destinado a ser utilizado em estudos populacionais. A indicação das medidas sucessivas a serem tomadas de acordo com o estado do bebê foi sistematizada num software, e a médica destaca que o algoritmo construído utiliza condições clínicas plausíveis e apresenta grande viabilidade de aplicação em estudos epidemiológicos.
As conclusões da pesquisa estão expostas na tese de doutorado “Opapel da assistência hospitalar ao recém-nascido na mortalidade neonatal precoce na Região Sul do município de São Paulo: estudo caso-controle”, que contou com a orientação da professora Hillegonda Maria Dutilh Novaes e foi defendida por Norma em 2007 na Faculdade de Medicina.
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