{"id":998,"date":"2021-03-14T22:48:24","date_gmt":"2021-03-15T01:48:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/piraju\/?p=998"},"modified":"2021-03-15T14:38:43","modified_gmt":"2021-03-15T17:38:43","slug":"musicista-pirajuense-conta-sua-trajetoria-de-aprendizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/?p=998","title":{"rendered":"Encante-se com a m\u00fasica de Cybelle Lopes"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-02-23-at-08.32.16-e1615766258431-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1003\" srcset=\"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-02-23-at-08.32.16-e1615766258431-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-02-23-at-08.32.16-e1615766258431-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-02-23-at-08.32.16-e1615766258431-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-02-23-at-08.32.16-e1615766258431.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Cybelle Lopes em Piraju (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Maria Laura L\u00f3pez*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ouvido musical \u00e9 uma express\u00e3o utilizada para designar a apura\u00e7\u00e3o ou a sensibilidade de uma pessoa para a m\u00fasica. Mas o que por um lado \u00e9 visto como uma facilidade para aprender instrumentos ou acertar a afina\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m pode se tornar um problema quando n\u00e3o vem acompanhado de uma educa\u00e7\u00e3o mais formal. Foi o que aconteceu no caso de Cybelle Lopes, artista pirajuense que recentemente se aposentou da Orquestra Sinf\u00f4nica Municipal de Campinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo iniciado sua vida na m\u00fasica aos nove anos de idade num projeto social em Piraju, a musicista conta como se deu seu processo de aprendizagem. \u201cDepois de passar pela teoria musical a gente finalmente pegava algo para tocar. No meu caso, o maestro cantava a melodia, eu pegava de ouvido e repetia no instrumento, ent\u00e3o eu n\u00e3o lia a partitura\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a facilidade em reproduzir a melodia a partir do que ouvia tenha ajudado durante os primeiros anos, ao seguir carreira e se profissionalizar Lopes precisou reaprender a tocar, dessa vez tendo a partitura como base. \u201cDepois que eu fui para Curitiba que tive alguma no\u00e7\u00e3o de como entender as notas escritas naquele papel. Para ser uma profissional eu dependia disso\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu primeiro instrumento, ainda em Piraju, foi o trompete. Com ele<ins>,<\/ins> a artista foi para Porangaba, onde passou algum tempo tocando em Big Band, grupo instrumental associado ao jazz, e s\u00f3 depois chegou em Curitiba, j\u00e1 aos 17 anos. Foram oito anos tocando por mem\u00f3ria auditiva antes de aprender a ler partitura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSabe aquelas imagens em que t\u00e1 tudo bagun\u00e7ado mas quando voc\u00ea fixa o olhar num ponto consegue ver uma imagem oculta? Foi mais ou menos assim depois que eu comecei a entender aquelas notas no papel, foi fant\u00e1stico porque qualquer m\u00fasica que voc\u00ea colocasse na minha frente eu conseguia ler\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>&#8220;O maestro cantava a melodia, eu pegava de ouvido e repetia no instrumento, ent\u00e3o eu n\u00e3o lia a partitura&#8221;<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Curitiba, Cybelle tamb\u00e9m passou por um projeto da prefeitura no Solar do Bar\u00e3o, Funda\u00e7\u00e3o Cultural da cidade, e depois por uma escola de m\u00fasica, gra\u00e7as a sua insist\u00eancia. \u201cEu sempre ia conversar com o pessoal da Orquestra Sinf\u00f4nica de Curitiba para saber quem dava aula e onde mais eu poderia estudar\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu ia meio que pedindo para as pessoas me darem aula porque se eu fosse depender de dinheiro para pagar eu n\u00e3o tinha. A\u00ed de vez em quando aparecia algu\u00e9m que topava me ensinar e eu ia atr\u00e1s\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de algum tempo nessa escola, a artista j\u00e1 n\u00e3o estava mais t\u00e3o feliz na cidade, tanto que ao receber outra oferta em um novo lugar n\u00e3o hesitou. \u201cUm dia o professor que dava aula para a gente faltou, e o substituto, que dava aulas em Tatu\u00ed, perguntou porque eu n\u00e3o ia para l\u00e1, eu teria op\u00e7\u00e3o de bolsa, pensionato\u2026 ent\u00e3o eu fui\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conseguiu uma vaga na escola de m\u00fasica de Tatu\u00ed em 1986. L\u00e1, tamb\u00e9m tocava na banda do conservat\u00f3rio e por isso ganhava uma bolsa com a qual se mantinha. O primeiro ano ela ainda passou com o trompete, s\u00f3 depois \u00e9 que veio a trompa. \u201cEu gostei do som diferente que ela produz. A trompa \u00e9 um instrumento meio erudito&nbsp;e eu vi que teria mais campo de trabalho tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00e9poca, os tocadores de trompa eram muito escassos e<ins>,<\/ins> \u00f3tima instrumentista como \u00e9, Cybelle Lopes n\u00e3o demorou para entrar no meio profissional. Quatro meses depois de trocar de instrumento, ela j\u00e1 estava tocando na Orquestra Sinf\u00f4nica de Sorocaba. \u201cMesmo assim o n\u00famero de trompistas era muito pequeno, por isso um pessoal de Campinas era contratado para ajudar de vez em quando\u201d, conta ela sobre como suas portas se abriram para a Orquestra Sinf\u00f4nica de Campinas ainda em 1989, e onde ficou at\u00e9 se aposentar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-02-23-at-08.30.47-e1615766467459-edited.