Certificação e sustentabilidade: Uma análise Crítica

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A leitura crítica e objetiva de indicadores de desempenho ambiental revelou um cenário com as mais diversas métricas geradas em organizações sociais e adotadas por empresas em vários países. O leitor encontrará nessas páginas seis estudos que analisam certificações de sustentabilidade ambiental adotadas por empresas. Seus autores são pós-graduandos da disciplina Estratégias Empresariais e Mudanças Climáticas, ministrada no programa de pós-graduação em Administração da FEA/USP em 2012. Os estudos que compõem este trabalho buscam atestar a consistência em tais indicadores, mas igualmente contribuir para o seu aperfeiçoamento, pois há notórias falhas a corrigir.

Como citar este trabalho

MARCOVITCH, Jacques (Org.). Certificação e sustentabilidade ambiental: uma análise crítica. São Paulo, 2012. Disponível em: http://www.usp.br/mudarfuturo/cms

Introdução

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As políticas ambientais ainda são apresentadas com um viés predominantemente qualitativo, omitindo indicadores que quantifiquem a realidade a ser transformada e metas para alcançar objetivos. Vem se tornando quase uma conduta padrão nas declarações das Conferências das Partes o recurso às subjetividades do fraseado, em prejuízo de compromissos ou formas para cumpri-los.


ISO14001 e a sustentabilidade. A eficácia do instrumento no alcance do desenvolvimento sustentável

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A norma ISO 14001 estabelece um sistema de gestão ambiental (SGA) e, apesar de críticas, sua adoção tem aumentado – já existem mais de 250 mil certificados no mundo. Neste trabalho, são citados exemplos de grandes empresas que possuem a certificação, sendo detalhado o exemplo de uma companhia do ramo de Tecnologia da Informação, setor que tem ganhado importância quando o assunto é emissão de gases de efeito estufa e resíduos. A empresa é certificada ISO 14001 e tem a sustentabilidade como princípio de gestão. Foi possível concluir que utilizar corretamente a ISO 14001 é um importante passo para o desenvolvimento sustentável ao permitir o estabelecimento de um SGA, ao auxiliar no cumprimento de legislações ambientais, entre outros.


A certificação FSC e sua eficácia no alcance da sustentabilidade da empresa: Um estudo de caso na Klabin

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O setor florestal é o terceiro maior emissor mundial de gases de efeito estufa. A falta de habilidade dos governos nacionais em lidar com o problema incentivou a criação, em 1993, do Forest StewardshipCouncil (FSC), uma organização não governamental com foco na gestão responsável de florestas. Este estudo tem como objetivos conhecer o FSC e verificar sua eficácia no alcance da sustentabilidade na empresa. A revisão da literatura foi sucedida por uma análise da certificação na Klabin, produtora de papel e madeira. Conclui-se que o FSC promove melhorias dentro de seu escopo de produtos florestais, mas seu impacto não é mensurável e não há foco no combate às mudanças climáticas.


Global reporting initiavive – GRI, para monitorar a sustentabilidade da empresa: Uma avaliação

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O presente estudo é sobre um Relatório de Sustentabilidade com base nas Diretrizes do Global Reporting Initiative – GRI, e consiste na descrição da sua origem, a forma de obtenção e divulgação dos dados bem como a forma de comprovação dos critérios para os níveis de aplicação. Inclui também o conteúdo do relatório, composto de indicadores de desempenho e outros itens de divulgação, além de orientações sobre temas técnicos específicos relativos à elaboração do relatório. Os resultados do estudo apontam mudanças consideradas significativas em processos e práticas internas na organização estudada, mas as iniciativas carecem de quantificação, para efetiva análise do impacto dessas questões no balanço da empresa.


ISE-Índice de sustentabilidade empresarial. Abordagem crítica sobre processo de seleção da carteira

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O ISE é um instrumento de mercado da BM&F/BOVESPA e tem como objetivo reunir empresas que se destacam entre as 200 com ações mais líquidas listadas na Bolsa e que possuem propósitos em tornar seus negócios sustentáveis. Essas empresas respondem a um questionário de avaliação estruturado em sete dimensões sobre gerenciamento de recursos e riscos. A proposta desse ensaio é realizar uma abordagem crítica sobre o processo de seleção do ISE. A investigação sugere que, embora o índice tenha um longo caminho a percorrer no sentido de tornar-se um benchmark, ainda não convenceu parte dos investidores de que é a melhor referência para aplicações em companhias com as mais destacadas práticas sustentáveis. Existem, também, críticas quanto à complexidade do processo de formação de sua carteira, visto que a BM&FBOVESPA se utiliza de informações transmitidas pelas próprias empresas, e não apenas dos dados públicos. É importante que se verifique, também, que, além das perspectivas futuras para o ISE, está em pauta, com maior relevância, um processo de evolução e aprendizado do próprio mercado dos investimentos sustentáveis no Brasil, no qual os ganhos de visibilidade com relação à imagem das empresas, mesmo que transitórios, possam tornar factível o lucro sustentável.


CDP – Carbon Disclosure Project e sua aplicação no Brasil

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O artigo em pauta faz uma análise do instrumento para medições de GEE – Gases Efeito Estufa, desenvolvido pela entidade não governamental CDP – Carbon Disclosure Project, sediada na Inglaterra, que vem ganhando o respeito mundial de grandes investidores e da comunidade acadêmica e governamental ligadas ao meio ambiente e a sustentabilidade. O estudo analisa seu modus operandi, por meio de informações disponibilizadas pelo órgão e por informações cedidas pela sua representante na América do Sul, e apresenta suas forças e fragilidades por meio de comentários obtidos em órgãos independentes que permitem algumas conclusões a respeito de sua utilização como ferramenta de medição de carbono. O principal comentário é de que o instrumento carece de maior confiabilidade por não incorporar sistema de auditoria das informações prestadas, o que enfraquece sua aplicação, embora esteja sendo bem aceito na comunidade empresarial como apoio às decisões de investimentos que envolvem riscos ambientais.


Análise dos indicadores ETHOS como ferramenta de gestão da responsabilidade socioambiental empresarial

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Com o objetivo de auxiliar as empresas na incorporação de aspectos do desenvolvimento sustentável, surgiram diversas ferramentas baseadas em métricas. Este trabalho aborda a adoção dos Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial com o intuito de discutir sua adequação e eficácia na gestão das empresas em busca da sustentabilidade. Uma análise crítica foi construída com base em documentos, entrevistas com especialistas e exemplo de uma empresa. Observou-se que os Indicadores Ethos foram essenciais para a evolução do tema no Brasil e há muitos benefícios em sua utilização, principalmente para organizações em estágio de aprendizagem. Como sua eficácia depende do comprometimento interno da organização, mostrou-se insuficiente para assegurar o alcance do desenvolvimento sustentável, uma vez que se torna iminente a necessidade de maior “enforcement” sobre as organizações.