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Blog da USP - 09/05/2013 - Imprimir Imprimir

Serviço de Orientação Profissional do IP auxilia na escolha da carreira

Para a professora Yvette, “a orientação profissional é um trabalho preventivo, é se apropriar de uma definição”

O momento de escolha da profissão costuma trazer dúvidas aos estudantes e, algumas vezes, pode provocar uma sensação de angústia pela indecisão, que é compartilhada por suas famílias.

Em 2010, 436.365 alunos concluíram o ensino médio no Estado de São Paulo, segundo dados do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados).  No vestibular da Fuvest 2011, realizado entre o final de 2010 e início do ano seguinte, se inscreveram mais de 132 mil candidatos de todo o Brasil.

Dessa forma, todos os anos, milhares de jovens brasileiros passam por esse delicado momento de escolha – e, algumas vezes, reescolha – da profissão, que também terá consequências em sua vida pessoal. Além disso, nas últimas décadas essa decisão tem ganhado um peso maior e, em geral, trazido mais ansiedade aos jovens.

Durante sua vida, o jovem passou e passará por muitos momentos importantes, como o da escolha profissional. Mas tratá-lo como mais pesado e imutável do que realmente é só pode trazer um sofrimento que poderia ser amenizado com o apoio da família, informações aprendidas na escola e, quando necessário, ajuda de profissionais.

A coordenadora do Serviço de Orientação Profissional do Instituto de Psicologia (IP), Yvette Piha Lehman, diz que “a escola tem que incluir a educação para a carreira, colocar espaços  não só de estudo e não deixar o aluno tão superprotegido nos muros para depois ir confrontar o mercado de trabalho e a vida profissional”.

“Já a orientação profissional pode ajudar pelo menos a tirar essa angústia que não é só do adolescente, mas da família inteira. Se sentir perdido assim dá uma aflição, porque é o momento em que o adolescente reformula todos os lugares de toda a família. É um projeto novo que está entrando e a família vai se organizar e trazer o futuro para dentro de casa”, afirma a coordenadora.

Atendimentos psicológicos

O Serviço de Orientação Profissional do IP tem dupla função: oferecer estágios aos seus alunos de Psicologia e atender pessoas que estejam passando por uma crise com a profissão ou sua escolha. São atendidas cerca de 500 pessoas e a única restrição é que o cliente tenha mais de 14 anos.

Mas Yvette explica que a maioria dos clientes são adolescentes no segundo ou terceiro ano do ensino médio: “O adolescente que nos chega é aquele que, dentro das possibilidades de escolha, vive um momento de crise em função de duas ou três opções, de não saber o que fazer”. Assim, os jovens que procuram o serviço são os que não conseguiram resolver isso sozinho.

Segundo Yvette, “para quem não faz esse processo na adolescência, vai estourar em algum momento. É um trabalho superpreventivo, de se apropriar de uma definição. Pelo menos essa é a nossa ideologia aqui, defender o lugar da pessoa que escolhe”.

Sobre as desistências, Yvette diz que “há dez anos não tinha isso de desistir na USP. Havia alguns cursos problemáticos que tinham desistência, mas era pontual. Hoje é difuso. Vem gente do quinto ano da Medicina, quarto ano da Poli [Escola Politécnica]”.

Para ela, hoje existe uma crise que está invadindo a escolha “os jovens entram com um sentido no curso e, através da vivência universitária, o perdem. Quer dizer, não sabem por que estão ali. Quando recuperam o sentido inicial, começam a entrar em configuração”.

“A hipótese que tínhamos era que o aluno USP possuia um projeto social para ele, e quando houve a predominância de um modelo técnico, o sentido do papel social do aluno se perdeu”.

