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Blog da USP - 09/06/2016 - Imprimir Imprimir

Docente aposentado da FAU recebe prêmio na Bienal de Veneza

imagem divulgação Bienal de Arquitetura

Em cerimônia realizada no dia 28 de maio, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha recebeu o prêmio Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra na abertura da 15ª Bienal de Arquitetura de Veneza, com o tema “Reporting from the Front”, que ficará em cartaz até 27 de novembro. O prêmio foi anunciado no começo de maio. O arquiteto foi escolhido pelos diretores da mostra italiana como homenageado deste ano por sugestão do curador Alejandro Aravena.

O arquiteto assumiu nas últimas décadas uma posição de destaque na arquitetura brasileira contemporânea, tendo recebido, em 2006, o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial e equivalente ao Nobel da área. As obras mais conhecidas de Paulo Mendes da Rocha são a reforma da Pinacoteca do Estado, o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), o Edifício Jaraguá e o Edifício Guaimbê.

Paulo Mendes da Rocha - foto Rui Furtado

O arquiteto Paulo Mendes da Rocha na premiação

Paulo Mendes da Rocha formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1954. Na USP, foi docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) em dois períodos: de 1960 a 69, quando foi afastado pela ditadura militar, e, depois da anistia, de 1980 a 1998, até se aposentar. Ele e João Batista Vilanova Artigas elevaram a FAU com seus pontos de vista sociais e humanistas, influenciando gerações e gerações de arquitetos e artistas.

“Paulo é um arquiteto que se mantém importante e influente porque não trabalha com soluções prontas, trabalhando de uma forma pré-concebida. Por isso, continua atual como um arquiteto que não tem uma obra previsível e que se repete. Pois, cada obra é nova e um novo problema a ser resolvido. Ele tem a capacidade de compreender a situação e identificar os problemas oportunos, sabendo formulá-los e resolvê-los”, destaca o professor do Departamento de Projeto da FAU, Milton Braga.

Pavilhão Brasileiro 2- Foto Marta Moreira

Pavilhão brasileiro na Bienal

O docente também foi aluno de Mendes da Rocha na Faculdade e é um dos sócios do escritório MMBB – junto com outros dois ex-alunos também: Fernando de Mello Franco e Marta Moreira –, que mantém parceria com o arquiteto em alguns projetos. O comentário de Braga vai ao encontro com uma frase destacada no site de Paulo Mendes da Rocha sobre sua própria arquitetura. “Eu acho que a questão fundamental da arquitetura é resolver problemas. Portanto, se você quiser dizer assim, que qualidade a arquitetura deve ter, imprescindível, se tivesse que dizer uma só qualidade, eu acho que ela deve ser “oportuna”.

Atuação docente

Braga lembra que Mendes da Rocha sempre defendeu a existência de uma arquitetura mais equilibrada, eficiente e mais justa, sendo que seu trabalho é comprometido com a construção de uma cidade para todos, onde todos sejam bem acolhidos. Ele lembra que o arquiteto é uma das pessoas mais coerentes, porque tudo aquilo que ele ensinou como professor, ele também pratica na sua arquitetura, que não vê como um serviço, mas como uma atividade intelectual, crítica e comprometida com um habitat melhor. “Ele era capaz de mostrar os desacertos, mas também os acertos e o potencial dos alunos, de uma forma sempre capaz de despertar o entusiasmo pela arquitetura”, recorda.

Alguns projetos de Mendes da Rocha com o escritório MMBB são: o Poupatempo de Itaquera, o Sesc 24 de maio, que está em construção; o Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, Portugal – obra inaugurada em 2015 –; e, no momento, estão estudando a recuperação da Praça de acesso ao Parque do Ibirapuera.

Jardim Edite - foto Nelson Kon

Projeto do complexo habitacional do Jardim Edite, em São Paulo

Mais Brasil na Bienal

A Bienal de Veneza é uma exposição internacional nas áreas de arte, arquitetura, cinema, dança, música e teatro, realizada a cada biênio, desde 1895, em Veneza, Itália. A Bienal de Arquitetura de Veneza, a maior exposição de arquitetura do mundo, reúne 88 propostas e trabalhos realizados nas periferias e bairros pobres de cidades de 37 países. O escritório SPBR Arquitetos, comandado por Angelo Bucci, que também é professor da FAU, foi o único escolhido para participar dessa mostra principal. O projeto apresentado é o do novo Museu de Arte Moderna (MAM), na cidade de São Paulo.

Na Bienal, também há um pavilhão brasileiro com a exposição de 15 projetos. Entre eles está o projeto do Jardim Edite, desenvolvido pelo escritório de arquitetura MMBB. Um dos sócios e professor da FAU, Milton Braga, acredita que o projeto do Jardim Edite foi escolhido para integrar o pavilhão do Brasil na Bienal por representar um projeto de habitação social, com uso misto.

(Fotos: Rui Furtado / Marta Moreira / Nelson Kon)

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