Semiosfera

Foi num trabalho 1984 (''O semiosfere''. Semeiotuké. Trudy po znakovym sistemam. Tartu Rükliku Ulikooli Toimetised, núm. 17, 1984, pp. 5-23) que Iúri Lótman apresenta pela primeira vez suas formulações sobre a semiosfera com o firme propósito de pensar a cultura como um universo de estruturas organicamente integradas por mecanismos pensantes. A este universo ele denomina «universo da mente». A idéia geradora da semiosfera é a compreensão. Lotman se interrogava como uma cultura compreende uma outra, se expande e permanece integrada a ponto de constituir sistemas. Nesse sentido, a semiosfera é espaço semiótico necessário para a existência e funcionamento da linguagem e da cultura com sua diversidade de códigos. Fora desse espaço, não há comunicação, não há linguagem e é impossível a existência da própria semiose. A semiosfera diz respeito à diversidade, condição para o desenvolvimento da cultura. Os estudos sobre a semiosfera são impulsionados pela necessidade de compreensão das culturas e de seus signos. Contudo é igualmente importante entender os mecanismos da compreensão; surge daí a valorização do cérebro, da inteligência natural e artificial, na concepção da semiosfera.

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Quando Lótman formula o conceito de cultura como texto tendo em vista princípios da relação sistêmica, ele desloca a rota da investigação voltada para a elaboração de uma abordagem alternativa ao método dialógico de investigação como à teoria semiótica de modo geral. Suas formulações, até aquele momento, haviam sido conduzidas pela análise estrutural, que lhe permitiu a abordagem sincrônica de um sistema da cultura num tempo determinado e a análise historiográfica. Contudo, surgiu a necessidade de desenvolver outros instrumentos teóricos que fossem capaz de explicar como a cultura é formada, como diferentes sistemas culturais, distantes um do outro no tempo, podem ser comparados sem perder de vista a interatividade dialógica de todo um espaço cultural mais amplo constituído pelos encontros culturais. Lótman procurou demonstrar em seus estudos sobre a tipologia da cultura que, mesmo quando diferentes cultura pareçam servir-se dos mesmos termos, elas se situam em diferentes sistemas. Para garantir a coerência da dinâmica e das diferenças culturais, o que em última análise significa garantir o conceito de cultura como memória não-hereditária, Lótman encaminha suas investigações para o campo da semiosfera.

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Os estudos sobre a semiosfera exploram, a um só tempo, uma compreensão do espaço explosivo dos sistemas de signos da cultura e uma metasemiose, na medida em que examina a possibilidade de compreender a semiótica fora da perspectiva atomística que Lótman entende ter orientado tanto os trabalhos de Saussure como as concepções de Peirce. Pesadas as diferenças entre essas duas tradições, afirma Lótman há pelo menos um denominador comum a uni-los. Ambos partem de uma premissa elementar do pensamento científico: tomam como base um elemento simples, como se fosse um átomo, e passa a considerar tudo em relação a ele (Lotman, 1996: 21). Enquanto o átomo da semiótica peirceana é o signo, o intercâmbio entre emissor e receptor a partir da língua tornou-se o elemento primário do ato semiótico em Saussure. Com base em tais formulações, as linguagens naturais foram consideradas modelos de linguagens universais. Reconhece nele riscos inevitáveis: deduzir o objeto complexo da soma de objetos simples;  e, considerar os signos e os sistemas sígnicos como entidades autônomas.

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Os estudos sobre semiosfera gravitam entre dois campos teóricos precisos: a teoria do dialogismo de Mikhail Bakhtin, que pensou o diálogo da mente com o mundo e a estrutura semiótica da consciência responsiva; e a teoria da biosfera ecológica do biólogo e filósofo da ciência V.I. Vernádski, que estudou o relacionamento de estruturas binárias, assimétricas, mas ao mesmo tempo unitária. Os dois eixos teóricos implicam-se mutuamente na concepção de um modelo dialógico de mundo.

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Enquanto Bakhtin formula o dialogismo examinando as relações entre mente e o mundo, Lótman avança uma análise semiótica da cultura verticalizando a essa relação. Embora reconheça o mérito das descobertas de seus predecessores, Vernádski, Bakhtin e outros, afirmando que, “a aparição do intelecto permite distinguir na hierarquia estrutural do mundo um novo nível qualitativo'' (Lotman, 1985: 78), Lotman se volta para a inteligência, o cérebro pensante que torna possível a consciência responsiva e a modelização da cultura como intelecto. Tendo em vista que, do ponto de vista semiótico, todo sistema intelectual pressupõe uma memória ''capaz de receber e transmitir informação e transformar tal informação em mensagem totalmente nova (imprevisível)”, toda informação introduzida numa estrutura pensante é imediatamente transformada numa forma sígnica. Na melhor linhagem da teoria geral dos signos, quer-se dizer que é impossível pensar sem signos. Informação nova, imprevisível, é signo. Por isso, a relação signo/signicidade é chave para a compreensão semiótica da cultura. O texto externo é introduzido no interior de um sistema poliglota, logo, se traduz na diversidade de línguas da cultura, tornando-se uma mensagem imprevisível.