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1005\" width=\"997\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-02-23-at-08.30.47-e1615766467459-edited.jpeg 1142w, https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-02-23-at-08.30.47-e1615766467459-edited-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-02-23-at-08.30.47-e1615766467459-edited-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 997px) 100vw, 997px\" \/><figcaption>Seu primeiro instrumento foi o trompete (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs meninos gostavam de me ver tocar por causa da quest\u00e3o da afina\u00e7\u00e3o, achavam interessante, a\u00ed quando abriu vaga para trompista l\u00e1 em Campinas eles me convidaram para prestar concurso\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>De aluna para professora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto estudava em Tatu\u00ed e mesmo depois, quando j\u00e1 trabalhava na Orquestra Sinf\u00f4nica de Sorocaba, Cybelle tentava oferecer um pouco das mesmas oportunidades que teve na vida. \u201cA gente ia dar aula em alguns projetos da prefeitura, aproveitava para fazer uns bicos na banda ou orquestra da cidade, sempre assim\u201d, relembra. Eram aulas de trompa que ela dava uma ou outra vez por semana em lugares como Botucatu e Rio Claro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais tarde, em 2011, enquanto j\u00e1 tocava em Campinas, a musicista voltou a dar aulas, dessa vez em um projeto social em Amparo. \u201cO interessante desse lugar \u00e9 que o objetivo n\u00e3o era formar m\u00fasicos, era ensinar sobre a cultura musical mesmo. E eu que nunca fui boa na teoria, porque pegava tudo de ouvido e achava que n\u00e3o precisava, fui dar aula justamente de teoria musical\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No projeto o p\u00fablico era bem variado, desde crian\u00e7as a idosos da cidade, e Cybelle aproveitou para explorar tudo que podia enquanto professora. Chegou a usar m\u00fasicas de funk para explicar conceitos de ritmos e manter o interesse de todo mundo. \u201cEu achava que todo mundo ia achar um t\u00e9dio as minhas aulas e, no fim, ningu\u00e9m nunca faltava\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"http:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1490656_511143299000429_162471907_o-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1007\" srcset=\"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1490656_511143299000429_162471907_o-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1490656_511143299000429_162471907_o-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1490656_511143299000429_162471907_o-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1490656_511143299000429_162471907_o-1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.usp.br\/piraju\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1490656_511143299000429_162471907_o-1.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Cybelle Lopes e seus alunos em Amparo (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFoi um ano muito bom, e s\u00f3 n\u00e3o durou mais porque o mandato da prefeitura mudou e o projeto terminou junto\u201d, afirma. Mas a vontade de dar aulas continuou e hoje, aposentada da Orquestra Sinf\u00f4nica de Campinas e de volta a Piraju, a artista pensa em criar algum projeto parecido com aquele de Amparo. \u201cQueria fazer alguma coisa assim, mais voltada para teoria mesmo, sem muito foco em formar profissionais\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia n\u00e3o \u00e9 para agora, mas Cybelle diz que p\u00f3s-pandemia este \u00e9 um dos seus planos. Assim como voltar a tocar trompete, mais especificamente aprender o Flugelhorn, que produz um som diferente e que ela gostaria de experimentar. \u201cTalvez at\u00e9 me juntar com um pessoal aqui da cidade, outros m\u00fasicos, para fazer um som de vez em quando\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>*Maria Laura L\u00f3pez \u00e9 rep\u00f3rter e bolsista do projeto \u201cRegistro da Mem\u00f3ria e do Turismo na Est\u00e2ncia Tur\u00edstica de Piraju: desenvolvimento das habilidades comunicacionais no ensino fundamental I e II\u201d do Programa USP MUNIC\u00cdPIOS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aposentada da Orquestra Sinf\u00f4nica de Campinas, Cybelle Lopes tem planos de come\u00e7ar projeto sobre cultura da m\u00fasica ap\u00f3s a pandemia<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1003,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[13,134,135],"class_list":["post-998","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","tag-musica","tag-musicista","tag-orquestra-sinfonica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=998"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/998\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1016,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/998\/revisions\/1016"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usp.br\/piraju\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}