ISSN 2359-5191

31/05/2016 - Ano: 49 - Edição Nº: 66 - Arte e Cultura - Pró-Reitoria de Pesquisa
Titularidade de Nélida Piñon na Cátedra José Bonifácio rende livro
Centro Ibero-Americano (Ciba) publica compilado de textos fruto dos trabalhos do grupo de pesquisa liderado pela escritora brasileira
Escritora brasileira direcionou a Cátedra a um momento de intensa reflexão./ Fonte: Divulgação

O Centro Ibero-Americano da USP publicou coletânea de artigos que resultaram das atividades realizadas em 2015, ano em que Nélida Piñon foi titular da Cátedra José Bonifácio. Com o título de “As Matrizes do Fabulário Ibero-americano”, a obra reúne pesquisas da própria escritora, de especialistas convidados por ela e de estudantes de pós-graduação da Universidade.

Nélida foi a primeira brasileira e a primeira mulher titular e sucedeu duas importantes lideranças da América Latina: o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e o uruguaio Enrique Iglesias. Sob sua liderança e com o objetivo de explorar e aprofundar o imaginário ibero-americano, pela primeira vez a Cátedra foi conduzida para o universo da literatura e da cultura. “Mesmo com o tema cultura sendo novo, continuamos a ter 20 programas de pesquisa em diversas áreas, como a matemática, o direito e a engenharia”, aponta o secretário-executivo do Ciba, Gerson Damiani.

O fato da escritora morar no Brasil facilitou o intercâmbio entre ela e os pesquisadores e, consequentemente, a solidez da cátedra naquele ano. “A interação entre a cátedra e a comunidade de fora da Universidade é vital para alcançarmos o objetivo do Ciba”, comenta Damiani ao apontar que Nélida relançou, em São Paulo, “A República dos Sonhos” e visitou a Academia Paulista de Letras.

“O ano de Nélida foi de muitos questionamentos internos”, diz. A Cátedra dedicou-se a compreender a posição da Ibero-América no mundo e em si. Nélida debruçou-se sobre a história e observou a região sob diferentes prismas na busca de tentar encontrar essa identidade, inclusive estudando e compreendendo a integração e valorização da cultura indígena.

Imaginário brasileiro e paulista em Lobato

Um dos artigos que contém o livro é de autoria de Leandra Rajczuk Martins, doutora em Educação pela Faculdade de Educação da USP (FE) e editora de conteúdo da Agência Universitária de Notícias (AUN), e versa sobre a importância de se resgatar Monteiro Lobato para a literatura. Lobato foi o autor mais lido de sua época e hoje encontra-se esquecido no imaginário nacional. “Ele fez esse resgate numa época em que as crianças consumiam os livros de fora”, explica Leandra. Dentro dos trabalhos da Cátedra, esse artigo serviu como forma de explorar a importância do autor para a formação da identidade regional e nacional através do estudo da utilização de elementos identitários nacionais como o interior e regionais como a figura de estado-locomotiva que São Paulo representava.

O romancista é lido em geral por crianças de até 6 anos, segundo dados da pesquisa de Leandra. E, em sua visão, isso faz que aspectos mais complexos contidos em sua obra e alcançáveis apenas ao público adulto se percam. “Prender Lobato no lúdico é negar a consistência e a profundidade de sua obra”, define a pesquisadora.

“Em São Paulo, mais especificamente nas Bibliotecas Municipais, Lobato não aparece na lista dos mais lidos”. Segunda ela, o levantamento desses dados e o esclarecimento de que, por exemplo, os livros de Machado de Assis repletos de referências cariocas predominam sobre os leitores paulistas denuncia a falha na construção da identidade paulista.

As Matrizes do Fabulário Ibero-Americano, Edusp, 322 páginas, R$ 46,00

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