Revista Crop

Revista da Área de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês
Departamento de Letras Modernas
Universidade de São Paulo

É com grande satisfação que apresentamos a nova versão online da Revista Crop, no intuito de divulgá-la a um público amplo, e assim contribuir mais intensamente com o diálogo no campo dos estudos de língua inglesa. Publicada pelo Programa de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês da Universidade de São Paulo, a revista tem por objetivo contribuir para o debate acadêmico na área de estudos em inglês, através da divulgação da produção acadêmica e intelectual de docentes, pesquisadores e alunos de pós-graduação, tanto pertencentes ao programa como de instituições externas.

Veja abaixo, em destaque, a apresentação das duas edições publicadas em 2010. Desejamos-lhe uma ótima leitura!

A Comissão Editorial

 

 

APRESENTAÇÃO

Edição 14 (2010.1) – Cultura e Transformação Social

Esta edição, dedicada ao tema Cultura e Transformação Social, inicia-se com a transcrição da conferência proferida por Fredric Jameson em 2009 no Sixth Annual Historical Materialism Conference, na qual propõe uma nova hipótese de leitura de O Capital, antecipando temas posteriormente tratados em seu livro Representing Capital. A discussão é enriquecida pelo comentário à conferência de Jameson, proferido na mesma ocasião por Maria Elisa Cevasco, também transcrito neste volume da Crop.

No artigo seguinte, Marcos Soares analisa o cinema norte-americano pela ótica de Walter Benjamin, relacionando-o ao cinema e ao teatro épico de Bertolt Brecht e às discussões da arte face ao desenvolvimento tecnológico.

Os sete artigos e ensaios que se seguem tratarão distintamente de teatro e cinema: Agenor Bevilacqua Sobrinho discute a peça Baal, de Brecht; Thiago Russo analisa o teatro revolucionário de Henrik Ibsen, seguido de Ewerton Oliveira, que estuda a adaptação de uma peça desse mesmo autor – An Enemy of the People –, no contexto macartista, realizada pelo dramaturgo norte-americano Arthur Miller. A peça da caça às bruxas The Crucible, de Miller, por sua vez, servirá de paralelo ao contexto brasileiro de Vereda da Salvação, de Jorge Andrade, na análise de Lajosy Silva. Os estudos seguintes nos transportam ao teatro de Shakespeare, no artigo de Ana Portich sobre o hermetismo no Renascimento e a personagem Ofélia, de Hamlet, e na análise das relações especulares e a manutenção da ordem em Rei Lear, de Roberto Bíscaro. Também na Inglaterra, alguns séculos adiante, Solange Grossi parte da crítica de Raymond Williams para discutir o filme Gosford Park, do diretor norte-americano Robert Altman.

O volume se encerra com a análise de Marcos Fabris sobre a produção artística do fotógrafo norte-americano Lewis Hine, no âmbito da representação do processo de modernização por que passava a cidade de Nova York no início do século XX, seguido da análise do romance The Bluest Eye, de Toni Morrison, em que Edison Gomes Junior discute a dominação histórica e os efeitos da ideologia hegemônica sobre grupos minoritários.

Em que pesem os diferentes gêneros, recortes, períodos históricos, autores e obras abordados nesta edição, os ensaios que a compõem convergem fortemente nas reflexões diversas sobre a cultura no âmbito da sociedade, sua função histórica e, não menos, no desejo que trazem, mais ou menos explicitado, de uma transformação radical, da própria cultura, dos sujeitos e da história que a escrevem.

Boa leitura! 

Edição 15 (2010.2)

A revista CROP de número 15 contém artigos com variados temas, analisados sob diversas abordagens e correntes críticas. Como panorama geral, podemos dizer que os textos aqui presentes dialogam com várias das linhas de pesquisa contempladas no programa de estudos linguísticos e literários em inglês de nossa universidade.

Os três primeiros artigos contêm reflexões atinentes ao campo dos estudos literários. Em “O Herói Byroniano Brasileiro de J. M. de Macedo: O Trovador de A Nebulosa”, Ramira Pires discute as aproximações realizadas pelo autor brasileiro em relação à formulação de herói preconizada por Lord Byron, estabelecendo um diálogo entre as demandas nacionais do romantismo brasileiro e a influência da cultura literária européia. Em “A Filosofia da Composição: o Poeta como Trabalhador”, Fabiana de Lacerda Vilaço analisa o famoso ensaio de Edgar Allan Poe e procura situá-lo como um documento de desmistificação e esclarecimento acerca da função do artista nas sociedades que estabelecem a divisão social do trabalho como um de seus pressupostos básicos. Em “Crítica e Estética Literárias em Lucia Miguel Pereira e Virginia Woolf”, Bete Câmara examina quatro ensaios da crítica brasileira sobre a escritora inglesa, prestando particular atenção aos aspectos referentes à composição formal assinalados em tais ensaios.

O quarto e quinto artigos trazem contribuições principalmente para os estudos da tradução. “Translations don’t pay – a Recepção da Literatura Brasileira no Reino Unido no Século XIX” é um estudo de Eduardo Araújo sobre a tradução e a recepção de obras brasileiras naquele que era o centro do imperialismo do século XIX. Já “Teorias viajantes: o caso da antropofagia”, de Célia Luiza Andrade Prado, discute a metáfora oswaldiana da antropofagia e seu impacto para os referenciais teóricos e práticos da tradução.

Os demais artigos desse número incluem debates que, em diferentes linhas e perspectivas, estão relacionados majoritariamente aos estudos linguísticos. “Identidades Híbridas em Minha Adorável Lavanderia”, de William Tagata, comenta o filme de Stephen Frears e sua contribuição para desvelar questões identitárias e culturais. No artigo “EELT – Education through English Language Teaching in a Brazilian Technical School”, Daniel Ferraz mobiliza as conexões entre ensino de línguas, educação, cultura e crítica social a partir da experiência com alunos de uma escola técnica do estado de São Paulo. Em “Livro Didático e The Taming of the Shrew: Uma Análise Sob o Viés do Letramento Crítico”, Ana Paula Sieraskowski procura identificar as possíveis contribuições para a formação educacional advindas do uso pedagógico da peça de Shakespeare, tanto a partir de um livro didático quanto de uma adaptação cinematográfica. Em “Arte Ingleza: Uma Gramática Brasileira do Século XIX”, Elaine Maria Santos elabora uma reflexão histórica sobre a utilização do vernáculo para o ensino de língua inglesa. Por fim, no último artigo desse número, “Porque eu quero ser militar: A Discourse Analysis Of A Brazilian Identity Edification Strategy”, Marion Celi e Renata Matsumoto discorrem sobre os pressupostos ideológicos em um anúncio publicitário e seus nexos com a formação discursiva da “assim chamada identidade brasileira”.

Boa leitura!

Mayumi Ilari Defina

Daniel Puglia

Editores Responsáveis


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