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PRCEU USP

Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária

Maria Arminda do Nascimento Arruda

Diretrizes de Ação da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão

A Pró-Reitoria de Cultura e Extensão distingue-se por sua atuação abrangente no âmbito da Universidade. Enquanto as demais Pró-Reitorias possuem locus de ação mais circunscritos e definidos, a de Cultura e Extensão atua em todas as áreas, seja na complementação de ações de ensino e pesquisa que escapam aos desígnios imediatos de suas congêneres, seja por sua vocação para se constituir em elemento de aglutinação do conjunto da Universidade, seja ainda por ser o canal aberto de interlocução com a sociedade. Não obstante o caráter abrangente da Pró-Reitoria, talvez, por isso mesmo, não se tenha clareza sobre a substância da sua atuação, tampouco sobre a relação entre as duas áreas que a compõem: apesar de relativo consenso sobre o significado da cultura, a natureza da extensão permanece bastante indefinida, dificultando a articulação de ações integradas e produzindo a impressão de mútua independência.

No mundo em que vivemos, o setor da cultura e extensão possui lugar estratégico, tendo em vista a centralidade da dimensão cultural, como se pode entrever na complexa relação entre consumo e produção de mercadorias; no crescimento e diversidade das demandas sociais que reivindicam o direito de participação em todas as esferas da sociedade, repercutindo nas políticas dos Estados, apenas para indicar as suas formas mais visíveis. Por esses motivos, o amplo acesso aos fenômenos culturais promove, amplia e garante tanto a inserção social daqueles situados à margem, quanto a fixação de princípios de cidadania, dirimindo as desigualdades e reforçando valores republicanos.

Na ausência de uma herança cultural coletivamente compartilhada, não há como preservar uma cultura pública, tampouco construir uma nação desenvolvida e socialmente mais equitativa, tornando centrais instituições portadoras de tais virtudes. A USP ocupa um lugar privilegiado nesse contexto, pois é capaz de oferecer os meios indispensáveis ao ingresso, circulação e difusão da cultura e da ciência, tanto no meio universitário, quanto externamente a ele. Dito de outro modo, o sentido da reflexão e da ação de uma instituição pública do porte da USP é oferecer alternativas à tendência hegemônica à mercantilização da cultura e de ser capaz de criar meios de acesso amplo à produção cultural. Nesses termos, cultura e extensão são pares unidos, harmônicos e indissociáveis; não por casualidade, elas estão combinadas em nossa instituição, embora possam transmitir a priori a sensação de vínculo artificial.

Segundo esses argumentos, as ações de cultura e extensão, promovidas na Universidade, ao mesmo tempo em que respondem às exigências das sociedades contemporâneas, são portadoras da imagem pública da instituição, na qual a extensão possui papel basilar no conjunto, dada a sua disseminação pelas Unidades e, em especial, pelo significado público que carregam. A extensão caracteriza-se, por isso mesmo, por ser um setor de extrema complexidade, pois cobre um arco amplo de ações: das atividades essenciais de atendimento público como a clínica, aos cursos de especialização, convênios, desenvolvimento e ensino. Em função do perfil variegado da extensão, é de fundamental importância aprofundar e expandir a sua relação com a sociedade, promovendo mecanismos de apoio e oferecendo instrumentos mais ágeis.

Por conseguinte, nossa meta é empreender uma política cultural que instale na USP a cultura política do repensar permanente e sistemático os grandes temas nacionais, referendando a obrigação inarredável de uma instituição pública classificada entre as melhores do mundo. Por essa razão, se prevalece a exigência fundamental de que a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão ofereça condições de projetar a importância da USP nos cenários estadual, nacional e mundial, não é menos importante desenvolver iniciativas capazes de expandir o seu alcance junto ao nosso primeiro e mais fundamental público, a própria comunidade acadêmica. Segundo nosso diagnóstico, embora a USP esteja sistematicamente atingindo patamares superiores em todos os campos, paradoxalmente, os seus órgãos centrais não têm sido eficazes na fixação de uma imagem interna e externa correspondente, exigindo esforços integrados nessa direção. Por isso, a efetividade das ações implementadas pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão é dependente da articulação com as suas congêneres e da harmonização das metas pretendidas.

