{"id":996,"date":"2021-03-09T14:22:49","date_gmt":"2021-03-09T17:22:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/piraju\/?p=996"},"modified":"2021-03-09T14:22:50","modified_gmt":"2021-03-09T17:22:50","slug":"as-tres-chances-da-poesia-lenda-de-cervaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/?p=996","title":{"rendered":"As tr\u00eas chances da poesia \u2013 lenda de Cervaro"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">I<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro encontro se deu na d\u00e9cada dos dez<br>Um encontro tramado nas perturba\u00e7\u00f5es infantis<br>Como deve ser o encontro dos poetas mirins<br>Tempo das frases balbuciantes<br>Que escorregam lentas na dimens\u00e3o dos quintais<br>Com suas \u00e1rvores, suas bugigangas, seus bichos<br>E toda sorte de inset\u00edvoros<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas&#8230;<br>ela guardava por ali um tesouro<br>A sete chaves, no buraco da madeira<br>E chamou a aten\u00e7\u00e3o dele<br>Para a cara branca com conte\u00fado dourado no bauzinho<br>Como diria a can\u00e7\u00e3o<br>\u201cnada de novo sob o sol, s\u00f3 o que existe \u00e9 o velho ovo\u201d<br>Mas&#8230;<br>ela alimentava expectativas maternas por ali<br>afinal [pensava], gema \u00e9 o segredo da vida<br>e guardam em seu \u00e2mago novos seres voantes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando viu o segredo, ele ficou Einstein de perplexo<br>J\u00e1 n\u00e3o sabia se ria ou se chorava<br>Apenas porque em ovo de lagartixa [e ela na inoc\u00eancia n\u00e3o sabia]<br>S\u00f3 vingam seres rastejantes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas preferiu ficar calado, jeito de Buda chocado<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 no recato da noite ele chorou<br>Enquanto percebia por ali<br>Uma poetinha perdida em devaneios de quintal<br>Mas gargalhou gostoso na cumplicidade do amanhecer<br>Quando imaginou a cara de boc\u00f3 da poetinha [desculpe]<br>Quando topasse com o seu colibri z\u00f3iudo<br>Arreganhando patinhas de quatro dedos<br>Ostentando uma barrigudinha gelada<br>E o incr\u00edvel rabinho que descola<br>Ser\u00e1 que amamentaria o seu filhote Frankenstein?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele n\u00e3o ficou nem para o choro, nem para o riso<br>Pegou o trem e foi-se,<br>deixando para tr\u00e1s um Cristo de bra\u00e7os abertos<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">II<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo encontro, deu-se na d\u00e9cada dos 40<br>Tamb\u00e9m foi um encontro recheado de como\u00e7\u00f5es<br>Regado a vinho<br>Como deve ser o encontro dos poetas maduros<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os devaneios n\u00e3o se encontravam mais nos quintais<br>E os pais s\u00f3 habitavam nas fotos,<br>Com olhar de saudades da varanda<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os devaneios ansiavam ao l\u00e9u dos pap\u00e9is<br>uma vida escrita a pleno vapor<br>Queimando no combust\u00edvel dos projetos<br>o tempo da gesta\u00e7\u00e3o dos livros<br>amargando um medo incomodo de p\u00e1ginas em branco<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E desta vez foi ela quem embarcou<br>No trem da maravilhosa Londrina<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">III<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro encontro se deu na d\u00e9cada dos 80<br>Diz a lenda, que o cometa dos poetas<br>\u00c9 assim &#8211; retorna a cada 40 anos<br>Trazendo as novas palavras do universo<br>Exibindo na passagem uma cauda enorme<br>Rastro de estrelas e poesias inacabadas<br>E foi um encontro de paz e luz, como deve ser o encontro<br>Dos letrados envelhecidos<br>Diz tamb\u00e9m a lenda que depois desse desencontro<br>Viajaram [dessa vez juntos] no trem das gal\u00e1xias<br>E nunca mais se tocaram<br>Pelo menos [ou pelo mais]<br>Na dimens\u00e3o das coisas palp\u00e1veis<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">The end<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>\u00c0 poeta C\u00e9lia Musilli<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I O primeiro encontro se deu na d\u00e9cada dos dezUm encontro tramado nas perturba\u00e7\u00f5es infantisComo deve ser o encontro dos<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":380,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[62,64,10,26],"class_list":["post-996","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estorias-de-um-rastro","tag-carlos-muzille","tag-cronica","tag-piraju","tag-rio-paranapanema"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=996"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/996\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":997,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/996\/revisions\/997"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}