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Matérias publicadas sobre a OSUSP

A Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo apresenta seu concerto inaugural neste domingo, às 16h, na Sala São Paulo, executando obras de Beethoven, Schumann e Finzi

STELLA BONICI

Fundada em 1975, a Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (Osusp) tem o papel de estimular a educação e a cidadania, em sentido amplo, através da música. Entre suas principais propostas estão passar o legado de grandes mestres e apresentar novas propostas e estilos ao público da Universidade e de fora dela. Vencedora do Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra do Ano, em 2006, e com cinco CDs e um livro lançados, a Osusp é, hoje, uma das mais importantes do Brasil. Neste domingo acontece o concerto inaugural da sua Temporada 2014, que traz como regentes principais os brasileiros Wagner Polistchuk e Ricardo Bologna.
Neste ano, a orquestra está com número de músicos reduzido, e um dos critérios de escolha de repertório reflete esse ponto. O outro fator que influenciou a escolha das obras foram os solistas convidados, que possuem um acervo especializado nas obras de grandes compositores. A temporada vai contar ainda com mais três regentes convidados, Luiz Fernando Malheiro, maestro brasileiro do Theatro da Paz (Manaus), que participa do concerto de agosto, o alemão Nicolás Pasquet, que marca presença em setembro, e Johannes Schlaefli, suíço que comanda a orquestra em outubro. Schlaefli e Pasquet já regeram a Osusp em anos anteriores, gerando uma certa unidade no grupo. Além disso, o professor e diretor administrativo da orquestra, Edson Leite, pensa na possibilidade de oferecer masterclasses na vinda desses grandes nomes da música clássica, como já foi feito. “É um jeito de realçar a vinda deles ao Brasil, não só através da atuação como regentes, mas também como professores de regência”, afirma.
O primeiro concerto da temporada tem regência de Polistchuk e o clarinetista Ovanir Buosi (Osesp), como solista convidado. A apresentação começa com Abertura Leonora (1806), de Beethoven, segue com Concerto para Clarinete (1949), de Gerald Finzi, e termina com Sinfonia nº 3 (1850), de Robert Schumann, também chamada de “Sinfonia Renana”. A obra de Beethoven foi elaborada após algumas tentativas de aberturas para a Ópera Fidélio. “A nº 1 e a nº 2 não deram muito certo, a nº 3 funcionou, mas ele reformou a obra mais uma vez, e acabou fazendo a abertura Fidélio, que talvez seja a abertura mais conhecida, mais importante, de ópera de Beethoven”, conta o diretor da Osusp.
Finzi já é um compositor mais contemporâneo. O londrino viveu de 1901 a 1956 e a obra de sua autoria que será executada já foi apresentada algumas vezes no Brasil, mas ainda é pouco conhecida. Quanto à “Sinfonia Renana”, apelido que veio devido ao subtítulo inicialmente previsto por Schumann, “Episódio de uma vida nas margens do Reno”, explora todos os sentimentos que o rio alemão pode evocar na alma dos seus conterrâneos, através do caráter melódico e quase folclórico.


Programação –
 Os solistas de destaque do restante da temporada são Ah Ruem Ahn, da Coreia do Sul, Anna Skalova, dos Estados Unidos, e Karin Fernandes, do Brasil. A sul-coreana é pianista e foi vencedora de um Prêmio de Piano Santander, realizado na Espanha. Através de um contato com a fundação Rainha Sofia, o diretor da Osusp descobriu seu talento, e quis convidá-la para se apresentar junto à orquestra. “É importante, para nós, trazermos novos talentos que estão decolando no mundo”, afirma. Anna Skalova é violinista especializada na obra de Michael Daygherty, do qual vai executar Fire and Blood (2003), homenageando os 60 anos do compositor americano. Karin, que já tocou e até chegou a gravar com a Osusp, também é pianista – premiada em 21 concursos de piano, em 1999 venceu por unanimidade do júri o 10º Prêmio Eldorado de Música, e em 2012 foi uma dentre os três finalistas do Prêmio Bravo Bradesco Prime de Cultura, com o CD Baqte Ensemble.
Destaque ainda para o concerto de novembro, que apresenta um programa apenas com compositores latino-americanos. Serão executadas obras como Dança Brasileira (1928) e Choro para Piano e Orquestra (1956), de Camargo Guarnieri, que foi, inclusive, o primeiro regente da Osusp, La Muerte del Angel (com arranjo de José Bragato), de Piazzola, e Tributo a Portinari (1992), autoria de Guerra-Peixe. Em dezembro, o concerto de encerramento conta com a participação do Coralusp e dos cantores líricos Natália Aurea (soprano), Clarissa Cabral (mezzo soprano), Eric Herrero (tenor) e Erick Eduardo Souza (baixo), que interpretam a Sinfonia nº 9 (1824), de Beethoven.

