Walden Two: Uma sociedade utópica não aversiva?

Tatiana Evandro Monteiro Martins, Marcus Bentes de Carvalho Neto, Paulo César Morales Mayer

Resumo


A ficção Walden Two (Skinner, 1948/1975) retrata uma sociedade cujas práticas sociais são baseadas em princípios científicos da Análise do Comportamento. A proposta envolve basicamente o uso de reforço positivo em contraste, com as sociedades reais, nas quais o controle aversivo seria um traço quase onipresente. Seria Walden Two de fato uma sociedade culturalmente planejada apenas em contingências de reforçamento positivo? O controle aversivo estaria ausente das relações sociais? O presente trabalho teve como objetivo geral investigar sistematicamente a presença ou não de controle aversivo no livro Walden Two. A obra foi examinada identificando-se os trechos que continham palavras-chave relacionadas ao controle aversivo. Observou-se que em três momentos específicos o controle aversivo é prescrito. Discute-se o uso inapropriado de Walden Two como um representante de uma sociedade não coercitiva assim como a necessidade de se reavaliar o papel (científico e ético) do próprio controle aversivo nas relações sociais, planejadas ou não.

Palavras-chave


Walden Two; utopia; controle aversivo; Skinner

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Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva ISSN 1517 - 5545
Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental