Boletim Informativo das Bibliotecas da USP

V.7 - n.2 - abr./jun. 1999 - ISSN 1516-8905

Editorial

Novos Tempos...Novos Rumos

Difícil acompanhar a velocidade das transformações. Novos tempos, novo milênio, nova era, novos rumos.

Novos profissionais?...Também!

Os ofícios não são imunes, nem podem ser indiferentes a tanta mudança. Alteram-se os perfis, as atribuições e talvez nossa área, – Biblioteconomia e Ciência da Informação, cada dia mais a segunda do que a primeira denominação – seja uma das mais atingidas. Exatamente porque lida com o elemento responsável pelo transformar: a informação.

Estamos receptivos? Estamos refratários? Apáticos? Preocupados?

Urge se repensar o cotidiano mais básico: classificar e catalogar o quê, como? E o "preparo físico para circulação"? Que página carimbaremos? Conceito de livro e folheto? Balcão de empréstimo com os seus dias contados? Auto-empréstimo como caixa automático de banco? É certo que restará o cliente.

E que não podemos perder de vista a filosofia da ciência e do conhecimento. O raciocínio crítico e lógico. A visão ampla, a inteligência emocional cada dia mais aprimorada para atuar em conformidade com os "novos tempos"...

A Comissão


Nesta edição:

Editorial
 
· Cursos Técnicos: Para que e para quem?

Notícias
 
· ESALQ
· IP
· DT/SIBi
· META 1 - Aprimorar o DEDALUS
· META 7 - Gerenciamento de Acervos
· META 8 - Captação de Recursos para as Bibliotecas do SIBi/USP

Resenha
 
· Resenha do filme "A Múmia" (The Mummy, EUA, 1999)

Espaço Aberto
 
· Resgatando o imaginário de cada um de nós


Cursos Técnicos: Para que e para quem?

Adylles Castello Branco Pedagoga coordenadora do Curso Técnico em Biblioteca
do Centro de Tecnologia e Gestão Educacional, do SENAC-SP

Nesses últimos anos, a característica mais constante do mundo atual tem sido as mudanças e a velocidade em que elas ocorrem – seja em questões econômicas, políticas, sociais e, sobretudo, nos aspectos que dizem respeito à informação.

Com o advento das redes de comunicação, principalmente a Internet, a informação deixou de ser um privilégio de poucos para ser um bem de consumo coletivo. Se tal fato tem uma influência marcante em todos os setores da sociedade, maior significado tem para aqueles espaços e pessoas que trabalham diretamente com a guarda e a disseminação da informação.

É o que vem acontecendo no espaço das bibliotecas, independentemente do nome que tenham: centros de informação, núcleos de comunicação, centros de documentação, salas de leitura, etc. Todas elas se configuram como um espaço mágico, onde o saber pode ser consumido e a pesquisa realizada em tempo recorde e com uma enorme gama de informações disponíveis.

Porém, um dado importante a ser analisado é que nunca as mudanças ocorrem de uma hora para outra, nem de maneira linear. Elas acontecem em tempos e espaços diferentes e através de uma força de influências tanto externas, como internas.

A biblioteca não é uma exceção: ela está se modificando porque seus usuários se modificaram e, também, estão sendo modificados quando de sua relação com a biblioteca.

Com toda essa efervescência existente na sociedade e no mundo do trabalho, é mais do que premente que as pessoas que atuam nas bibliotecas se adeqüem a essa nova realidade. Não existe mais o trabalhador especialista: dele se espera muito mais espírito de equipe, intuição, capacidade de criar e de estar constantemente se atualizando do que ser capaz de apertar, mesmo que com maestria, um determinado parafuso.

Por isso, cada vez mais, o bibliotecário vai precisar se adequar a um novo perfil profissional: o bibliotecário sendo um gestor da informação, um educador, com capacidade de auxiliar a todos em como acessar a informação e, principalmente, a saber o que fazer com esta informação.

Para um novo bibliotecário é necessário um novo auxiliar de biblioteca: com mais conhecimento, mais capacidade de entender o seu fazer, transformando-se, cada vez mais, em um interlocutor inteligente que possa, de verdade, auxiliar os bibliotecários a realizar sua nova função de bibliotecário-educador, diferente do bibliotecário-burocrata que, por muito tempo, foi a conotação mais forte dada à profissão. Para que o bibliotecário e seus auxiliares possam acompanhar as mudanças que vêm acontecendo na sociedade e com seus usuários, seu espaço de trabalho também necessita ser estruturalmente mudado.