A abertura da Temporada 2014 da Osusp acontece neste domingo, às 16h, na Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16, tel. 3367-9500), com valores de ingresso de R$ 13,00 a R$ 63,00. O concerto também ganha uma apresentação em versão reduzida nesta sexta, às 12h, na Tenda Cultural Ortega y Gasset (Praça do Relógio, s/nº, Cidade Universitária, tel. 3091-1933), com entrada gratuita. A programação completa pode ser conferida pelo site www.usp.br/osusp/calendario_maio_2014.html, e os ingressos avulsos e assinaturas devem ser adquiridos pelo site www.ingressorapido.com.br.

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O sonho de Guarnieri

MÚSICA

Prestes a completar 40 anos de atividades, Orquestra Sinfônica da USP é retratada no livro Memórias Osusp

PAULO HEBMÜLLER

A primeira experiência de criação de um grupo de música erudita na USP veio à luz em 1945, quando a Universidade mal completara sua primeira década. A Orquestra Universitária de Concertos teve vida curta, realizando atividades somente até 1953. Mas o sonho se manteve nos anos seguintes, até que uma portaria de 1972, assinada pelo então reitor Miguel Reale, criou a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp). A concretização da iniciativa, no entanto, só viria mesmo em 1975, quando o compositor Camargo Guarnieri, nomeado diretor artístico e regente, percorreu o País procurando músicos de alto nível para integrar a formação.

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Maestro Camargo Guarnieri: orgulho

Às vésperas de completar 40 anos, a orquestra tem sua trajetória celebrada em Memórias Osusp, livro comemorativo escrito por Edson Leite, professor titular da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e diretor da Osusp desde 2010. “O livro elucida o percurso da orquestra no bojo da história da USP, revelando o quanto as suas realizações foram ritmadas pelo movimento de aprimoramento da Universidade, como o desenvolvimento de ambas é autoiluminador”, afirma na apresentação do volume a pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária, Maria Arminda do Nascimento Arruda.
O livro, em edição bilíngue português/inglês, traz fotos históricas e reproduções de programas dos concertos da Osusp ao longo dos anos. Também estão presentes as biografias dos regentes, diretores e spallas que passaram pela orquestra ao longo dessas quatro décadas, além de informações sobre obras executadas, solistas e regentes convidados, e músicos e servidores que construíram a história da orquestra.

Orgulho – O limite e a variedade dos instrumentos das formações orquestrais vêm mudando continuamente nos últimos quatro séculos. Em 1607, Claudio Monteverdi foi pioneiro na definição de quais instrumentos deveriam tocar em cada passagem na execução de sua ópera L’Orfeo. O compositor inaugurou assim a indicação precisa dos “timbres de uma obra com orquestra, estabelecendo os instrumentos que comporiam o conjunto orquestral”, aponta Leite. Até então, cabia ao diretor musical a escolha dos instrumentos, a partir da disponibilidade do grupo de cada local em que uma peça fosse apresentada.
Mundo afora, as universidades também constituíram suas orquestras, baseadas em dois modelos: um é o do grupo vinculado ao curso de Música e cujo objetivo principal é o da prática dos estudantes. O outro é o de uma formação profissional, com estrutura e quadros efetivos de músicos e servidores. A Osusp foi originalmente concebida como exemplo do primeiro modelo, vinculada ao Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, com direção de Olivier Toni. No entanto, da publicação da portaria de 1972 até a concretização da iniciativa, três anos depois, o projeto foi alterado. Toni se transformaria no primeiro professor do departamento, do qual a orquestra seria desvinculada para se transformar num órgão diretamente ligado à Reitoria e, mais tarde, à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária.

