Qual será o próximo alvo dos Estados Unidos da América?
O que faz um país se desenvolver economicamente de maneira com que haja um abalo a respeito da concretude e a falsa proeminência positiva compartilhada para o mundo no Consenso de Washington de 1989? Investimento público para o desenvolvimento agrário com um juros de 3 a 3,5%? Políticas externas coesas que se transformem em um IDH positivo de forma direta? Planejamento estatal de curto, médio e longo prazo? Talvez a velha e tão conhecida política diplomática da “boa vizinhança” ? Ou quem sabe a adesão à blocos econômicos contra hegemônicos? Bem, e se descartarmos todas essas possibilidades dentro da seara das tomadas de ação da política institucional e internacional e aderirmos a uma precária e arcaica prática instaurada nas ditas “potências mundiais” do “primeiro mundo”: o imperialismo?
Acredito que já estejam cientes de que o tal “sonho americano” é uma farsa ideológica da pior estirpe possível. Um verdadeiro devaneio absurdo, uma alucinação coletiva digna de estudos perante a psicologia do social, e essa afirmação me parece tão verídica a cada dia que passa, assim como o fato de que a Terra não é plana (diferentemente do que afirmam certos conspiracionistas). A humanidade foi vítima – e infelizmente ainda é – de um projeto propagandista disseminado por uma Ideologia Permanente: uma espécie de ação contrarrevolucionária que não tem prazo para acabar, mesmo que o planejamento chinês se instaure como hegemonia principal. Até mesmo que desemboque centenas de revoluções socialistas pelo mundo afora, esse tipo de ideologia continuará a se impregnar nos corpos e almas candentes.
Não há humanidade possível dentre os assuntos tratados na casa branca hoje, pois a casa branca se resume a uma casa vermelha. Um prédio coberto com o sangue dos imigrantes que buscam uma vida digna, mesmo que inseridos em meio a uma nação absurdamente racista e extremamente segregacionista. Um país que está reafirmando o voto com seu status quo através do braço armado nazifascista contemporâneo: o ICE.
Tendo essas afirmações como norte não medirei adiante minhas palavras e nem farei teoria alguma para tecer a devida crítica a essa nação corrupta desde a sua raiz, desde o seu cerne. Não quero de forma alguma agradar os amantes desta velha e decante plutocracia, muito pelo o contrário: aos que se sentem representados pelos projetos políticos provindos do norte da América peço que abandonem rapidamente essa leitura pois aqui vocês não se sentirão contemplados.
Falo aqui de um país que vivência hoje o auge de sua decadência, no qual o próprio mandatário que se autointitula como presidente, nada mais é que um déspota dos pés a sua cabeça alaranjada, e que possuía um forte vínculo político e estratégico com a personificação da crueldade mais torpe e vil que a humanidade já produziu, Jeffrey Epstein. Uma verdadeira aberração abominável, fruto de processos estéticos grotescos que nos induzem a crer que nem todo o dinheiro do mundo salvará uma alma perdida dentro do próprio horror e amargura tanto externa como interna. Um ser sem valor intrínseco, um ianque completo, Donald Trump.
Em meio ao caos televisionado cotidianamente, nada nos resta senão a perceber como procede o outro lado do mundo que outrora fora saqueado por esse projeto mal sucedido de nação, pela própria massa falida que teme o dia de amanhã. Eu indago aqui a todos os meus leitores: como está a Líbia hoje após o assasinato de Muammar Gaddafi, no ano de 2011, durante a primavera árabe? Pois não, eu mesmo explico: um país que possuía o maior IDH dentre os mais de cinquenta países do continente africano vivência hoje uma espécie de anarquismo social onde várias facções lutam em meio a um cenário de devido abandono (abandonado esse propalado por parte de outra falsidade ideológica que já conhecemos de outros carnavais: a ONU) pelas migalhas deixadas para trás após o processo de espoliação de suas riquezas naturais, nesse caso o petróleo.
Quando analiso aquilo que está ocorrendo na Venezuela hoje não consigo negar a veracidade que se encontra no pensamento de Marx, que dissera de forma grandiosa e sublime para a humanidade que: “a história se repete, uma vez como farsa, outra como tragédia”. Esse antigo pensador nos explica de antemão – e concede a base teórica para outros tantos revolucionários posteriores, haja vista Lênin – para que pudesse haver um consentimento amplo e teórico de que os processos imperialistas coordenados pelas nações do capitalismo central não são – muito menos serão – uma novidade, nem tão pouco uma proposta discreta que se materializa e se apresenta com certa delicadeza para os apreciadores desse verdadeiro show de horrores.