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Afirmar que o fundamento do pensamento é o signo obriga a uma definição semiótica de inteligência. Esse foi o caminho trilhado por Lótman para tratar da modelização do universo da cultura a partir do universo da mente. Aliás, definir o que ele entendia por inteligência foi fundamental para a definição de cultura como intelecto. Essa compreensão é o grande desafio para o estudo semiótico da cultura em suas ''estruturas pensantes'', vale dizer, seus códigos culturais. De acordo com seus depoimentos, parece-lhe inadmissível examinar qualquer estrutura pensante sem a mínima clareza do que vem a ser inteligência. “O conceito de inteligência”, afirma Lotman, “apresenta muitos aspectos e eu não me sinto competente para fazer nenhuma definição exaustiva. Entretanto, a tarefa pode ser administrável se nos restringirmos apenas ao aspecto semiótico.

Se definirmos inteligência desse ponto de vista, será possível delimitar as seguintes funções:

  1. transmissão de informação disponível (isto é, de textos);
  2. criação de informação nova, isto é, de textos que não são simplesmente deduzível de acordo com um conjunto de algoritmos de informação já existente, mas de certo modo imprevisíveis;
  3. memória, isto é, a capacidade de preservar e reproduzir informações (textos)” (Lotman, 1990:
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Como mecanismo sígnico, a inteligência comporta funções diferenciadas: assimetria no interior de uma unidade orgânica. “A cultura é, no mínimo, uma estrutura semiótica binária, assimétrica e, ao mesmo tempo, unitária. Binarismo e assimetria são as leis que ligam todo o sistema semiótico real” (Lotman, 1990: 124). Binarismo e simetria definem a cultura como organismo. A cultura é definida como organismo ao elaborar semioticamente a informação. Para Lótman, “uma propriedade fundamental do organismo é a homeostasis ou a tentativa de conservar o próprio nível estrutural - isto é, o nível de informação possuída - e de contrapor-se à entropia. Todavia, o princípio já formulado por Darwin segundo o qual 'todo ser orgânico se reproduz em uma progressão veloz que, se não fosse submetido à destruição, a descendência de uma só cópia teria ocupado muito antes toda a Terra', sublinha o crescimento local da informação numa determinada parte do sistema energético geral”. Nesse sentido, o mecanismo da cultura é, a um só tempo, sígnico e explosivo: o crescimento da informação tal como na biologia é marcado pela explosão provocada pela assimetria. A assimetria é condição da dinâmica da unidade. “A unidade da semiosis, a menor função do mecanismo, não é a linguagem isolada mas a totalidade do espaço semiótico da cultura em questão. Essa é a semiosfera” (Lotman, 1990: 124).

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É nos estudos de V.I. Vernádski que Lótman encontra elementos para desenvolver suas idéias não sobre o universo da mente que lhe serve como modelo para entender o universo dos sistemas semióticos da cultura. Segundo Lótman, Vernádski definiu a biosfera como um espaço completamente ocupado pela matéria viva e esta, por sua vez, como um conjunto de organismos vivos. Essa definição também mantinha traços de uma definição de caráter atomístico. Lótman acreditava que, na realidade, as coisas não são bem assim. O próprio Vernádski apresenta argumentos nesse sentido. “Só o fato de a matéria vivaser considerada como uma unidade orgânica – uma película sobre a superfície do planeta – e de a diversidade de sua organização interna retroceder a um segundo plano diante da unidade da função cósmica – isto é, ser um mecanismo de transformação da energia irradiada pelo sol em energia química e física da Terra – mostra o caráter primário que a biosfera possui em relação ao organismo isolado na consciência de Vernádski” (cf. Lótman, 1996: 23). Quer dizer, “a biosfera tem uma estrutura completamente definida, que determina tudo o que nela ocorre, sem exceção alguma... O homem, como se observa na natureza, assim como todos os organismos vivos, como todo ser vivo, é uma função da biosfera, em um determinado espaço-tempo desta” (cf. Lótman, 1996: 23).

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A compreensão da semiosfera envolve o conhecimento de seus mecanismos operativos fundamentais: delimitação espacial; irregularidade semiótica; heterogeneidade.