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A Orquestra Universitária de Concertos, extinta em 1953: precursora

O primeiro concerto da Osusp, em 28 de novembro de 1975, apresentou ao público obras de Corelli, Mozart, Tansman, Villa-Lobos e Hindemith. O corpo musical contava apenas com instrumentos de cordas: oito primeiros violinos, sete segundos, seis violas, cinco violoncelos e quatro contrabaixos. Camargo Guarnieri regeu o concerto no Anfiteatro de Convenções e Congressos da Cidade Universitária, posteriormente rebatizado com seu nome.
Ao lado do regente assistente Ronaldo Bologna, o maestro dirigiu a consolidação do conjunto sinfônico, incorporando outros naipes de instrumentos e preocupando-se com a formação dos jovens músicos. Uma reportagem publicada por uma revista, ainda em 1975, registra a crença do diretor de que “os moços só aprenderão a dirigir ou atuar numa orquestra tendo contato com ela”. No caso da Osusp, esses novatos se beneficiaram adicionalmente de acompanhar o próprio nascimento da orquestra, o que Guarnieri definia na reportagem como algo “mais difícil que o parto de um elefante”. “Depois de ter se apresentado à frente de tantas grandes orquestras, a ‘sua’ orquestra era seu grande orgulho, seu grande prazer. Junto a ela permaneceu até o início de 1993, quando faleceu”, escreveu sua esposa, Vera Silvia, no encarte de um CD comemorativo dos 30 anos da Osusp, em 2005.

Tensão essencial – O “parto difícil” foi o início de um caminho que levou a Osusp a palcos e festivais no Brasil e em outros países; a registrar gravações de concertos e obras em LPs (o primeiro, em 1984) e CDs (desde 1996); a desenvolver programas especiais, séries didáticas e cursos na USP e fora dela. Desde 2004 a orquestra se apresenta regularmente na Sala São Paulo, e em 2006, sob a direção do maestro Carlos Moreno, recebeu o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra do Ano no Brasil.
Edson Leite não deixa de registrar os momentos de tensão enfrentados pela Osusp – como quando, ainda no seu início, questionava-se na Universidade se fazia sentido manter um grupo sinfônico profissional, ou quando a reforma do anfiteatro, ainda em andamento, privou a orquestra de seu principal local de ensaios e apresentações. “Esses momentos forjaram um grupo firme, atento à sua missão artística e ao seu dever de propagar a boa música com o alto grau de excelência que a distingue como um dos melhores e mais consistentes grupos orquestrais do Brasil”, considera. Missão que remete ao que dizia João Alexandre Barbosa (1937-2006), professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária entre 1990 e 1993 – “a música aponta sempre para essa tensão essencial: lembra ao homem tanto a sua pequenez quanto a sua grandeza”.

Memórias Osusp, de Edson Leite, 162 páginas. Distribuição gratuita a unidades da USP, bibliotecas e outras instituições. Interessados podem procurar informações pelos telefones (11) 3091-2392 e 3091-3063 e e-mail sinfonica@usp.br.

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OSUSP consegue destaque apesar de dificuldades

por  Camila Berto / Jornal do Campus da USP

Mesmo sem espaço para ensaios no campus e com escassez de profissionais, o conjunto musical expande suas atividades para além da Universidade.

Há quase 40 anos a USP conta com uma orquestra profissional própria, a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp). De 1975 para cá, ela se aperfeiçoou e ganhou novos instrumentos. Apesar de  não ter o número ideal de músicos contratados e de seu espaço de apresentações estar em  reforma, a Osusp conseguiu se destacar no meio musical, fazendo diversos concertos em palcos fora da Universidade.

A orquestra conta hoje com 42 músicos contratados, mas as peças musicais podem ser tocadas até por 100 profissionais. Edson Leite, diretor da Osusp, destaca um problema quanto à falta de músicos efetivos. Segundo ele, ao longo do tempo, a orquestra ganhou tamanho, mas com a participação de músicos extras, pagos para algumas apresentações. “A ideia é completar o projeto inicial da orquestra, que é ter uma sinfônica romântica capaz de tocar qualquer repertório”.

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Orquestra Sinfônica da USP: Notas de um ensaio

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O violoncelo e a música contemporânea brasileira são enfoque de novo livro

VIOLONCELO XXI: estudos para aprender a tocar e apreciar a linguagem da música contemporânea (São Paulo: Editora Urbana, 2012) é fruto da colaboração entre os professores Teresa Cristina Rodrigues Silva (Orquestra Sinfônica da USP), Felipe Avellar de Aquino (UFPB) e Fábio Soren Presgrave (UFRN), organizadores do livro. O projeto foi idealizado com o objetivo de introduzir a linguagem e a estética da música contemporânea para os alunos de violoncelo, explorando peças de compositores brasileiros.