Um roubo sempre será uma tomada consciente da ação pragmática e política traduzido publicamente com um outro nome menos agressivo. A espoliação das riquezas de países subdesenvolvidos é um crime declarado a luz do meio-dia e que a ONU – inclusive – nunca irá ousar contestar de forma coesa e direta mas apenas pelas vias das declarações torpes, deprimentes, anêmicas e de tamanha inutilidade imensurável.
Desde sua criação em Outubro de 1945, esta espécie de organização fantasmagórica advoga apenas para uma causa: fortalecer o próprio imperialismo norte-americano. A criação de Israel em Maio de 1948 corresponde aos interesses eleitoreiros dos ianques com a comunidade sionista (vide a reeleição de Harry S. Truman após compreender o poder político que o sionismo poderia lhe proporcionar durante as eleições de Novembro daquele mesmo ano).
As tarifas impostas pelos ianques à China no ano de 2025 escancaram um tipo de política que nos fornece a imagem de uma espécie de barco furado onde as pessoas que remam em vez de abandonarem o lugar, representam os mesmos democratas e republicanos atuais (afinal, as diferenças aqui são minúsculas) que glorificam e concebem uma política incongruente se levarmos em conta que por mais que haja um discurso de renovação política – ou de “ tomada da América para os americanos ” – na realidade estejamos diante de uma primeira “ potência mundial ” que possui hoje seus ditos maiores complexos industriais abandonados em um cenário de completa subjugação se comparados a cidades como Shenzhen e Xangai, cidades estas localizadas na costa leste e sul da China. Hoje, o maior medo dos Estados Unidos da América é sempre o próximo. Toda mentira um dia chega ao fim, e eu estou convencido de que esse país representa uma das maiores falsidades já exportadas para o mundo.
Porém, o que me preocupa e salta os olhos se encontra aqui, em nossa amada e temida América Latina. A configuração histórica e atual nos demonstra líderes políticos menos afoitos do aqueles que já tivemos. Com a morte de Hugo Chávez em 2013, e posteriormente a do líder cubano Fidel Castro em 2016, as vias do anti-imperialismo se tornaram cada vez menos possíveis e aceitas por aqueles ou aquelas que possuem um discurso tão agradável que até mesmo agrada o lado oposto.
As estratégias do Itamaraty hoje representam a passividade extrema em junção a um conservadorismo cego que tenta mirar em um discurso que foge totalmente de qualquer nível perante o internacionalismo, fora as práticas econômicas internas que auxiliam para que o terceiro governo Lula feche as contas com um saldo positivo com os donos dos bancos privados (assim como no segundo mandato) (leia os juros de mais de 15% da Selic) e um saldo negativo com a classe trabalhadora, que por mais que presencie de fato uma política de inflação baixa e real, ainda não enxerga um futuro concreto – haja vista que a reforma trabalhista de Michel Temer até o prezado momento em que escrevo não foi revogada, nem consta dentro dos planos ministeriais da Fazenda.
A maior reserva de petróleo bruto do mundo foi invadida em Janeiro deste ano, e até o momento vários países se questionam: Qual o nível de potencialidade bélica que possuímos caso sejamos os próximos? Questionamento esse que russos, norte-coreanos e chineses não terão que fazer dentro de suas subjetividades e nas suas sociabilidades do cotidiano. O debate acerca do programa nuclear de cada nação está caminhando para um novo processo histórico: da anedota à uma necessidade emergente.
A única ponte de diálogo real e mais temida se encontra em países que já sentiram o peso da exploração no passado e não hasteiam a bandeira branca a qualquer custo. A mesma Rússia de hoje que anteriormente vivenciou o caos e a concentração de riqueza nas mãos de Nicolau II, hoje possui ogivas nucleares. A China que provou do ódio e da humilhação promovida pelo Japão (aqui cito apenas um exemplo histórico dentre vários outros envolvendo a China e a sua resistência) e a Coreia do Norte contra o próprio imperialismo estadunidense no passado. Ignorar tais fatores nos levam a excluir a importância do fator prático de uma relação externa, que inclusive também ultrapassa o simples discurso impiedoso diante das atrocidades cometidas pelos países, que se fortificam graças às potências do capitalismo periférico: ousando assim configurar a práxis marxiana, a um planejamento militar de fato.
