ISSN 2359-5191

05/12/2001 - Ano: 34 - Edição Nº: 16 - Saúde - Instituto Butantan
Veneno do niquim deve ter soro em um ano

São Paulo (AUN - USP) - O Instituto Butantan deverá distribuir o soro para o tratamento de acidentes com o peixe niquim em um ano, segundo a bióloga Mônica Lopes Ferreira, do Centro de Imunopatologia. Além dos soros antiofídicos e vacinas com que tradicionalmente trabalha, o Instituto começa a pesquisar peixes peçonhentos, como também as arraias.

Tanto os estudos sobre o niquim quanto sobre as arraias são coordenados pela mesma pesquisadora. O primeiro caso, de maior importância pela gravidade e quantidade de acidentes, está em fase adiantada. É feito em cooperação com uma equipe venezuelana, voltada para o "sapucano" (Thalasophryne maculosa), peixe do mesmo gênero do niquim que habita aquele país. O Butantan já tem um soro pronto, mas deve manter os testes e possíveis purificações até receber a aprovação e recursos do Ministério da Saúde, para então distribuir. A gravidade dos acidentes com as arraias está mais ligada aos danos físicos que aos efeitos do veneno, não devendo a pesquisa chegar ao desenvolvimento de um soro, mas a outro tipo de tratamento específico. Atualmente todo tratamento para peixes peçonhentos é feito pelos sintomas, com analgésicos, antitérmicos e cuidado com os ferimentos. Se necessário, faz-se a prevenção antitetânica.

Apesar de relativamente desconhecido, o niquim (Thalassophryne nattereri) é o peixe venenoso que mais causa acidentes no Brasil. Presente em toda a costa nordestina, é muito comum em Alagoas, de onde amostras do animal e casos de acidentes têm sido recolhidos desde 1996 pela bióloga: " os pescadores podiam ser impedidos de trabalhar por duas semanas, até um mês", conta. Medindo em torno de 15 centímetros, o niquim tem dois espinhos dorsais e mais um em cada lado, que são usados como agulhas para injetar o veneno armazenado em pequenas bolsas. O maior problema para evitar os acidentes é que o peixe se esconde na areia, também em águas salobras, causando danos principalmente a profissionais do mar e dos mangues, onde costuma ferir mãos e pés de pescadores e coletores de mariscos ou caranguejos, e também turistas, nas épocas mais freqüentadas da orla.

A gravidade de uma picada aumenta conforme a quantidade de veneno injetada. Os efeitos, são locais, não atingindo outros órgãos ou funções do corpo, como é comum acontecer em acidentes com cobras, mas os efeitos podem ser graves. A dor e o inchaço são sintomas quase invariáveis, podendo haver até morte de tecidos e necessidade de amputação, mais comum nos dedos. Segundo Mônica Lopes Ferreira, uma boa medida para socorro imediato é manter o ferimento em alta temperatura, por exemplo envolvido num pano com água quente, uma vez que a maioria dos venenos de peixes têm instabilidade térmica. Isso ocorre também com as arraias.

Já esses peixes, cartilaginosos e parentes próximos dos tubarões, são facilmente reconhecidos pela forma circular e achatada. São encontrados em todos os mares e em alguns rios da América do Sul, da bacia platina, amazônica e do Araguaia. Os acidentes são causados pelo ferrão ósseo que possuem na cauda, usado para caça e defesa. O ferrão fica envolvido em veneno, que não é tão tóxico e nem conta com um mecanismo eficaz para contaminação. Em compensação a estrutura óssea tem forma de serra, deixando um ferimento complexo e fragmentos encravados na vítima. Normalmente causa dores intensas e febre.

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