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O Estado de São Paulo, 5 de maio de 2010
João Luiz Sampaio

Amor e ódio
Tosca com bom desempenho musical abre ano do São Pedro

Há diversas possibilidades de leitura da Tosca, de Puccini. Em sua narrativa das desventuras amorosas entre a personagem-título e o pintor revolucionário Mario Cavaradossi, atazanados pelo chefe de polícia Scarpia, cabem considerações sobre a natureza do amor, ciúmes, ódio; sobre os caminhos do desejo; e até mesmo sobre a relação entre o indivíduo e a política. Seja como for, a ópera, que abriu na semana passada a temporada do Teatro São Pedro, entrou para o repertório como símbolo da investigação da relação teatral entre texto e sons na construção do drama musical - e ajudou a fazer de Puccini um marco fundamental no desenvolvimento do gênero operístico, na companhia de Mozart, Verdi e Wagner.

Talvez por isso decepcione um pouco a montagem assinada por Fernando Bicudo, sem grandes atrativos na concepção ou direção de atores. E, nos cenários e figurinos, peca pelo excesso - menos, afinal, pode ser mais, em especial em um palco pequeno como o do São Pedro e em uma ópera que já carrega na música e no texto tantos significados. Talvez aqui haja um paradoxo, é verdade. Mas Bicudo passa batido por ele em uma leitura em alguns momentos anacrônica.

É preciso, portanto, voltar à música para encontrar o que o espetáculo teve de melhor, oferecendo olhar repleto de frescor à partitura. Em boa forma e desenvoltos em cena, o tenor Rubens Medina, como Cavaradossi, e o barítono Rodrigo Esteves, como Scarpia, foram o que de melhor o espetáculo ofereceu vocalmente. Medina tem um timbre de cor escura, que garante belos efeitos, em especial nas passagens mais líricas, mas se sai bem nos momentos de tom mais heroico, no primeiro e segundo atos. Esteves é um Scarpia de voz mais leve do que o comum. Mas é um cantor inteligente, musical, que constrói de maneira equilibrada a personalidade do chefe de polícia, elegante e sinuosa, seja na ária do primeiro ato como em toda a sequência do segundo ato, em que tortura psicologicamente Tosca. O ponto mais fraco foi a Tosca da soprano Ana Paula Brunkow. A voz é bonita, corre bem nos agudos, mas na região mais grave tem problemas de emissão que levam a um uso excessivo do parlando - a técnica de falar cantando -, que acaba soando um pouco artificial, como na última cena, em que Tosca se joga do alto do castelo para fugir da polícia. E a pouca desenvoltura como atriz acaba comprometendo momentos musicais de resto interessantes, como a célebre ária Vissi D"Arte.

Drama. A boa surpresa veio do fosso orquestral, com a presença da Sinfônica da Universidade de São Paulo em sua primeira ópera completa no teatro. À frente do grupo que assumiu no final do ano passado, a maestrina Lígia Amadio mostrou-se muito à vontade com o repertório operístico. Ela constrói bem os grandes momentos musicais, solta a orquestra quando deve, dá espaço aos cantores na hora certa e conduz com eficácia o passo dramático do espetáculo. Há momentos de tirar o fôlego, como a construção do clímax do segundo ato ou toda a sequência que vai da ária do tenor no terceiro ato até a cena final, passando pelo dueto de amor, em que contrastes surgem do lirismo que compete a todo instante com o clima tenso da fuga dos amantes. A leitura de Ligia, no final das contas, tem a urgência que falta à concepção cênica.

Por isso mesmo, Tosca foi um início de temporada auspicioso. A presença de uma orquestra profissional no fosso fez diferença. E a partir do próximo título - um Rigoletto, de Verdi, em junho-, já estará em funcionamento, promete o governo do Estado, a orquestra residente do Teatro São Pedro, o que tem tudo para dar consistência musical à temporada. É uma reivindicação antiga. E chega em boa hora. Afinal, com o Municipal ainda fora de combate, resta ao público seguir em caravana para a Barra Funda.

Fonte:  http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100505/not_imp547021,0.php


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Autoridades prestigiaram concerto comemorativo

Jorge Vasconcellos, da assessoria de imprensa da Reitoria

As comemorações dos 75 anos da USP tiveram no último domingo, 25 de janeiro, um de seus principais momentos.

Com a presença de diversas autoridades, além de personalidades representativas da comunidade uspiana, foi realizado o Concerto Comemorativo da Orquestra Sinfônica da USP e do Coral da Universidade, regidos pelo maestro Julio Medaglia, no Teatro Alfa.