Em função desses pressupostos, propõe-se um plano de metas constitutivo por ações objetivas.

Ações

Na esfera organizacional, pretendemos utilizar as modernas ferramentas da informática ativando o site institucional (http://www.usp.br/prc/), além de criar um microblog no Twitter, facilitando o diálogo cruzado sob a forma de sugestões, propostas e críticas de forma a absorver novos projetos e reorientar o percurso; aparelhar a Pró-Reitoria para desempenhar com competência e presteza as ações implementadas, como, por exemplo, uma coordenadoria de cultura e outra de extensão; uma secretaria profissionalizada de eventos, de publicações e divulgação; realizar reuniões e agendas de trabalho nos campi do interior para construir uma política conjunta para a área; estabelecer parcerias e colaborar com políticas públicas de caráter social.

Na esfera das ações culturais e de extensão, dar continuidade a todas as iniciativas de indiscutível valor já realizadas pelas gestões anteriores, aprimorando os seus instrumentos, de modo a garantir a continuidade de programas de valor inegável, sobretudo aqueles voltados ao atendimento público, à participação discente e à inclusão social e cidadã; organizar um censo das atividades de extensão existentes em todas as unidades, com vistas a harmonizar as diversas ações desenvolvidas; promover, de saída, um Fórum de Cultura e Extensão com as demais Universidades Públicas atuantes no Estado (Unicamp, Unesp, Ufscar, Unifesp, Ufabc), com a finalidade de discutir a essência e o caráter da relação entre cultura e extensão, socializar experiências e inovar na busca de um plano comum de ação que se articule com as demais Pró-Reitorias; estender as iniciativas do Fórum por intermédio da organização de um evento de caráter nacional e internacional, a partir de temas e ações que congreguem a todos, por exemplo, a questão da produção científica e cultural no mundo das novas tecnologias, as discussões sobre o meio ambiente e o aquecimento global, a finalidade da ciência, ou seja, "ciência para quê? e ciência para quem?" e outras de igual relevância; buscar ferramentas para os projetos a serem criados ou revitalizados, a exemplo do teatro, cinema, museus, orquestra e correlatos tanto nas agências públicas de fomento quanto na área privada, atraindo investimentos, que agreguem à imagem dos investidores por sua importância e significação; realizar um Festival Universitário Internacional de Cultura: teatro, cinema, música, artes plásticas; organizar um Festival Universitário Internacional de Cultura de Periferia, que poderia ser denominado de "Periferia-Mundo", explorando o binômio cultura e cidadania por intermédio da reflexão sobre a importância da expressão popular nas sociedades contemporâneas; realizar uma grande exposição que reúna o acervo artístico, etnológico, histórico, científico e tecnológico da Universidade, revelando a sua riqueza, ainda pouco conhecida da sociedade e mesmo da comunidade da USP.

Na esfera da difusão, propor e conduzir instrumentos que projetem e divulguem as iniciativas implementadas na USP em arte, cultura, ciência e tecnologia, de modo a permitir à sociedade o conhecimento da magnitude dos acervos da Universidade e da importância das pesquisas desenvolvidas: a título de exemplo, lembro o significado da FFLCH na fundação da USP, na produção cultural da instituição e do país, assinalando o seu protagonismo na criação de uma cultura vinculada às questões sociais; recuperar o "Projeto Boletim Cultural", além de criar um "Guia de Cultura", com distribuição interna e externa, que contenha matérias jornalísticas, destacando pontos da programação cultural, científica e institucional, sobretudo daqueles que reafirmam a imagem e importância da Universidade; levar os eventos da Pró-Reitoria às unidades do interior, instalando uma espécie de Pró-Reitoria itinerante.

Em suma, pensar a Universidade na complexidade das suas múltiplas faces. Afinal, se a ciência é dimensão imprescindível das sociedades contemporâneas, foi produzida como desdobramento da racionalização crescente da cultura, resultando na transformação radical do nosso entendimento da vida. Explorar o poder da cultura como ferramenta de transformação social é projeto que requer dedicação, perseverança e civilidade.



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