Não há sequer um sentido coerente e minimamente honesto para que nossa prática política elimine o horizonte onde a luta da América Latina se transcreva em um bloco militar hoje. As invasões norte-americanas continuarão a acontecer até que algo seja efetivado de fato entre aqueles que lutam pela verdadeira soberania dos povos e de sua devida autodeterminação. Cuba nesse momento não possui mais petróleo, e a Venezuela não possui mais soberania.
Até quando daremos as costas para o povo cubano? Ficaremos sentados esperando que a investida dos ianques chegue até as nossas terras raras? Qual será o próximo presidente latino que veremos ser sequestrado e julgado por uma corte internacional? Um fato precisa ser mencionado: a primeira invasão já está consumada, e não questiono aqui a legitimidade do governo de Maduro, mas o ato em si. A narrativa construída pelos ianques fora propagada pela mídia burguesa que não produz e muito menos colabora para um jornalismo popular e efetivo. Pois a partir desse sequestro uma rachadura está a crescer desde então no solo de nossa América Latina.
O povo cubano não necessita apenas da solidariedade medida através de um compartilhamento de uma publicação qualquer dentro de redes sociais controladas inclusive por bilionários. O povo cubano clama por soberania real, por desenvolvimento industrial, por maiores parcerias comerciais e pelo fim da escassez, e acima de tudo: pelo direito da autodeterminação. Desde 1962, quando o embargo econômico contra Cuba foi formalmente instaurado pelo golpista maior John F. Kennedy, presenciamos a luta de um povo que continua resistindo sem medir esforços. Todo militante comunista do nosso país precisa tomar essa luta como sua através da organização política, desde as juventudes socialistas até as centrais sindicais de nossos partidos. Uma agremiação partidária que hasteia a bandeira do comunismo sem hastear a bandeira cubana é um equívoco histórico sem precedentes.
Entretanto a de se considerar que a luta por uma hegemonia dos países latinos que ratifique um planejamento maior, possui empecilhos superiores dos que já se demonstram como evidentes e repetitivos dentro das configurações democráticas e dos Estados que trabalham através da lógica das democracias liberais. Não possuímos governos socialistas declarados e sim líderes que apontam para uma política que não ataca o capital espoliativo, mas apenas gera políticas compensatórias ao decorrer de seus mandatos. Não há autocrítica em ascensão por parte desses governos e nem terá, pois a organização interna de cada partido desconhece o centralismo democrático.
Os partidos comunistas são calados de tempos em tempos pois incomodam as alas que se declaram como maximamente progressistas. O PCV foi e ainda é perseguido judicialmente pelo PSUV na Venezuela (partido em que Nicolás Maduro era a principal liderança e tido como o herdeiro do chavismo) seus direitos políticos foram negados e excluídos, falsos congressos foram gerados para destituir os quadros políticos mais críticos do PCV ao governo de Maduro.
Diante do exposto nada me resta senão enaltecer a todos os povos que continuam a resistir. Aos governos que procuram não abaixar a cabeça quando estão à frente de seu algoz, assim como temos presenciado com a figura do ex-guerrilheiro do M-19 Gustavo Petro na Colômbia. Em declarações recentes o presidente colombiano trouxe a tona que caso seja necessário voltará a pegar em armas, aludindo assim a um passado em que muitos brasileiros “progressistas” do nosso país, ousam detestar (me refiro aqui aos nossos grupos guerrilheiros que lutaram ferozmente contra a ditadura de 1964) e ao mesmo tempo deixo aqui minha modéstia chacota diante do governo entreguista de Javier Milei, na Argentina. Um verdadeiro personagem, uma marionete que teima em dizer que possui liberdade de escolha mesmo sendo coordenado pelo seu abjeto mentor, Trump, através de empréstimos financeiros que só reforçam a sua falsa independência de Estado.
* Renan Freire é músico e graduando em História na Universidade Estadual do Norte do Paraná.
OBS: demais matérias de Renan Freire estão disponíveis no site https://www.usp.br/alterjor/
