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Maestro Camargo Guarnieri

Mozart Camargo Guarnieri
nasceu no dia 1 de fevereiro de 1907, na cidade de
Tietê, no estado de São Paulo. Filho de músico, iniciou
seus estudos de teoria musical aos 10 anos de idade com
o professor Virgínio Dias, a quem dedicou “Sonho de
Artista”, sua primeira composição.
Em 1923 a família mudou-se para São Paulo. A partir de
1924 Guarnieri passou a estudar piano com Sá Pereira e
Ernani Braga. De 1926 a 1930 estudou composição e
direção de orquestra com o italiano Lamberto Baldi.
Camargo Guarnieri começou a escrever música regularmente
após a Semana de Arte Moderna, iniciando-se como
compositor essencialmente brasileiro em 1928, aos 21
anos, quando compôs a Dança Brasileira e a Canção
Sertaneja. Chegou a submeter essas duas obras a Mário de
Andrade, então o mais importante intelectual da época,
que tornou-se mestre de Guarnieri. Essa relação
mestre-discípulo se alongou por muitos anos.
O maestro foi contratado em 1937 pelo Departamento de
Cultura da Cidade de São Paulo, dirigido, na época, por
Mário de Andrade. Em 1938 recebeu uma viagem para a
Europa do Conselho de Orientação Artística do Estado de
São Paulo. Em Paris estudou contraponto, fuga,
composição e estética musical com Charles Koechlin,
regência de orquestra e de coros com François Rühlmann,
maestro da Orquestra da Ópera de Paris na época, além de
realizar uma audição de suas obras na série Revue
Musicale, retornando ao Brasil em 1939, em decorrência
da II Guerra Mundial.
Em 1942 fez sua primeira viagem aos Estados Unidos, onde
realizou um concerto com a Orquestra League of Composers
of New York e dirigiu a Orquestra Sinfônica de Boston a
convite de Sergey Koussevitzky.
De 1955 a 1960 foi assessor técnico de assuntos musicais
do Ministério da Educação e Cultura.

Durante toda sua vida
Guarnieri acumulou prêmios e ocupou altos cargos no
cenário da música nacional e internacional.
Diferenciando-se de seus antecessores e mesmo de
contemporâneos, Camargo Guarnieri não “veio” da música
européia para a brasileira, pelo contrário, iniciou-se
já envolvido em música brasileira. Compôs vasta obra em
todos os gêneros, atingindo um número de mais de
setecentas peças.
Grande apreciador da música de Brahms, devoto de Bach,
além de admirar Mozart de tal maneira que deixou de
assinar seu primeiro nome em respeito ao mestre. Ficava
furioso quando alguém o chamava de Mozart ou cometia o
"crime" de colocar seu nome completo em um programa de
concerto ou capa de disco.
Foi criador e diretor do Coral Paulistano, idealizou o
1º Festival de Campos do Jordão, foi diretor da
Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, regente
titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica da
USP desde a sua criação, em 1975, e membro fundador da
Academia Brasileira de Música, da qual foi presidente.
Regeu as mais importantes orquestras estrangeiras. Foi
membro do júri dos mais importantes concursos
internacionais, além de ter sido agraciado com inúmeros
prêmios, condecorações e medalhas, somando mais de cem
títulos nacionais e estrangeiros, e ainda premiado em
mais de 10 concursos nacionais e internacionais de
composição.
Camargo Guarnieri faleceu em 13 de janeiro de 1993, aos
85 anos, em São Paulo, logo após ter sido agraciado com
o prêmio “Gabriela Mistral”, pela OEA (Washington), com
o título de “Maior Compositor Contemporâneo das Três
Américas”.
(Texto baseado nos
escritos de Vera Guarnieri)
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