Numa demonstração clara e concreta deste momento de enriquecimento nas relações internas da biblioteca, foi regulamentada, pelo Conselho Federal de Biblioteconomia, a função do Técnico em Biblioteconomia, que nada mais é do que o reconhecimento da necessidade que os atuais auxiliares de biblioteca têm de se reciclar, atualizar e adaptar-se ao novo clima criado internamente no seu campo de trabalho. Logicamente que, com a melhoria do nível de seus auxiliares, os bibliotecários poderão otimizar seu trabalho e dedicarem-se a funções mais gerenciais e administrativas nos centros de informação e documentação.

Essa habilitação, a ser trabalhada para a formação dos Técnicos em Biblioteconomia, já existe legalmente junto ao Conselho Estadual de Educação - CEE, desde 1974. Independemente de uma ser realidade no mundo do trabalho, o curso Técnico em Biblioteca – nome sob o qual está registrado no CEE –, desde esta época, já tinha vida legal enquanto habilitação profissional que forma o Técnico em Biblioteconomia, aberta à qualquer instituição educacional que quisesse levá-la a cabo.

Nesse novo panorama cabe uma pergunta: mas quem é esse técnico e como deve ser feita sua formação?

A questão da educação técnica é um ponto extremamente interessante dentro da história da educação do Brasil. Ela está intimamente ligada à idéia de formação profissional, ou seja, da formação para o trabalho e, portanto, sempre passível de ser influenciada por toda uma gama de ideologias vigentes.

De início, por volta de 1900 e nos Liceus de Artes e Ofícios, ela se configurou como uma maneira de educar, pelo trabalho, os órfãos e menos favorecidos pela sorte (os meninos de rua daquela época?...) que precisavam ser enquadrados dentro da moral e bons costumes vigentes. Para os outros, filhos de boas famílias, o caminho era o ensino propedêutico, preparador para o curso superior, e que os tornariam capazes de gerenciar seus próprios negócios e, potencialmente, transformarem-se nas elites políticas aptas a administrarem as forças produtivas do país.

É esta a eterna dicotomia existente entre curso técnico e curso superior e, logicamente, entre egressos de um e outro sistema de ensino: uns são preparados para o fazer e outros para o mandar.

Algumas atitudes políticas foram tomadas no sentido de, de cima para baixo, acabar com esta forma de divisão do saber. É sempre um avanço, mas nenhuma delas surtiu o efeito esperado. Talvez por terem sempre vindo na forma de nova definição legal, sem um envolvimento maior da sociedade e, principalmente, daqueles que passam pelo processo e vivenciam a situação.

Há, porém, agora, um novo dado a ser analisado: a globalização da economia e a rapidez e o grande número de informações que o trabalhador necessita para desenvolver sua função, estão interferindo diretamente na necessidade de formação destes profissionais: a ciência e a tecnologia passam a ser necessariamente domínio do trabalhador; antigos processos de qualidade dão lugar ao controle internalizado no próprio posto de trabalho; sistemas de comunicação interligam todo o mundo e necessitam ser acessados pela maioria; e, tudo isso passa a ser, também, competência técnica.

Conforme Gilberto Dimenstein, "até o ano 2015, haverá 40.000 profissões e, não apenas são criadas profissões, como redefinem-se suas demandas (...) Neste fim de século, conceitos como empregabilidade anunciam que formar para o trabalho se confunde com formar para a vida".

Acredito ser este o ponto-chave para que se possa quebrar a dicotomia entre o fazer-técnico e o saber-acadêmico. A alteração da relação não será mais extra-classe, legal e de cima para baixo, mas intra-classe, vivenciada, de baixo para cima.

É neste contexto que vejo a possibilidade de se fazer um bom curso Técnico em Biblioteca: um curso que vai dar ao auxiliar de biblioteca, além de uma existência legal, a capacidade de pensar o seu fazer e de cooperar nas alterações que, inexoravelmente, vêm acontecendo na sociedade e no seu campo de trabalho. Ele será um parceiro do bibliotecário na nova definição da função da biblioteca, liberando-o para atividades mais específicas no estabelecimento de macro-políticas internas.