No evento, foi apresentado o inédito Hino da USP, composto pelo poeta Paulo Bomfim e com música do maestro Medaglia, além de diversas outras peças musicais. Entre as autoridades, o ministro da Educação, Fernando Haddad, representando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Estado de São Paulo, José Serra, e o prefeito da cidade, Gilberto Kassab.

“A Universidade de São Paulo completa hoje 75 anos de uma vida profícua dedicada ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária. É uma data especial também para a cidade de São Paulo, que hoje comemora os seus 455 anos de uma jornada marcada por muitos desafios, mas, também, por indizível progresso”, afirmou a reitora Suely Vilela. 

A reitora destacou que a criação da USP foi a resposta de afirmação do Estado de São Paulo, logo após a Revolução Constitucionalista de 32, marcando a consolidação de um novo modelo de universidade no Brasil. 

“Tenho grande alegria de estar hoje, como prefeito de São Paulo, não apenas participando dos festejos dos 455 anos da cidade de São Paulo, mas como prefeito de São Paulo participando do aniversário de 75 anos da nossa USP, a Universidade de São Paulo, a minha universidade”, declarou Gilberto Kassab, que é graduado pela Escola Politécnica.

O ministro da Educação Fernando Haddad, que já possui longa carreira como aluno e docente na USP, afirmou que gostaria de “mais do que representar o presidente prestar um depoimento pessoal, não como professor da Universidade de São Paulo, mas como ex-aluno”.

“Estou aqui hoje com muita alegria, com muita satisfação, me lembrando que quando eu entrei na Universidade ela tinha 26 anos de idade e, hoje, está fazendo 75. É bem verdade que eu era o mais novo da minha turma”, brincou o governador José Serra. “Eu não pude concluir a Escola Politécnica, mas não foi por ter sido reprovado, foi por causa do Golpe Militar de 1964, que me obrigou a sair do Brasil”, completou.

Durante a cerimônia, a reitora Suely Vilela prestou homenagem ao poeta Paulo Bomfim e ao maestro Julio Medaglia, oferecendo a cada um dos autores do Hino da Universidade de São Paulo um troféu que reproduz a Praça do Relógio, símbolo da mais importante universidade da América Latina.

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Estado de S. Paulo, Caderno 2, 26 de setembro de 2008 

Aplausos a violino pouco ortodoxo

Nicholas Koeckert tirou o melhor de seu instrumento em concerto com a Osusp

O que é melhor para iniciar um concerto do que a 1812? Digam o que disserem os seus detratores, para os quais ela é o supra-sumo do kitsch, é tão grande o fervor patriótico de Tchaikóvski, nessa peça em que o Hino do Tsar põe a Marselhesa literalmente para correr, que o seu efeito é contagiante. Sobretudo quando ela é executada com todo o entusiasmo, como foi terça-feira, pela Sinfônica da Universidade de São Paulo, em seu concerto sob a regência do maestro búlgaro Emil Tabakov. Só faltaram canhões de verdade!

O som que o violinista Nicholas Koeckert tira de seu instrumento é sonoro, cheio, rico em harmônicos, e isso beneficiou a enunciação das sinuosas cantilenas do Concerto em Ré Maior op. 35, de Tchaikóvski, de cujos aspectos virtuosísticos o solista teve também controle muito seguro. Foi de grande impacto o modo como Koeckert conduziu o Allegro moderato, em especial passando com desenvoltura pelos efeitos de cordas duplas, arpejos, trinados e ritmos pontuados da cadência, fazendo com que a platéia o aplaudisse muito no fim do primeiro movimento. Pouco ortodoxo? E daí? Foi merecido!

Bem apoiado por Tabakov e a Osusp - que, superadas certas irregularidades entre os naipes, perceptíveis na primeira peça, teve um rendimento muito mais homogêneo nessa segunda peça -, Koeckert desenhou com extremo cuidado a nostálgica melodia, de estilo vocal, da Canzonetta. E atacou animadamente o Allegro vivacíssimo final, no qual se sobressaiu o contraste do breve episódio lírico, introduzido por floreios das madeiras, que precede o arrebatamento final da coda. Dessa mistura de expressividade e desenvoltura técnica Koeckert deu novamente provas, no extra, tocando o Recitativo e Scherzo, de Fritz Kreisler.

Dentre as 15 sinfonias de Dmitri Shostakóvitch, a mais original é sem dúvida a nº 6 em si menor op. 54. Dita a "sinfonia sem cabeça", porque não tem primeiro movimento - e nisso já vai uma intenção satírica pois, na URSS de Stálin, o que não se podia era ter cabeça e pensar de forma independente -, a nº 6 é composta de duas partes de estilo tão contrastante, que elas não parecem pertencer à mesma obra.

