Toxina em ração de aves de abate tem de ser controlada

Por Carolina Medeiros, especial para a Agência USP de Notícias
carolinafmedeiros@yahoo.com.br

Entre janeiro e agosto de 2014, a exportação de frango do Brasil para a Rússia cresceu 36% em relação ao mesmo período de 2013. E o estado onde mais se abatem as aves é o Paraná, responsável por 29,18% da produção aviária do País. Porém, para especialistas, a avaliação da alimentação desses animais merece atenção especial. Isso porque a ração consumida por eles, em muitos casos pode estar contaminada por micotoxinas, substância produzida por fungos, e que ao serem ingeridas podem causar efeitos agudos.

Especialistas alertam que avaliação da alimentação desses animais merece atenção

E sobre esses efeitos no organismo das aves, uma revisão bibliográfica realizada por pesquisadores dos Departamentos de Nutrição Animal e de Engenharia de Alimentos, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, em Pirassununga, buscou descrever os principais efeitos da toxina sobre o desempenho zootécnico na produção de frangos de corte, as alterações nas matérias-primas de ração e os avanços científicos em metodologias desintoxicação biológica.

O artigo, que acaba de ser publicado na Revista Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal (vol.51, n.2, 2014), mostra que as aflatoxinas (grupo de micotoxinas produzidas por fungos da espécie Aspergillus), causam efeitos adversos em frangos, e provocam mudanças na matéria prima das rações. O estudo apontou ainda que a origem da contaminação se dá no processo de plantio, principalmente no de milho, o que levou os pesquisadores a defenderem a aplicação de Boas Práticas Agrícolas direcionadas a todas as etapas produtivas, desde a colheita dos cereais até a produção e armazenagem das rações prontas.

Descontaminação eficiente
Os pesquisadores concluíram ainda que os processos biológicos de descontaminação são mais eficientes, uma vez que fazem uso de enzimas microbianas para redução da concentração da toxina. Em outras palavras trata-se de um processo no qual organismos vivos, normalmente plantas ou microrganismos, são utilizados para remover ou reduzir os fungos presentes nas rações.

Tal processo é uma alternativa ecologicamente mais adequada e eficaz, contudo, a prevenção dessas e de outras micotoxicoses em criações avícolas requer ações integradas para a aplicação de técnicas tanto de prevenção quanto de descontaminação, visando combater estas enfermidades silenciosas que tantos prejuízos financeiros causam à cadeia produtiva de carne de frango.

O artigo Aflatoxicoses: prejuízos causados ao desempenho zootécnico de frangos de corte, boas práticas agrícolas e métodos biológicos de detoxificação, é assinado pelos pesquisadores Ricardo de Albuquerque e Carlos Augusto Fernandes de Oliveira, da FMVZ.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Mais informações: com Ricardo de Albuquerque, e-mail ricalbuq@usp.br; Carlos Augusto Fernandes de Oliveira, e-mail carlosaf@usp.br

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