Desta parceria teremos atitudes onde a tônica serão as idéias de partilhamento, trabalho em equipe, cooperativismo, complementariedade, saber partilhado. A biblioteca se transformando em uma instância cultural viva e autônoma.

É o que espero e acredito que, em pequeno espaço de tempo, acontecerá.


Notícias

ESALQ - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"

Projeto Paisagístico para a Biblioteca da ESALQ
Um acordo firmado entre a Profa. Dra. Ana Maria L.P. Lima, do Departamento de Produção Vegetal, e a diretoria da biblioteca, com o apoio da Prefeitura do Campus Luiz de Queiroz, possibilitou o desenvolvimento de um projeto paisagístico para a biblioteca, na disciplina de Horticultura, dos alunos de graduação.
Os alunos estiveram na biblioteca, pesquisando alternativas de plantas e conversando com os bibliotecários. O objetivo é conciliar a disciplina com o interesse da biblioteca em ter, além de uma bonita paisagem, arbustos que contribuam para diminuir a insolação recebida no período da tarde, que além de desconfortável, aumenta o consumo de energia através do ar condicionado.

Pesquisadores do IAC (Instituto Agronômico de Campinas)
Recebemos em nossa biblioteca os alunos de Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical do Instituto Agronômico de Campinas, atendendo ao pedido da Dra. Sonia C.F. Dechen do Centro de Solos e Recursos Agroambientais deste Instituto, para conhecer os nossos serviços e acesso as bases de dados nacionais e internacionais, bem como demonstração de nossa home page para auxiliar os pesquisadores nas pesquisas bibliográficas em Ciências Agrárias através da Internet.

IP - Instituto de Psicologia

Seminário de Produção Científica
Promovido pelo Centro de Pesquisa da Universidade São Judas Tadeu
Local: Universidade São Judas Tadeu
Data: 14 de maio de 1999
Participantes: Maria Imaculada Cardoso Sampaio
Aparecida Angélica Z. Paulovic Sabadini
Célia Regina de Oliveira Rosa

Workshop - "Instrução dirigida para execução de buscas na Base de Dados PsycLIT"
Promovido pela Universidade Mackenzie, como parte das atividades do
II Encontro sobre Psicologia Clínica - Mackenzie
Período: 13 e 14 de maio de 1999
Ministrado por: Maria Imaculada Cardoso Sampaio
Aparecida Angélica Z. Paulovic Sabadini
Célia Regina de Oliveira Rosa

Palestra - "Captação de Recursos"
Promovido pela Fundação Getúlio Vargas
Data: 9 de junho de 1999
Participante: Maria Imaculada Cardoso Sampaio

DT/SIBi - Sistema Integrado de Bibliotecas da USP / Departamento Técnico

NACO – Name Authority Cooperative Program
Em decorrência das atividades em desenvolvimento referentes ao processo de modernização do SIBi/USP, o DT/SIBi recebeu convite da Library of Congress, de Washington, D.C., para participar do NACO – Name Authority Cooperative Program, que reúne bibliotecas cooperantes em vários países, para um trabalho comum de normalização de entradas de autoridades em catalogação de materiais de biblioteca, com o objetivo de uniformização de procedimentos e aperfeiçoamento dos serviços.

A iniciativa do convite, acima referido, teve como base o trabalho de catalogação cooperativa do SIBi/USP com o Online Computer Library Center, de Ohio, E.U.A., iniciado em 1996, e cujo catálogo coletivo em linha (WorldCat) reúne atualmente mais de 40 milhões de registros, formado a partir de atividade cooperativa com instituições de vários países que adotam regras de padronização internacional e formato de dados legíveis por máquina.

Após o treinamento dos bibliotecários, realizado sob responsabilidade da Library of Congress, o DT/SIBi recebeu o Certificado reproduzido a seguir.

II Seminario Latino Americano de Associações de Bibliotecários e Profissionais Afins
De 14 a 20 de março de 1999 a bibliotecária Marcia Rosetto participou do II Seminario Latino Americano de Associações de Bibliotecários e Profissionais Afins, promovido pela Seção da América Latina e do Caribe da International Federation of Library Associations - IFLA e Universidad Nacional Autonoma do Mexico - UNAM, Cidade do Mexico.

