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OFICINA DE HISTÓRIA

Aprendizes do Ofício
A partir de 1997, ampliamos o número de pesquisadores com estagiários convocados através das aulas de Brasil II. Diante da obrigatoriedade do cumprimento de 18 horas de pesquisa no semestre, a equipe cresceu, assim como aumentaram os projetos individuais de pesquisa temática. Cerca de 60 a 80 graduandos passaram a se dedicar ao inventário dos prontuários DEOPS, atividade contabilizada como aula prática de História do Brasil Independente II.

Com a ajuda da Profª Dra Vera Ferlini, coordenadora do nosso Programa de Pós-Graduação em História Social, conseguimos a liberação de recursos para a compra de mesas e cadeiras necessárias para a estação da "Oficina de História". Neste espaço trabalham, ainda hoje, dezenas produtores do conhecimento histórico. Como jovens aprendizes do ofício de historiador, os estagiários começaram a sondar o conteúdo dos prontuários DEOPS/SP auxiliados pelo grupo pioneiro.

Ainda sem dominar a tipologia das fontes policiais e sem uma metodologia apropriada a pesquisa com documentos da Polícia Política, nos dedicamos ao trabalho de sondagem. Tateando os documentos anexados aos prontuários nominais começamos a vislumbrar um universo fantástico que nos conduzia para um mundo subterrâneo povoado por personagens anônimos que transitavam em cenários sem esquinas.

Havíamos encontrado um fio da meada, mas a trilha parecia sem fim, uma espécie de labirinto.

As dezenas de fotografias de militantes políticos, autos de apreensão de livros, relação de presos políticos, cartões postais, jornais comunistas e nazistas, sugeriam inventários temáticos. Este corpus documental inspirou os primeiro projetos temáticos em nível de Iniciação Cientifica e Pós-Graduação aprovados pela FAPESP, nossa parceira incondicional. O volume de fotografias anexadas aos prontuários como "provas do crime político" abriram caminho para a elaboração de um Banco de Imagens com metodologia proposta pelo Prof. Dr. Boris Kossoy (CJE/ECA) que assumiu a coordenação do setor de Iconografia do PROIN cruzando informações com o setor Inventário DEOPS [dedicado a digitalizar cerca de 182 mil fichas remissivas e produzir fichas cadastrais/sínteses dos prontuários]. Este mapeamento teve como suporte o projeto Imagens da Repressão,aprovado como um dos segmentos do Projeto Temático FAPESP (1999-2004). Como proposta de Iniciação Científica, pioneira neste campo de análise das fotografias da Polícia Política, surgiu o projeto O rosto e o caráter: o imaginário e o simbólico em fotos de comunistas apreendidas pelo DEOPS (1930-1945), de Fernanda Torres Magalhães.

Um conjunto de documentos sobre a presença dos nazistas no estado de São Paulo nos instigou a procurar um outro parceiro: o Instituto Goethe de São Paulo interessado em conhecer os registros históricos sobre a comunidade alemã radicada no Brasil. Vislumbrando a dimensão histórica da documentação da Polícia Política, o diretor Dieter Strauss convidou-nos a expor este material que, ao seu ver, deveria compor com a exposição a ser trazida da Áustria sobre a vida de Stefan Sweig. Financiada pelo Instituto Goethe de São Paulo e apoiada pelo Arquivo Público do Estado. Havíamos encontrado um fio da meada, mas a trilha parecia sem fim, uma espécie de labirinto, catalogo, a equipe pioneira deu início ao mapeamento de documentos relativos aos alemães "fichados" pela Polícia Política: comunistas, judeus, nazistas, sionistas, antifascistas etc. Resultados: o artigo "Trilogia dos Estigmas. Mulher, Judia e Comunista", de autoria de Maria Luiza Tucci Carneiro para o livro Não Olhe nos Olhos do Inimigo (Paz e Terra, 1995); e a exposição iconográfica Brasil, Um Refúgio nos Trópicos. A Trajetória dos Refugiados do Nazi-Fascismo (Brasilien, Fluchtpunkt in den Tropen. Lebenswege Der Flüchtlinge Des Nazi-Faschismus).

Entusiasmada com os resultados, a equipe procurou elaborar novas propostas de pesquisa que valorizassem a riqueza da documentação anexada aos prontuários. Nesta época, o Dr. Fausto Couto Sobrinho assumia a direção do Arquivo do Estado que, em 1997, estaria inaugurando sua nova sede a Av. Voluntários da Pátria, no 596, em Santana. A parceria Arquivo/USP se fez fortalecida com o convite que nos foi dirigido pela diretoria para organizar a mostra que abriria ao público o novo espaço dedicado a preservação da memória e a pesquisa histórica. No ano de 1997 fechamos para publicação o primeiro inventário de prontuários publicado pela Imprensa Oficial em parceria com o Arquivo Público do Estado: Alemanha, por Ana Maria Dietrich; Eliane Bisan Alves e Priscila Ferreira Perazzo.

Desta pesquisa de Iniciação Científica surgiram três novos projetos em nível de Mestrado, todos inéditos: O Perigo Alemão e a Repressão Policial no Estado Novo, de Priscila Ferreira Perazzo; Caça as Suásticas. O Partido Nazista no Brasil, de Ana Maria Dietrich; Etnicidade, Nacionalismo e Xenofobia. A Comunidade Alemã sob a vigilância do DEOPS/SP, de Eliane Bisan Alves. A partir de 1999, após a aprovação do Projeto Temático "Inventário DEOPS" pela FAPESP [Proc. 99/09216-7], o PROIN assumiu o perfil que mantém até os dias de hoje: o de um projeto integrado dedicado ao ensino, pesquisa e extensão a comunidade. Conseguimos manter as atividades de estágio monitorado na Oficina de História PROIN, sendo este oferecido pelo programa da disciplina de História do Brasil Independente II, sob a responsabilidade de Maria Luiza Tucci Carneiro.

Como monitores atuam os pesquisadores/bolsistas de Iniciação Científica que, além de desenvolverem seus projetos individuais de pesquisa, também auxiliam os graduandos na elaboração de novos projetos a serem apresentados para avaliação no final do curso. Os projetos aprovados são selecionados pelos coordenadores e, caso haja interesse do aluno, são encaminhados a FAPESP como proposta de Inventário DEOPS, para futura publicação e inclusão no Banco de Dados PROIN (Fichas Remissivas e Cadastrais; Iconografia). Cabe aos bolsistas/monitores a elaboração de sínteses dos prontuários consultados e o preenchimento de fichas destinadas a alimentar alguns "links" específicos: Iconografia (imagens fotográficas e pictóricas), Impressos (jornais, panfletos e livros confiscado), Expulsos, Imigrantes, dentre outros segmentos possíveis de serem consultados neste site.

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