Clônico (não sou candidato a nada)
refaço
o meu clone
em cada amanhecer
colando minhas fotos
nos postes, muros,
chás, viadutos,
amareladas pelo orvalho
da noite friameu bólido voa
em busca do vento
na ânsia das possibilidades
que nunca estão
ao meu alcanceaonde me levam
essas esperanças marginais
alagadas de fumaça
e congestionamentos?
aonde me leva
esse eterno bater cartão
na tristeza cinza
das empresas?
somar crescer
qual é o limite
do caminhar nas rotas inversas
da minha felicidade
paralelas do meu destino
que não se cruzam nuncaaceno
faço não,
faço cena
desfaço o nó da gravata,
o meu adeus é aqu
* Carlos Alberto Muzille é escritor e ativista ambiental e cultural