REGIONAL SEMINAR ON LIBRARY COOPERATION

A Diretora Técnica do SIBi/USP, Rosaly Favero Krzyzanowski, participou do "Regional Seminar on Library Cooperation", realizado em Buenos Aires, Argentina, de 16 a 18.04.1999, a convite do USIS – United States Information Service, como representante do Brasil. Durante o Seminário, apresentou o trabalho "Cooperação Técnica: experiência do SIBi/USP".

TREINAMENTO ISI

Em 19 de abril p.p. o Institute of Scientific Information, em colaboração com o DT/SIBI, promoveu treinamento para possibilitar melhorias no domínio de acesso às bases Current Contents e Web of Science, sendo que para a última foi realizada revisão, em vista de mudança de versão. Participaram dessa sessão de treinamento os bibliotecários do SIBi, assim como foram convidados representantes da UNICAMP, BIREME e IPEN, numa ampliação dos objetivos de compartilhamento e consórcios de bibliotecas. O treinamento foi ministrado pela Sra. Mirta Guglielmoni, do ISI, e atingiu plenamente os objetivos. A Sra. Mirta responde a quaisquer dúvidas de pesquisa às bases pelo e-mail: "Guglielmoni, Mirta" (mirta.guglielmoni@isinet.com)

DIVULGAÇÃO DA SIBiNet/Bibliteca Virtual

Em 26 de abril p.p., foi demonstrada a SIBiNet/Biblioteca Virtual do SIBi/USP, na reunião do Conselho da Pró-Reitoria de Pós-Graduação.

Essa apresentação encerrou a série iniciada em fevereiro de 1999, com o objetivo de divulgar os serviços prestados pela SIBiNet aos Conselhos das Pró-Reitorias da Universidade.

ProBE – PROGRAMA BIBLIOTECA ELETRÔNICA

Foi lançado em maio p.p., o Programa Biblioteca Eletrônica - ProBE, que consolida a ação cooperativa das Universidades Estaduais Paulistas: USP, UNESP, UNICAMP; das Universidades Federais do Estado de São Paulo: UNIFESP, UFSCAR; e do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde - BIREME/OPS/OMS, instituições reunidas em consórcio com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP, para acesso on-line aos artigos com textos completos de 606 periódicos científicos internacionais, editados pela Elsevier, desde 1997.

O Programa está disponível para consulta pelas redes locais das instituições consorciadas, acrescentando, assim, mais um instrumento de acesso à informação para a comunidade acadêmica.

Treinamento "Introdução à Catalogação de Material Bibliográfico no WorldCat do OCLC para o Instituto de Matemática Pura e Aplicada - IMPA".

Durante o período de 07 a 09 de junho de 1999, foi promovido o treinamento "Introdução à Catalogação de Material Bibliografico no WorldCat do OCLC para o Instituto de Matemática Pura e Aplicada - IMPA" - Rio de Janeiro. A pedido do OCLC, o DT/SIBi coordenou a execução do referido treinamento, com dinamização das Bibliotecárias Marcia Rosetto e Maria Inês Conte.

DESAFIOS DA BIBLIOTECA ELETRÔNICA

O SIBi/USP e o Departamento de Pós-Graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação da Faculdade de Biblioteconomia da PUC-Campinas promoveram o Seminário de Estudos: "Desafios da Biblioteca Eletrônica", em 16 de junho de 1999, no Auditório "Abrahão de Moraes", do Instituto de Física da USP, como parte das atividades previstas para o Curso de Especialização em andamento.

O evento contou com a participação de renomados especialistas na área de Ciência da Informação e proporcionou aos profissionais bibliotecários da USP e de outras instituições, presentes ao evento, a oportunidade de acesso a trabalhos recentes nessa área.

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO PUCCAMP/SIBi/USP

Encerrou-se, em junho p.p., o curso de Especialização em Sistemas Automatizados em Informação Científica e Tecnológica para o SIBi/USP. Este curso foi o resultado de interação entre o Departamento de Pós-Graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação, da Faculdade de Biblioteconomia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, e o Sistema Integrado de Bibliotecas da USP.