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Delimitação espacial. A noção de espaço na semiosfera reporta-se à liminaridade: trata-se da conjunção que reúne encontros e intersecções. Daí que o termo chave de sua definição ser fronteira. A fronteira, que delimita o espaço da semiosfera, é, assim, definida tal como o conceito de fronteira em matemática: “um conjunto de pontos pertencentes simultaneamente ao espaço interior e ao espaço exterior” (Lotman, 1996: 24). Difere, contudo, num aspecto: aquilo que está fora só pode integrar o espaço interior da semiosfera se for traduzido. Como espaço de tensão entre o dentro e o fora, a fronteira define-se como um mecanismo de semioticização capaz de traduzir as mensagens externas em linguagem interna, transformando a informação (não-texto) em texto. Do ponto de vista da biosfera e da célula, a fronteira é película cuja função é impedir a penetração de agentes internos no interior da estrutura. Na semiosfera, contudo, a fronteira tem a função de um filtro que opera a passagem de uma condição a outra; nele a informação que vem de fora é semioticizada, isto é, traduzida em termos da linguagem interna do sistema. A essência do mecanismo da fronteira é a união de espaços culturais adversos ou de semiosis variadas, formando uma zona de bilingüismo ou polilingüismo cultural que garante os contatos semióticos entre dois mundos e as misturas culturais (koine, criolização) (idem, ibidem: 27).

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A fronteira é uma instância fundadora da semiosfera mas não é um contorno organizado: “a cultura cria não só sua própria organização interna, mas também seu tipo de desorganização externa”. (idem, ibidem: 29). Nesse sentido, não é o limite do espaço interior com exterior o fundamental para a definição da fronteira, mas o fato mesmo da presença da ambivalência: a fronteira que tanto separa como une. Situar a fronteira como instância da condição ambivalente da semiosfera é uma postura dialógica que nos leva de volta a Bakhtin. Pensando no encontro dialógico das culturas, Bakhtin descartou completamente a possibilidade de uma anular outra ou de haver misturas. Na verdade, todo encontro dialógico caracteriza-se pelo enriquecimento mútuo. Na concepção de Lótman, tal enriquecimento consiste na própria identificação da cultura, uma vez que “tomar consciência de si mesmo no sentido semiótico-cultural significa tomar consciência da própria especificidade, da própria contraposição a outras esferas. Isso acentua o caráter absoluto da linha com que a esfera dada está contornada” (Lotman, 1996: 28).

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Por exemplo: a Antigüidade construiu a da identidade dos bárbaros. Para os povos dessa época, pouco importava que os “bárbaros” fossem detentores de uma cultura constituída tanto pelas mais altas civilizações até por tribos muito primitivas. Na verdade, a necessidade de definir a identidade bárbara decorre da necessidade que tinha a esta civilização antiga de tomar consciência de si mesma. Isso só foi possível depois de construir esse, pode-se dizer, “mundo bárbaro, único, cujo traço distintivo fundamental era a ausência de uma linguagem comum com a cultura antiga”  (idem, ibidem: 28). Nesse caso, a fronteira não é apenas delimitação no espaço como também desdobramento no tempo projetado pela memória da cultura. Considerando que nada na cultura encontra-se definitivamente morto, é como fronteira que a cultura pode ser dimensionada vivendo num grande tempo, tal como fora concebido por Bakhtin em seu modelo dialógico de mundo que foi seu modo de conceber a semiosfera.

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Irregularidade semiótica. Entendida como zona de liminaridade, fronteira é espaço de trânsito, de contato que configura uma superfície heterogênea e, portanto, irregular, móvel. Tal irregularidade assume o caráter de lei de organização da semiosfera onde convivem várias estruturas situadas entre centro-e-periferia. No núcleo se situam os sistemas semióticos dominantes – não se pode esquecer que estamos falando de sistemas modelizantes. A unidade do mapa semiótico depende da posição dominante de uma das estruturas que não só se autodescreve como também se descreve o espaço periférico da semiosfera. “Na realidade da semiosfera a hierarquia das linguagens e dos textos via de regra é violada... Os textos se vêem submersos em linguagens que não correspondem a eles e os códigos que os decifram podem estar ausentes do todo” (idem, ibidem: 30). A não homogeneidade estrutural do espaço semiótico forma reservas de processos dinâmicos e é um dos mecanismos de produção da nova informação dentro da esfera. Nos setores periféricos, organizados de maneira menos rígida e possuidores de construções flexíveis, “deslizantes”, os processos dinâmicos encontram menos resistência e, por conseguinte, se desenvolvem mais rapidamente.

