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mais contribui para a geração de conhecimento e para a construção da paz.
O arabista e professor de Língua e Literatura Árabe Mamede Mustafa Jarouche diz que, “no bojo da integração acadêmica”, não há como não dar certa conotação política à decisão de unificar as pesquisas, e pergunta: “Por que só os cursos de árabe e hebraico, e não árabe e chinês, por exemplo?”. Mas em seguida lembra que entre chinês e árabe não há parentesco lingüístico possível, o que já desaconselharia uma fusão no âmbito das pesquisas. Convém lembrar que o Departamento de Letras Orientais abriga, além de Árabe e Hebraico, cursos de Armênio, Chinês, Japonês e Russo.
Mamede, que no momento dedica-se à tradução do que será o quarto volume das Mil e uma noites, considera que a unificação das pesquisas será positiva, “dependendo da maneira que o processo for conduzido”. E será bem conduzido, segundo entende, se houver paridade nas subáreas, independência e justa distribuição de recursos, destinados basicamente ao pagamento de bolsistas e a despesas com equipamentos e publicações. A sua agora subárea publica desde 2004 a revista Tiraz (ornamento em árabe), a única do gênero no Brasil.
As chefes dos cursos de pós em Hebraico e Árabe, respectivamente professoras Suzana Schwarts e Safa Jubran, não mencionam razões de ordem política para a fusão das pesquisas. Safa diz apenas que, durante as discussões, chegou-se a consenso de que as áreas de Árabe e de Hebraico tinham algo em comum por suas línguas serem da mesma família lingüística e por terem algumas linhas de pesquisa que podem ser desenvolvidas juntamente. “Da parte dos cursos, as razões de junção são puramente acadêmicas, almejando a preservação das duas áreas, suas características e identidades específicas, e a promoção de pesquisas que levarão ao desenvolvimento e crescimento de ambas as áreas dentro de um programa único.”
Para a professora Suzana Schwarts, “a fusão vai beneficiar ambos os cursos, aumentando o número total de professores para 14, uma vez concedidos os claros prometidos; a expectativa geral é que suba o número de bolsas, dotações e a nota Capes”. O quadro de pós-graduandos anterior à fusão, lembra Suzana, era este: Hebraico: 35 mestrandos, 13 doutorandos e 3 pós-doutorandos (6 orientadores); Árabe: 18 mestrandos (6 orientadores). Ainda segundo Suzana, o programa unificado se chama Culturas Judaica e Árabe e conta com duas áreas de concentração: Estudos Judaicos e Estudos Árabes. Cada área de concentração conserva suas linhas de pesquisa e sua identidade. A área de Cultura Judaica segue com suas linhas de pesquisa tradicionais: Judaísmo Contemporâneo: Imigração, identidade, pensamento judaico e anti-semitismo; Estudos Medievais, inquisição e cristãos-novos; Literatura judaica e Outras Literaturas e Linguagens Artísticas; Língua Hebraica; Estudos da Bíblia Hebraica; e Literatura Hebraica.
Linhas de pesquisa – Além dessas, informa, três linhas de pesquisa conjuntas foram criadas: Árabe e Hebraico no Contexto das Línguas Semíticas, linha da qual nasce a disciplina Árabe e Hebraico: Comparação Morfológica, que será ministrada pela professora Safa Jubran (área de concentração: Estudos Árabes) e pelo professor Reginaldo de Gomes Araújo (área de concentração: Estudos Judaicos); Literaturas Árabe e Judaica da Ibéria Medieval, linha da qual nasce a disciplina Poesia Árabe e Judaica na Península Ibérica Medieval, ministrada pelo professor Michel Sleiman (área de concentração: Estudos Árabes) e pelo professor Moacir Amâncio (área de concentração: Estudos Judaicos); Pensamento Medieval Árabe e Judaico, linha da qual nasce a disciplina Averróis e Maimônides, Filosofia e Religião, que será ministrada pelo professor Miguel Attie Filho (área de concentração: Estudos Árabes) e pelo professor Moacir Amâncio (área de concentração: Estudos Judaicos). Para a chefe da pós-graduação na subárea de hebraico, a criação das linhas de pesquisa conjuntas e das novas disciplinas fortalecerá o programa como um todo e consolidará suas possibilidades de expansão na FFLCH.
A propósito das pesquisas conjuntas, Safa Jubran pondera que, “além das linhas de pesquisa e disciplinas oferecidas pelas áreas de concentração do programa, há neste início três linhas comuns a ambas as áreas e três disciplinas que serão oferecidas por docentes de ambas as áreas, o que atesta a afinidade que ambas as áreas têm”. Segundo a professora, “além das vantagens de cunho acadêmico e da produção do saber, há outras funcionais, pois com o aumento do número de docentes orientadores e do número de orientandos o programa tem a oportunidade de crescer e dialogar com seus congêneres nas outras universidades do mundo, trazendo à USP o privilégio de ser a única instituição do país a oferecer um programa dessa natureza”.
Ainda a propósito das inovações, Safa diz que as linhas de pesquisa foram reformuladas, tornando-as mais adequadas à proposta do programa. “São abrangentes e cobrem os múltiplos projetos de pesquisa que estão sendo desenvolvidos por docentes e alunos. E, o mais importante, primam pela interdisciplinaridade que é o estado de arte atual.”
A última avaliação da Capes deu ao Programa de Língua, Literatura e Cultura Árabe, assim como ao programa de Hebraico, a nota 4, máxima para programas só com mestrado. Segundo Safa, antes da fusão dos programas, o de Árabe já estava se preparando para encaminhar o pedido de credenciamento do curso de doutorado.

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