Foram apresentadas pelos alunos as seguintes monografias, que serão publicadas e divulgadas em futuro próximo, pelo DT/SIBi:

  • Avaliação de um Periódico na Área de Medicna Tropical
  • Canais de Divulgação das Dissertações e Teses do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
  • Capacitação de Recursos Humanos nas Bibliotecas do SIBi/USP
  • Diagnóstico da Acessibilidade à Bibliografia Recomendada nos Cursos de Graduação das Áreas de Saúde e Biológicas na Universidade de São Paulo – Campus de São Paulo
  • Estudo de Serviços e Produtos de Informação Disponíveis em Bibliotecas Acadêmicas para Apoio aos Programas de Educação à Distância
  • Identificação de Demanda de Informação de Usuários, via Correio Eletrônico do Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP
  • Indicadores de Qualidade do Serviço de Referência: Proposta para as Bibliotecas do SIBi/USP
  • Projetos FAPESP: Avaliação de Impacto nas Bibliotecas do SIBi/USP

INSCRIÇÃO DO SIBi/USP NO ICAU – INTERNATIONAL CONSORTIUM OF ALEPH USERS

O SIBi/USP tornou-se membro do ICAU – International Consortium of ALEPH Users, a partir de junho/99, o que possibilitará participar das reuniões periódicas, de abrangência internacional, com o envio de sugestões/solicitações para ajustes e aperfeiçoamento do software ALEPH.

META 1 - Aprimorar o DEDALUS

A Meta 1 está finalizando a revisão das Listas Hierárquicas dos Assuntos, por área do conhecimento, encaminhadas pelas bibliotecas participantes do "Projeto para Aprimoramento da Lista de Assuntos USP", que vão integrar o novo Vocabulário USP. No final de maio foi encaminhada ao DT/SIBi uma Hieraquia Modelo deste Vocabulário para ser testada no software ALEPH. Até o final do mês de agosto esperamos encaminhar ao DT/SIBi o restante das Hierarquias, acompanhadas da Lista Alfabética e do Relatório Final da Meta 1. Aproveitamos a oportunidade para mais uma vez agradecer a todos os colegas bibliotecários, aos professores, técnicos de biblioteca e alunos que tem participado deste projeto.

META 7 - Gerenciamento de Acervos

A Meta 7 organizou o curso "Acervo e uso: racionalização de coleções", proferido pelo Prof. Dr. Antonio Miranda, nos dias 7 e 8 de julho de 1999. O curso foi considerado de grande sucesso, conforme a avaliação formal realizada, havendo pedidos de outras atividades similares.

O material utilizado pelo Prof. Miranda foi digitalizado e será enviado, por e-mail, aos participantes que responderam à referida avaliação.

META 8 - Captação de Recursos para as Bibliotecas do SIBi/USP

No dia 9 de junho pp., a Meta 8 promoveu a participação de bibliotecários do Sistema, na palestra ministrada pela Sra. Célia Meirelles Cruz, assessora de desenvolvimento da Fundação Getúlio Vargas.

O tema tratado foi o estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada, como forma de captação de recursos.



Resenhas

Resenha do filme "A Múmia" (The Mummy, EUA, 1999)
Diretor: Stephan Sommers
Elenco principal: Rachel Weisz, Brendan Fraser, Arnold Vosloo Priest, Patricia Velasquez, Kevin J. O´Connor, John Hannah.

Apesar de a crítica não ter sido favorável à refilmagem do filme "The Mummy, EUA, 1932", vale ressaltar pontos que permeiam todo o enredo – o conhecimento e a cultura de uma bibliotecária.

Há 3.000 anos na cidade de Hamunaptra no Egito, o sumo sacerdote Imhotep é mumificado vivo por amar Anck-su-Namun , a qual entre as mulheres é a favorita do Faraó.

A lenda diz que no local há a maldição da múmia e, também, se encontram enterrados todos os tesouros dos Faraós do Egito. É conhecido como a "cidade dos mortos". Nos anos vinte exploradores começam uma frenética busca a esses tesouros.

Em meio à expedição há uma única mulher, bibliotecária, que tem como objetivo principal encontrar um livro raro. Seus conhecimentos e grande cultura sobre egiptologia, levam-na naturalmente a guiar e liderar a expedição, apesar de ser mulher em plena década de vinte.