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As formações semióticas periféricas podem estar representadas não por estruturas fechadas, mas por fragmentos das mesmas ou por textos isolados. Por um lado, a fronteira como um texto alheio sempre é um domínio de uma intensa formação de sentido, por outro, cada fragmento de uma estrutura semiótica ou todo texto isolado conserva os mecanismos de reconstrução de todo o sistema. A reconstrução resulta na criação de uma nova linguagem e não a recriação do velho. A irregularidade estrutural da organização interna da semiosfera é determinada, em particular, pelo fato de que, sendo heterogênea por natureza, ela se desenvolve com diferentes velocidades em seus diferentes setores. As diversas linguagens naturais se desenvolvem muito mais lentamente que as estruturas ideológico-mentais. Por isso, não se pode nem falar de uma sincronicidade dos processos que transcorrem neles. Assim, pois, a semiosfera é atravessada muitas vezes por fronteiras internas que especializam os setores da mesma do ponto de vista semiótico. A diversidade interna da semiosfera pressupõe a integralidade desta. As partes não entram no todo como detalhes mecânicos, mas como órgãos em um organismo.

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Uma particularidade essencial da construção estrutural dos mecanismos nucleares da semiosfera é que cada parte representa um todo cerrado e com independência estrutural. No mecanismo total o texto isolado é isomorfo em determinados aspectos a todo o mundo textual e existe um claro paralelismo entre a consciência individual, o texto, e a cultura em seu conjunto. Não se trata de uma mera transmissão, mas sim de uma interação entre os participantes, ou melhor, de um ato dialógico. O sistema dialógico não se define pela mera presença dos interlocutores semelhantes e ao mesmo tempo diferentes: “o diálogo encerra a reciprocidade e a mutualidade no intercâmbio de informações” (idem, ibidem: 33). Isso significa poder fazer interrupções na transmissão informacional, o que Lótman entende como “caráter discreto do tempo de transmissão e de recepção” (idem, ibidem: 33). O caráter discreto dos sistemas semióticos surge quando se descrevem processos cíclicos como a linguagem de uma estrutura discreta. Assim, por exemplo, na história das culturas se podem distinguir períodos em que tal ou tal arte, falando no ponto mais alto de atividade, transmite seus textos a outros sistemas semióticos. Esse fenômeno levou as teorias culturais a entender fenômenos como Renascimento, Barroco, Classicismo, Romantismo como gerados por fatores universais por uma cultura dada e, por isso mesmo, que deviam ser diagnosticados sincronicamente no domínio de diversas manifestações artísticas e intelectuais.

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Heterogeneidade. A integridade da semiosfera não se destrói pois na sua base reside um princípio invariante que os torna semelhantes entre si: a combinação entre simetria e assimetria. A heterogeneidade semiótica pressupõe a heterogeneidade estrutural. Desse pontode vista, a diversidade estrutural da semiosfera constitui a base de seu mecanismo. Na base da idéia de semiosfera está esse intercâmbio dialógico: o conjunto das formações semióticas precede (não heuristicamente, mas funcionalmente) a linguagem isolada particular e é uma condição de existência desse último. O intercâmbio dialógico de textos não é um fenômeno facultativo do processo semiótico. O diálogo precede a linguagem e o gera. A consciência (responsiva) é um intercâmbio entre os hemisférios cerebrais até o intercâmbio de culturas. A simetria especular cria relações necessárias de diversidade e semelhança estrutural que permitem construir relações dialógicas. Para que o diálogo seja possível, seus participantes devem ser diferentes e ter em sua estrutura a imagem semiótica da contraparte, o enantiomorfismo é uma máquina ideal do diálogo (idem, ibidem: 37).

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O enantiomorfismo concebido como mecanismo especular que forma os pares simétrico-assimétrico encontra-se “amplamente difundido em todos os mecanismos geradores de sentido que podemos dizer que é universal, abarca o nível molecular e as estruturas gerais do universo, por um lado, e as criações globais do espírito humano por outro” (idem, ibidem: 40).  A esse mecanismo estão ligados os fenômenos da duplicação de estruturas textuais, paralelismos, duplos, o texto no texto. Trata-se, portanto de um mecanismo especular de extraposição. Desse modo Lótman propõe a compreensão das culturais nacionais: “ao entrar em certa comunidade cultural, a cultura começa a cultivar com mais força sua própria peculiaridade (...) Para si, a cultura isolada é sempre natural e comum. Somente fazendo parte de um todo mais vasto, assimila ela um ponto de vista externo sobre si mesma e se percebe a si mesma como específica” (idem, ibidem: 42). Os estudos sobre semiosfera presta, assim, sua contribuição para o estudo de temas contemporâneos como: a planetarização do ocidente por meio da expansão das fronteiras; o caráter planetário da cultura resultante da irregularidade e da assimetria-simetria; a identidade cultural como mecanismo especular extraposto; o perfil ecológico da comunicação interplanetária. Tais temas podem ser examinados com a ajuda das bases teóricas dos estudos sobre:

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Modelo dialógico de mundo

O ponto de vista extraposto

Dilemas da hereditariedade da informação

Ecologia semiótica

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