Yvette observa que a desistência ocorre em três momentos: primeiro, com os que não “escolheram”, mas foram influenciados por pais ou amigos. Depois, quando começam os estágios e a parte prática e o aluno não gosta. Ou ainda no final do curso: “A desistência pode se dar se há uma boa remuneração ou não, porque o aluno quer ter outros projetos e a profissão não dá suporte. Consideramos a profissão como um alicerce que dá autonomia e hoje é esse questionamento. Vou sobreviver, vai me dar autonomia?”, relata a professora.

No entanto, Yvette conta que, após os atendimentos no IP, “73% dos alunos não desistem (do curso). Há uma reconfiguração (pessoal) do curso em função de novas necessidades. O serviço realmente é muito importante, eu acho que a USP tem que ampliar isso em todas as unidades”.

Como os atendimentos são ligados ao período letivo do curso de Psicologia, as inscrições começam perto de março, depois do carnaval, e terminam no final de junho. Já os atendimentos vão de maio a setembro. (leia mais abaixo).

Ela afirma que: “Há uma curva de demanda que temos que atender até a inscrição da Fuvest, Enem e outros vestibulares. Por isso, até setembro existe maior densidade. Claro que depois continuamos, mas não estamos sob pressão da Fuvest”.

A coordenadora conta que o serviço também dá consultoria para escolas e cursinhos que o procuram, ajudando-os a montar serviços de orientação profissional e organizando eventos sobre o tema.

Feira de Profissões da USP

A USP realiza anualmente duas edições de sua Feira de Profissões, uma na capital e uma em um dos campi do interior. Além de conhecer os cursos oferecidos e tirar dúvidas, os alunos podem fazer uma sessão de orientação profissional oferecida pelo IP.

Para Yvette, a feira é um “contato com o amanhã”. Ela explica que conhecer um local e imaginar-se nele pode ser muito positivo: “Esse espaço social não é uma USP em abstrato, é um lugar que o vestibulando pode ocupar. Almejar um lugar concreto, com caras, com pessoas agradáveis ou não, enfim, concretizar isso pode ser muito saudável e motivador”.

O teste vocacional aplicado é uma preparação para que os participantes possam aproveitar melhor a feira, ao saber quais são suas dúvidas e necessidades e que perguntas fazer. “É uma forma de tentar mostrar como a pessoa hierarquiza a sua escolha. Há algumas categorias: um pesquisa tudo e depois escolhe, o outro vai por impulso, o outro quer o contexto. Mas eles não saem decididos de uma feira, ela serve para estimulá-los e provocá-los para ver do que gostam, ter esse primeiro termômetro”, diz Yvette.

Para ela, a importância de pensar sobre a profissão é estar mais claro do motivo de estar lá e poder defender seu lugar muito mais, ser mais resiliente. “Claro que com a crise de mercado, sobreviver em sua escolha, manter sua paixão é muito importante, porque a realidade ficou muito funcional, automática.”

Yvette afirma: “A escolha da profissão tem que ter um sentido próprio, uma coisa que compromete em fazer essa escolha dar certo. Normalmente, a escolha não é um simples encaixe, não é apenas um fazer, você pode ter habilidade, mas não gostar de fazer. É refletir sobre aquilo que dá mais sentido, que causa orgulho e que proporciona uma identidade social e um lugar social de respeito”.

As inscrições para o atendimento no Serviço de Orientação Profissional do IP devem ser feitas somente às sextas-feiras, das 11h às 16h, até o dia 14 de junho, e tem o limite de 30 atendimentos por tarde. O próprio interessado deve comparecer ao local, já que existe uma entrevista neste primeiro dia. Depois serão constituídos grupos que se encontram em seis encontros com mediação de psicólogos.

O Instituto de Psicologia está localizado na Av. Prof. Mello Moraes, 1721 – Bloco D – Cidade Universitária, São Paulo.
Mais informações pelo telefone: (11) 3091-4174 ou por e-mail: sopi@edu.usp.br

(Com informações da Revista Espaço Aberto, nº 146 – fevereiro de 2013 / Foto: Cecília Bastos)

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