Ao ser encontrado no local da expedição o "livro dos mortos", a bibliotecária vivida por Rachel Weisz, o lê e com isso desperta Imhotep de seu sono milenar. A partir de então a maldição da múmia passa a aterrorizar a expedição e o povo da região. Com todo seu conhecimento sobre a história do Egito antigo, a bibliotecária e seu grupo passam a procurar o raro "livro de ouro" o qual poderá salvá-los do perigo iminente. Ao abrir e lê-lo ela consegue quebrar o encanto e o poder da múmia, que finalmente pode ser exterminada.

Seu objeto de busca, o "livro de ouro", não foi salvo, porém seu conhecimento e cultura colocam fim à uma lenda milenar – a maldição da múmia.

Sonia Marisa Luchetti
Bibliotecária da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP



Espaço Aberto

Resgatando o imaginário de cada um de nós
Há muito tempo atrás, existiu um contador de estórias. Um não, muitos. Uma vez, uma contadora de estórias salvou a sua vida e a de todas as mulheres de seu país, contando estórias. Seu nome: Sherazade. Com o avanço da ciência e tecnologia, uma maldição foi lançada e o espírito de Sherazade ficou adormecido por muitos séculos. Mas parece que essa maldição está com os seus dias contados e o feitiço começa a ser quebrado! Apesar dos videogames, internet e parafernália de equipamentos e acessos à informação, as estórias sobrevivem e o seu encanto também. Ainda é possível perceber o brilho dos olhos das crianças diante dos contos de fadas e muitas vezes ainda escutamos o "conta outra vez". O homem procurou na ciência e na tecnologia respostas às suas dúvidas, anseios mais profundos e conseguiu encontrar justificativas que acalmaram a sua mente, mas não o seu coração. Em tempos de juízo final, com tantas previsões de mau agouro, vemos aquela sociedade construída como ideal desmoronar, causando distorção de valores e crenças. O homem percebe que dirigiu seus interesses para determinados objetivos e que os mesmos não foram suficientes para garantir-lhe felicidade. Então, agora, volta-se para si mesmo, em busca de sua essência, tentando acalmar os seus sentimentos, a sua emoção, o seu coração, os seus anseios. E com isso, percebe a sua fragilidade diante do universo e começa a resgatar em suas lembranças, momentos em que se sentia confortado, seguro, protegido. Invariavelmente suas lembranças remetem à mães, avós, irmãos mais velhos e até mesmo bibliotecárias infantis. Surgem contos de fadas, personagens do folclore nacional, "causos", canções de roda e de ninar, brincadeiras infantis, livros e estórias lidas na infância, associadas a vozes doces e ternas, afagos e momentos de prazer, onde a imaginação, o sonho, a emoção eram os únicos valores e referenciais de vida. Com os relatos das estórias infantis, aprendíamos a lidar com as situações nem sempre agradáveis da vida, com os conflitos do chamado "inconsciente coletivo", presente em todas as culturas e civilizações, de maneira atemporal. Estórias que tinham como único compromisso o prazer de lê-las e ouví-las. Sem a pretensão de transformar o homem e o mundo que o rodeia, transmitiam de forma lúdica, paz! Por que então, retiramos esse precioso momento de nossas vidas? Quando isso aconteceu? Por que? Por que em algum momento isso foi tido como banal, não educativo, superficial. O homem iludido com as tecnologias, imaginou que novas formas de contar estórias e preservar a memória pudessem substituir o aconchego, a voz, a presença, a imagem criada na mente de cada pessoa... Foi aí que a maldição surgiu! Algumas pessoas no entanto, resistiram e resistem! Nas grandes concentrações de pessoas, onde o caos faz-se sentir de forma mais forte, onde a solidão está mais presente, faz-se ainda mais necessário brotar o espírito de Sherazade, adormecido dentro de cada um de nós. Com isso, resgataremos o nosso "contador de estórias" adormecido lá no fundo dos nossos corações, transmitiremos e perpetuaremos mil e uma noites, estórias e emoções e quem sabe até como nos contos de fadas, seremos felizes para sempre!

Marta Nosé Ferreira
(Bibliotecária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP)


Interação
Boletim Informativo das Bibliotecas da USP

Comissão Editorial
Letícia de Almeida Sampaio - Bibliotecária da FFLCH (coord.)
Adriana Hypólito - Bibliotecária do DT/SIBi
Lina Flexa - Bibliotecária da FE Marfísia P. S. Lancellotti - Bibliotecária da FMVZ
Sonia Marisa Luchetti - Bibliotecária da FFLCH


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