A primeira, um Largo de grande beleza melódica, que Tabakov moldou com extrema atenção aos contrastes - e aqui se destacaram as inúmeras contribuições dos solistas dentro da orquestra - é atormentada, pesada, depressiva. É a imagem da vida como ela é, numa realidade sufocantemente totalitária, e se extingue em uma coda solene e patética, em que a desolada declamação da trompa, sobre esparsos trinados das cordas, foi tratada com grande dramaticidade por Tabakov.

A segunda parte é formada pelos dois movimentos seguintes, que evocam a vida como o Estado quer que ela seja, marcada por aquela "alegria obrigatória" que o indivíduo precisava ter, da qual Nadiêjda Mandelshtám falava em suas memórias. 

O Allegro é um scherzo de vivacidade seca e cáustica, mas interrompido por um episódio intermediário assustador em sua cega violência. E o Finale presto, de deliberada vulgaridade, com seu tom circense, de mau gosto, é de um deboche escrachado. 

A única forma de alegria que se consegue ter, parece nos dizer Shostakóvitch, é a alegria de bêbado, que precisa encher a cara de vodca para suportar a realidade. Aqui também foi muito virtuosístico o desempenho que Tabakov obteve dos músicos da Osusp, tanto nos solos da seção intermediária do Presto, quanto na paródia de galope rossiniano com que a sinfonia se encerra.

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Folha de S. Paulo, Acontece, 26 de junho de 2007

Osusp faz homenagem a Toscanini

Para marcar os 50 anos da morte do regente italiano, programa apresenta óperas em trechos orquestrais, árias e duos


Maestro Carlos Moreno rege concerto com Mozart, Verdi e Puccini; solistas são a soprano Rosana Lamosa e o tenor Fernando Portari

João Batista Natali
Da reportagem local

Em janeiro último, o mundo completou 50 anos sem Arturo Toscanini (1867-1957), consensualmente um dos gênios na história da música erudita. Mas foi uma efeméride silenciosa. Quase passou em branco. O maestro Carlos Moreno e a Orquestra Sinfônica da USP representarão hoje à noite uma honrada exceção, em concerto que homenageará o regente italiano na Sala São Paulo. O programa trará óperas em trechos orquestrais, árias e duos. Os solistas, ambos veteranos e excelentes, serão a soprano Rosana Lamosa e o tenor Fernando Portari. Toscanini regeu praticamente todo o repertório clássico e romântico que tinha à disposição em seu tempo. Isso torna um pouco árdua a montagem de um programa. Carlos Moreno fez uma opção sagaz. Escolheu três compositores - Mozart, Verdi e Puccini - com os quais o velho maestro é ainda lembrado por gravações de referência e pela regência austera, de antológica precisão. 


Mozart

De Mozart, haverá a "Abertura" de "A Flauta Mágica" e uma ária de sua personagem Pamina. Toscanini a regeu no Festival de Salzburgo, em 1937. Verdi e Toscanini são almas quase gêmeas. Toscanini, que era violoncelista, tornou-se regente em meio a uma disputa que envolveu uma companhia italiana que se apresentava em 1886, no Rio de Janeiro. Foi uma "Aida", justamente de Verdi. E foi com "Otello" que ele estreou no ano seguinte no La Scala, de Milão. Verdi estava com 73 anos. Soube por Arrigo Boito que um jovem maestro tratava suas partituras com afeto e respeito. E se surpreendeu quando Toscanini o procurou para se informar sobre a mudança não-anotada de um andamento. Em 1901, Toscanini regeu a orquestra do La Scala nas exéquias do compositor. A Osusp e seus dois solistas apresentarão trechos de "La Forza del Destino", "Rigoletto", "I Vespri Siciliani", "Nabucco" e "La Traviata". Quanto a Puccini, Toscanini regeu a estréia de três grandes óperas desse compatriota: "La Bohème", em 1896, "La Fanciulla del West", em 1910, e "Turandot", em 1926, quando o compositor já estava morto. "Turandot" e "La Bohème" têm extratos no concerto da Osusp na Sala São Paulo. Mas também haverá fragmentos de "Manon Lescaut", "Tosca" e "La Rondine".

OSUSP LEMBRA TOSCANINI
Quando: hoje, às 21h
Onde: Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, s/nº, 
tel. 3223-3966) 
Quanto: R$ 15 a R$ 100 (com meia-entrada para estudantes, aposentados e pessoas com mais de 60 anos)

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